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Cinema

Homens de Negro, capítulo 3

O primeiro filme da saga foi premiado com um Óscar na categoria melhor caracterização o que fez justiça ao excelente trabalho de Rick Baker. Mas foi sobretudo consagrado pela adesão do público e, sem dúvida, mereceu-o. Abordava com muito humor e criatividade as teorias da conspiração e as múltiplas ameaças alienígenas que Hollywood porfia em inventar na expectativa de assegurar facturação nas bilheteiras. Rememoremos então o filme inaugural da popular série Homens de Negro – Men in Black e a razão porque ganhou indefectíveis adeptos. Em 1997, o realizador Barry Sonnefeld transpunha para a tela, com base no argumento escrito por Ed Solomon, e sob a égide da Columbia Pictures, uma série da banda desenhada da autoria de Lowell Cunningham, a qual, publicada originalmente pela Aircel Comics, que posteriormente comprada pela Malibu Comics e acabou por apresentar o selo prestigiante da Marvel.

A aventura narrada gira em torno das atribulações do agente K (Kevin), incarnado por Tommy Lee Jones, um dos fundadores da organização secreta MIB, cuja missão é investigar as actividades de alienígenas na Terra, e do agente J (James Edwards), papel confiado a Will Smith, um antigo polícia que se junta a K na sua missão de desmascarar e desmontar um possível ataque de extraterrestres. À qualidade superior da caracterização e dos efeitos especiais o filme de Sonnefeld associa uma divertida narrativa, muito bem interpretada e cheia de ‘nonsense’ imprevisível, que cobre de ridículo alguns dos lugares mais comuns nas intrigas urdidas em torno de esquisitas ameaças à espécie humana. Como a produção orçou USD 90 milhões e a receita de bilheteira mais que a sextuplicou (atingiu os USD 587 milhões) tornou-se inevitável uma sequela. Assim, em 2002, Homens de Negro 2 apenas cumpriu preguiçosamente a função de procurar tirar partido do sucesso do filme original. E, talvez por isso mesmo, nesta terceira edição de Homens de Negro, Barry Sonnefeld ponha Will Smith a encetar uma viagem ao passado, empreendendo, por assim dizer, um regresso às origens, a pretexto da morte de um tal Josh Brolin, em 1969, que virá a ser Tommy Lee Jones em 2012.

Tudo porque Boris, um extraterrestre que consegue escapar da sua prisão lunar, recorre à capacidade de viajar no tempo para se vingar do agente K (Tommy Lee Jones), que o prendeu há mais de quatro décadas, matando-o antes de ele o prender, fazendo desaparecer assim todo o precioso contributo de K na luta contra as ameaças extraterrestres. Homens de Negro 3, a pretexto deste argumento improvável, revisita assim os ‘sixties’ recriando, com muito humor e gags bem conseguidos, a atmosfera e algumas figuras que matizaram a época. Sem atingir o brilho do filme original mas uns bons pontos acima do segundo episódio da saga, este Homens de Negro 3 (que funciona, afinal, mais como uma prequela que como uma sequela) consegue mesmo apontamentos deliciosos, como é o caso da conversão da Factory (A Fábrica) de Andy Warhol num clube nocturno para alienígenas.

A Fábrica, um estúdio de arte fundado pelo célebre artista pop, em Nova Iorque, na década de sessenta (1963 – 1968), celebrizouse pelas suas festas extravagantes, frequentadas por personalidades famosas. O extraterrestre que antecipa as diferentes hipóteses de futuro, antes de o destino optar por uma delas, constitui outra das ‘pérolas’ destes Homens de Negro 3. Se o sucesso de MIB sempre assentou largamente no entrosamento praticamente perfeito entre Tommy Lee Jones e Will Smith, a ‘química interpretativa’ estende-se agora a Josh Brolin no papel de jovem agente K. Smith e Brolin dão-se, com efeito, às mil maravilhas. Emma Thompson, essa, permanece uma personagem cativante.


Luís Faria
6 de Junho de 2012
15:38
 
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