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Países do euro vão ter de fazer planos de contigência para possível saída da Grécia

Os países da zona euro vão ter agora de preparar planos de contingência para uma possível saída da Grécia, noticiou a Reuters algumas horas depois de o ex-primeiro-ministro grego Lucas Papademos ter dito que não se podia excluir que houvesse já preparativos para uma possível saída do seu país da moeda única europeia.

A agência de informação britânica cita três fontes da zona euro, que não identifica, segundo as quais na segunda-feira foi alcançado um acordo nesse sentido entre responsáveis dos vários países, e cita o memorando elaborado por um dos Estados do euro onde são detalhados alguns dos elementos que os países da zona euro devem considerar.

O palco desta decisão foi o Grupo de Trabalho do Eurogrupo, que reúne responsáveis (sobretudo vice-ministros e altos-funcionários das Finanças) que preparam as reuniões dos ministros das Finanças dos 17 países que fazem parte da moeda única europeia. Na segunda-feira à tarde, numa reunião por video-conferência que durou uma hora, avançaram a necessidade de planear um cenário que se tem vindo a colocar como bastante possível após as eleições legislativas na Grécia no dia 6, onde os partidos que apoiam o programa da troika perderam a maioria.“O Grupo de Trabalho do Euro-grupo concordou que cada país da zona euro deve preparar um plano de contingência, individualmente, para as potenciais consequências de uma saída da Grécia da zona euro”, disse um responsável da zona euro familiarizado com o que foi discutido no encontro, citado pela Reuters sob anonimato. “Até agora, não havia nada preparado na zona euro, devido ao receio de fugas” de informação, explicou o mesmo responsável.

Papademos estima custos até um bilião de euros

Entretanto, vieram a público de-clarações do ex-primeiro-ministro grego Lucas Papademos, segundo o qual não se podia deixar se considerar a possibilidade de um possível abandono da zona euro pela Grécia, apesar de considerar pouco provável que o seu país acabe por deixar o euro.

“Apesar de tal cenário ser pouco provável e de não ser desejável nem para a Grécia nem para outros países, não se pode excluir que estejam em curso preparativos para conter as potenciais consequências de uma saída grega da zona euro”, disse a The Wall Street Journal.

E, na que foi a sua primeira entrevista depois de deixar de ser primeiro-ministro, advertiu para as consequências económicas “catastróficas” para a Grécia e de grande alcance para o resto da zona euro, que segundo disse são a razão de alguns estados estarem já a considerar planos contingência para lidar com os efeitos negativos da saída grega – declarações feitas ontem, depois da decisão do Grupo de Trabalho do Eurogrupo, e antes de ter sido noticiada hoje pela Reuters.

Papademos, um tecnocrata não eleito que foi vice-presidente do BCE e governou a Grécia nos meses que precederam as eleições deste mês, preveniu que tal acontecimento poderia afectar também países exteriores à zona euro.

As suas estimativas colocam o custo de uma saída da Grécia do euro entre 500 mil milhões e um bilião (milhão de milhões) de euros, incluindo o impacto sobre os mercados, o efeito de contágio e as perdas para a economia.

25 de Maio de 2012
15:01
 
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