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Eleições

Primeira-dama de França trai Ségolène Royal

A primeira-dama de França entrou esta terça-feira na campanha para as eleições legislativas, com uma incursão que mistura política com vida privada – declarou apoio ao adversário na corrida para o Parlamento de Ségolène Royal, a anterior mulher do Presidente da República, François Hollande.

O “tweet” teve o efeito de uma bomba: em poucas palavras, Valérie Trierweiler toma o partido de Olivier Falorni, um socialista dissidente que foi segundo classificado na primeira volta das legislativas em La Rochelle, no oeste do país, e pode impedir a eleição de Ségolène na segunda volta, com o apoio implícito da extrema- direita. Ao mesmo tempo que o Parti- do Socialista e o próprio Presidente se empenhavam publicamente no apoio a Ségolène – candidata à chefia do Estado derrotada por Nicolas Sarkozy em 2007 – Trierweiler escreveu: “Força Olivier Falorni, que não merecia, que se bate ao lado dos rocheleses há anos, desinteressadamente”.

A tomada de posição contra a mulher que, durante 30 anos, foi a companheira de Hollande e é a mãe dos seus quatro filhos pareceu tão inacreditável que o círculo próximo da líder do partido, Martine Aubry, pensou inicialmente que fosse falsa. Depois, o “tweet” suscitou reacções indigna- das de vozes de esquerda. “Elegemos François Hollande, não Valérie Trierweiler: porque é que ela se está a meter?”, reagiu Jean-Louis Bianco, um deputado socialista próximo de Ségolène Royal. “São coisas que não se fazem.

Não se trata de independência. É um golpe indecente. Royal é a mãe dos quatro filhos de Hollande. Que Valérie Trierweiler não o esqueça”, disse o deputado verde europeu Daniel Cohn-Bendit.

Trierweiler, 47 anos, tinha já surpreendido ao anunciar a vontade de continuar a ser jornalista, o que, segundo algumas opiniões, é incompatível com a condição de mulher do chefe de Estado. Antes e depois da eleição de Hollande, explicou que teria de recriar a função. “Primeira- dama é um segundo papel e há que aceitá-lo como tal”, disse.

Mas “não serei uma figura decorativa”, acrescentou. Com a “punhalada” em Ségolène Royal, Valérie Trierweiler fez o que se afigura como uma transgressão:saiu da reserva a que se remetem as primeiras-damas – um termo que considera desactualizado – e irrompeu no campo político. A direita viu no episódio uma dá-diva. “A comédia chegou ao Eliseu”, comentou o deputado da UMP Eric Ciotti. “Esta manhã, a presidência ‘normal’ morreu definitivamente. A partir de agora é ‘Dallas’ no Eliseu”, disse Geoffroy Didier, um conselheiro regional, numa alusão à normalidade que François Hollande reclama para a sua presidência, em contraponto ao que considera ter sido o mandato do seu antecessor.

Olivier Falorni, que acusa Ségolène de ser uma “pára-quedista” em La Rochelle, com o objectivo de se conseguir chegar à presidência da Assembleia Nacional, e se recusou a renunciar à candidatura “saudou” a “bela mensagem de amizade, de apoio pessoal”.

Ségolène Royal, preterida na última corrida à Presidência da República, tinha, esta terça-feira, tornado pública uma mensagem escrita de apoio de Hollande. “É a única candidata da maioria presidencial que tem direito ao meu apoio”, declarou o Presidente.

17:55
 
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