| info@opais.net
Muito nublado
Luanda
Clique para aceder á Revista
RSS

Diferendo

Ceptismo face ao acordo prometido sobre nuclear do Irão

O anúncio do director-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Yukiya Amano, de que estará perto um acordo sobre o programa nuclear do Irão, foi recebido com cepticismo em Israel e em Washington.

Yukiya Amano anunciou estes progressos diplomáticos esta terça-feira, no regresso a Viena, após uma visita a Teerão para dialogar com Saeed Jalili, chefe dos negociadores iranianos para a questão nuclear, na véspera da reabertura de negociações em Bagdad do Grupo dos Seis (cinco países mais o Irão).

Amano acrescentou que o acordo deverá ser assinado “em breve”, apesar de persistirem diferenças “nalguns detalhes”. Mas “as diferenças não são um obstáculo”, terá dito Jalili. “O importante é que tive a oportunidade de conversar directamente com os dirigentes iranianos e que agora nos compreendemos melhor”, concluiu Amano.

“Da última vez, disse: ‘houve progressos’. Agora digo:’houve uma decisão’”, declarou Amano, citado pela AFP. Mas não se conhecem ainda grandes pormenores sobre o acordo, apenas que deverá facilitar o trabalho de investigação sobre as actividades nucleares do Irão, que a República Islâmica nega ter aplicações militares. Mas a fronteira entre os usos militares e civis da energia atómica é ténue. O Irão tem progredido na sua tecnologia nuclear nos últimos anos.

Actualmente, consegue enriquecer o urânio até 20%. Ainda está distante do nível de 90% de pureza necessário para fabricar armas nucleares, mas está a aproximar-se cada vez mais.

De Israel, onde existe um lobby que defende a necessidade de atacar o Irão para impedir o desenvolvimento da tecnologia nuclear, vieram críticas ferozes às palavras de Amano: “O Irão tem demonstrado ao longo dos anos a sua falta de credibilidade, a sua desonestidade. Temos de suspeitar sempre e examinar o acordo que está a ser formulado”, disse o ministro da Defesa Civil Matan Vilnai, citado pela Reuters.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tinha dito na segunda-feira que “as principais nações do mundo devem demonstrar força e clareza, e não fraqueza”, nas suas relações com o Irão. Netanyahu exige que o Irão ponha termo a todas as actividades de enriquecimento de urânio, retire todo o combustível enriquecido das centrais e desmonte as suas instalações nucleares subterrâneas, construídas como um bunker perto da cidade de Qom.

Dos Estados Unidos, as reacções são também pouco entusiastas. “A AIEA parece satisfeita por ceder ao Irão, mais uma vez, em troca de promessas falsas”, afirmou, em comunicado, Leana RosLehtinen, presidente da Comissão de Negóciosda Câmara de Representantes do Congresso.

O Presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, desloca-se em Junho à China, onde vai estar presente numa reunião regional de segurança, para discutir com o seu homólogo chinês, Hu Jintao, o programa nuclear iraniano.

Ahmadinejad vai estar presente numa reunião da Organização de Cooperação de Xangai, organizada por Pequim no próximo mês, disse nesta quarta-feira aos jornalistas o vice-ministro chinês das Relações
Exteriores, Cheng Guoping, citado pela Reuters.

A Organização de Cooperação de Xangai é um fórum de segurança regional que reúne a China, a Rússia, o Cazaquistão, a Quirguízia, o Tajiquistão e o Uzbequistão – o Irão vai assistir como observador. “Certamente, durante a sua reunião com o Presidente Hu, o tema do nuclear iraniano será uma parte importante das conversações”, afirmou o vice-ministro chinês, em conferência de imprensa.

A visita de Ahmadinejad à China adquire especial importância já que Pequim é membro permanente, com direito de veto, do Conselho de Segurança das Nações Unidas e resistiu aos pedidos dos Estados Unidos para aplicar sanções ao Irão.

25 de Maio de 2012
14:48
 
0
 

Comentários

Nome

E-Mail

Comentário


Enviar Comentário
 

Newsletter



Subscreva tambem a newsletter da Exame

Capas da edição nº 235

 
 
 
Assine OPaís Online