O presidente da UNITA, Isaías Samakuva, felicitou os magistrados do Tribunal Supremo por terem tido a coragem de fazer respeitar a Constituição, mas afirma que a manifestação agendada para amanhã não está desmobilizada.
Em reacção à decisão do Tribunal Suprema que dá razão ao recurso dos partidos políticos da oposição, nomeadamente a UNITA, PRS, FNLA e Bloco Democrático, Samakuva diz em declarações a OPAÍS que “os magistrados fizeram o seu papel, agindo de acordo com o que estabelece a Lei”.
Para o presidente do maior partido da Oposição “prevaleceu a legalidade e o bom senso. É uma vitória para a democracia angolana, mas nós não iremos recuar no nosso programa em particular a nossa manifestação deste sábado, porque estamos insatisfeitos não apenas com a questão da Dr. Suzana Inglês, mas com outros atropelos à lei”, disse Samakuva, esclarecendo que não estão contra a competência profissional da jurista mas o facto dela não reunir as condições exigidas para ser presidente do Conselho Nacional Eleitoral.
Samakuva diz que o seu partido questiona outros atropelos como o facto de não ter sido publicada ainda a lista dos eleitores registados, de modo a que os cidadãos possam reclamar por qualquer eventualidade, tal como estabelece a Lei. “A lei determina que se deve publicar a lista dos eleitores antes de se transferir os ficheiros. Tal como a auditoria nunca deveria ter sido feita sem a publicação dos eleitores registados.
Por esses atropelos e outros, iremos fazer a nossa manifestação sábado para mostrar o nosso desagrada com todas estas situações”, referiu.
O presidente da UNITA afirma, por outro lado, que gostariam de saber quem são os representantes da empresa Deloitte, contratada para auditar os ficheiros.
Eduardo Kwangana, presidente do Partido de Renovação Social (PRS), diz que “o Tribunal Supremo respeitou a dignidade da Lei e das instituições, apesar de todas as vozes discordantes do partido no poder e de alguns jornalistas. Não se trata de uma vitória da Oposição. É simplesmente o respeito da legalidade e das instituições do país”, recordou o líder do segundo maior partido.
Kwangana diz que a Oposição não fez mais do que solicitar que as autoridades, em particular aquelas que gerem o país, respeitassem as leis.
“Nós não questionamos a sua qualidade profissional, mas as condições que a lei impõe para quem quiser ocupar este cargo”.