O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou a primeira revisão em Angola após o programa Stand-By, onde são reconhecidos os progressos alcançados no decurso da aplicação do programa nos últimos três anos: Angola apresenta hoje uma situação fiscal mais equilibrada; um nível de reservas internacionais mais favorável; verifica-se um cenário de estabilidade cambial; e uma taxa de inflação em trajectória descendente. O FMI reconhece que a situação dos pagamentos atrasados foi resolvida.
Em 2012, o Fundo espera que o ritmo da actividade económica acelere, reflectindo o aumento da produção petrolífera e o maior dinamismo de outros sectores, reflectindo uma maior incidência do investimento público. Assim, o FMI prevê que em 2012 o PIB cresce cerca de 8% em termos reais. Apesar do desempenho económico positivo, o FMI elenca três desafios para as autoridades angolanas.
Primeiro, a necessidade de reforçar os mecanismos em termos de política fiscal que permitam gerir as receitas petrolíferas de modo a diminuir a vulnerabilidade da economia a oscilações do preço desta commodity nos mercados internacionais.
Segundo, as autoridades angolanas tomaram medidas para promover a utilização de bancos locais por parte das empresas petrolíferas nas suas operações financeiras, que actualmente ocorrem offshore. Esta medida irá aumentar a actividade de intermediação financeira local, o que irá fomentar a competitividade do sector e dar lugar à inovação financeira. Porém, também dará lugar a um rápido crescimento de actividade que poderá ser um desafio para a capacidade do sistema financeiro. Como tal, o FMI sublinha a necessidade de fortalecimento da regulação e supervisão.
Finalmente, mantém-se o desafio da diversificação da economia. Para tal, o FMI realça a necessidade de apostar na requalificação das infraestruturas, promover a estabilidade de preços e contribuir para promover o clima de negócios e aumentar a participação da iniciativa privada.
O FMI não esquece de referir os riscos que permanecem no horizonte internacional e que poderão afectar a actividade em Angola. Nomeadamente, a necessidade de desalavancagem em vários países poderá afectar a procura internacional dirigida a Angola, afectando as exportações do país. Mais, o clima de maior aversão ao risco, poderá reduzir a propensão ao investimento por parte de outros países, reduzindo a iniciativa de investimento estrangeiro em Angola.