| info@opais.net
Muito nublado
Luanda
Clique para aceder á Revista
RSS

Executivo prudente quanto às expectativas de crescimento

O Executivo mostra-se prudente em relação às perspectivas de crescimento da economia nacional este ano, adoptando no Memorando de Desempenho da Actividade relativo ao primeiro trimestre do ano, apresentado pelo Ministro de Estado e da Coordenação Económica, Manuel Vicente, no final da passada semana, uma estimativa de 8,9% para a variação do PIB (produto Interno Bruto). Trata-se de uma ‘revisão em baixa’ da previsão inscrita no Orçamento Geral do Esta- do (OGE) para 2012, que apontava para um crescimento de 12,8%, a qual se fundava numa estimativa de produção média de 1,842 milhões de barris de petróleo diariamente e num preço implícito do barril situado na casa dos USD 77.

O patamar inferior da nova estimativa governamental que, segundo explicou a ministra do Plano, Ana Dias Lourenço, deve ser encarada num intervalo compreendido entre 8% a 10%, situa-se abaixo da formulada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) no seu World Economic Outlook de Abril deste ano, onde se aponta para um crescimento da economia angolana de 9,7%. Registe-se que o Economist Intelligence Unit estima, para o período 2011-2020, um crescimento médio de 8,4% do PIB angolano.

O ajustamento da previsão relativamente à contida no OGE 2012 dever-se-á, em parte, à revisão em alta da estimativa governamental do andamento do PIB em 2011, que passou de 1,3% para 3,12%. O FMI estima que o PIB terá crescido 3,4% em 2011, mais uma vez acima da previsão do Executivo. A nova estimativa mantém o crescimento da economia angolana muito acima do crescimento global e mesmo do ritmo de evolução prevista para as economias emergentes. Angola é o país que apresenta uma perspectiva de crescimento mais elevada no continente africano.

Reservas cambiais sobem

As reservas cambiais continuaram a aumentar ao longo do primeiro trimestre, passando de USD 25.907,79 milhões em Dezembro de 2011 para USD 26.924,98 milhões em Março deste ano., o que traduz uma variação positiva de 3,93%. A evolução das reservas internacionais líquidas reflecte a recuperação verificada no volume das exportações petrolíferas e também o aumento do preço do barril de petróleo ao longo do período, mau grado a previsão relativa à exportação de 164,7 milhões de barris de petróleo bruto tenha sido apenas executada em 96,77%. O preço médio do petróleo bruto situou-se em USD 113,23 por barril, superando em 10,97% o preço previsto na programação financeira do primeiro trimestre deste ano. Apenas foram recolhidas 51% das receitas esperadas, verificando-se uma diferença de Kz 461.762,41 milhões entre a receita devida pela exportação de petróleo (que foi superior à programada em 8%) e a receita efectivamente recebida na Conta Única do Tesouro. O que explica o baixo nível de execução orçamental, o qual aponta para uma execução orçamental de apenas 17% da receita total na ópticado compromisso. A execução da receita corrente ficou-se por 12%. Também a despesa corrente apresenta um baixo nível de execução (16%), registando-se, no período, na perspectiva do balanço, um défice da ordem de Kz 268.036 milhões (equivalente a USD 2,7 mil milhões), reflexo da não convergência inter-temporal da receita face ao volume da despesa, o qual deverá vir a ser neutralizado nos trimestres seguintes pela recuperação da receita.

Inflação desce

Quanto à inflação, o Executivo mantém a sua estimativa de que descerá para 10% este ano, o que parece cada vez mais viável atendendo à clara desaceleração verificada na variação mensal dos preços. A meta fixada (10%) será aliás adoptada no ajustamento salarial a efectuar na função pública. Em Março, refere o documento do Governo, a inflação mensal situou-se em 0,6%, abaixo da verificada no mês anterior (0,69%) e do mês homólogo de 2011 (0,78%), sinalizando um crescente aumento dos níveis de confiança e alinhamento de expectativas positivas em torno do desempenho da economia. O FMI é menos optimista quanto à evolução dos preços, apontando para que a inflação se situe este ano em 11,1%, admitindo entretanto que, no próximo, deverá descer abaixo das duas casas decimais (8,3%). Refira-se, no plano monetário, que os meios de pagamento contraíram 1,3% no primeiro trimestre deste ano e que a Base Monetária contraiu 14,97%, reflectindo a retirada do excesso de liquidez e a compatibilização com o nível de desempenho da despesa fiscal no trimestre.

O Executivo admite que persistem, no entanto, algumas imperfeições estruturais que se espera venham a ser gradualmente eliminadas pela crescente diversificação e alargamento do produto não petrolífero, assim como pela melhoria do ambiente de negócios. O crédito à economia subiu apenas 3,99%, tendo diminuído o crédito concedido em moeda estrangeira e aumentado o crédito concedido em moeda nacional.

De salientar ainda a estabilidade da taxa de câmbio ao longo do primeiro trimestre, sendo que a mesma se situou no patamar dos Kz 96 por dólar norte-americano.

A estabilidade cambial contribuiu decisivamente para que o ‘spread’ da taxa de câmbio entre o merca- do formal e informal se estreitasse no período para 3,97%, valor que compara com os 5,85% verificados no trimestre anterior.

Luís Faria
23 de Maio de 2012
11:15
 
0
 

Comentários

Nome

E-Mail

Comentário


Enviar Comentário
 

Newsletter



Subscreva tambem a newsletter da Exame

Capas da edição nº 235

 
 
 
Assine OPaís Online