ecretária do Estado para o Desenvolvimento Rural, Filomena Delgado, foi o rosto indigitado pelo executivo chefiado pelo Presidente José Eduardo dos Santos para acompanhar a concepção e construção do projecto da nova aldeia de Caxicane.Em conversa com O PAÍS, a responsável explicou que “ a crise afectou porque o projecto ficou parado durante um ano e meio, apenas no primeiro trimestre do ano passado é que se deu um impulso muito grande”.
Amanhã, 25 de Maio, haverá uma inauguração global que vai representar as 271 casas e outros serviços. Sobre a segunda fase, Filomena Delgado disse que “agora vai ser mais fácil, mas primeiro vai-se terminar a primeira fase dos serviços rurais. Faltam ainda 23 casas para serem concluídas. Depois parte-se para segunda fase, mas, segundo o empreiteiro isso vai levar mais 45 dias a dois meses para poder arrancar”. Segundo a secretaria de Estado, vaise alargar até 200 casas para transferir o resto da população que falta, porque nesta primeira fase será 209 famílias que vão entrar, mais os professores, trabalhadores dos centros infantil e de saúde.
Os beneficiários acordaram pagar mensalmente pelas residências, de forma simbólica, o equivalente a três mil kwanzas, que reverterão a favor do Estado. É tida como a primeira aldeia onde a população tem acesso à energia e água potável, quebrando assim as diferenças entre o urbano e o rural, segundo a responsável.
“Vão pagar durante muito porque fizemos um contrato em que eles não podem alienar as casas. Isso vai passar de pais para filhos. A continuação de cada geração da família vai assumir também a continuidade dos pagamentos”, elucidou a governante, acrescentando que “depois vamos rever assim que o Estado cobrir pelo menos 50 por cento dos gastos”.
Filomena Delgado afirmou ainda que estão a colocar também outras componentes como o empreendedorismo, através de lojas e outros serviços comerciais, assim como uma área turística. A primazia será para os locais, numa população maioritariamente camponesa que virá nascer recentemente uma associação vocacionada para a agricultura.
“A filosofia do projecto é a mesma. É uma forma de fixar as pessoas e fazer com que os serviços estejam próximos delas”, garantiu a secretária do Estado para o Desenvolvimento Rural, lembrando que “o nosso objectivo cimeiro é que as aldeias tenham um desenvolvimento endógeno, onde o principal autor é o morador, mas também parcerias com autoridades privadas que se querem fixar no local com a entrada do programa de comércio rural”.