O ex-presidente da Libéria Charles Taylor diz que as testemunhas que depuseram contra ele no seu julgamento por crimes de guerra cometidos durante a guerra civil da Serra Leoa foram compradas.
“As testemunhas foram pagas, coagidas e em muitos casos ameaçadas de perseguição”, afirmou Taylor esta quarta-feira numa audiência no Tribunal Especial para a Serra Leoa, acrescentando que falta aos juízes o “contexto completo” daquela época. Depois de condenar várias atrocidades cometidas pelo mundo fora, expressou a sua “profunda simpatia” pelas vítimas da guerra civil da Serra Leoa, reiterando sempre a sua inocência nas 11 acusações.
No final de Abril, os juízes responsáveis pelo julgamento, a decorrer em Haia, desde 2007, consideraram Taylor, de 64 anos, culpado de ter instigado e participado em crimes contra a humanidade e crimes de guerra cometidos na Serra Leoa pelos rebeldes da Frente Revolucionária Unida (RUF) entre 1996 e 2002.
Segundo o tribunal internacional, Taylor prestou aos rebeldes um apoio “sustentado e significativo”, oferecendo-lhes, em troca de “diamantes de sangue”, armamento, munições, equipamento de comunicação e ajuda no planeamento de “inúmeras atrocidades”.
A acusação pede uma pena de 80 anos, que a defesa considera “manifestamente desproporcionada e excessiva”, com a justificação de que Taylor apenas apoiou os rebeldes durante a guerra civil da Serra Leoa, não os liderou. Os crimes de guerra de que é acusado incluem assassínio, violação, recrutamento de crianças soldado e amputação de membros.
Presidente do país vizinho da Serra Leoa entre 1997 e 2003, Taylor é o primeiro ex-chefe de Estado a ser condenado por um tribunal internacional em quase 70 anos. A leitura da sentença está marcada para 30 de Maio e espera-se que Taylor, que graças a um acordo com o tribunal poderá cumprir a pena de prisão no Reino Unido, recorra da decisão.