Um médico paquistanês que ajudou a CIA a encontrar Osama Bin Laden foi condenado a 30 anos de cadeia, indicaram hoje fontes oficiais paquistanesas.
Shakil Afridi estava acusado de traição por ter fingido levar a cabo um programa de vacinação junto dos filhos do ex-líder da Al-Qaeda no complexo onde todos moravam, em Abbottabad, a fim de recolher amostras de ADN que provassem tratar-se do clã Bin Laden.
O Paquistão insiste que qualquer outro país teria feito o mesmo se descobrisse que um dos seus cidadãos estava a trabalhar como espião para uma nação estrangeira.
Shakil Afridi foi condenado pelo sistema de justiça tribal do distrito de Khyber. Além da pena de prisão ficou obrigado ao pagamento de uma multa no valor de 3500 dólares.
Se não pagar este valor a sua pena de prisão poderá aumentar em mais três anos.
Afridi não esteve presente no seu próprio julgamento e não pôde, por isso, dar a sua versão dos acontecimentos. A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, tinha pedido a libertação do médico, alegando que ele serviu quer os interesses americanos quer os interesses paquistaneses.
O secretário da Defesa dos EUA, Leon Panetta, disse por seu lado que este tipo de acção contra alguém que ajudava a combater o terrorismo é “um erro”.
Bin Laden foi morto por uma unidade de elite das forças armadas americanas em Maio do ano passado. O acontecimento abriu uma frente de conflito entre os EUA e ao Paquistão, que viu esta acção como uma violação da sua soberania.
O correspondente da BBC no Paquistão, Aleem Maqbool, nota que muitos observadores exteriores começam a ficar preocupados com o facto de, até ao momento, a maioria das pessoas detidas no âmbito da operação contra Bin Laden estariam a tentar capturá-lo e não a ajudá-lo. Não é claro se Shakil Afridi estaria a par do alvo da investigação quando a CIA o recrutou.