Depois de 12 dias e 24 jogos chegámos à fase a eliminar do UEFA EURO 2012 e, para as oito equipas ainda em prova, a perspectiva de erguer a Taça Henri Delaunay Cup a 1 de Julho ficou um pouco mais perto. A Espanha, detentora do título, figura entre seis anteriores vence dores da competição, ao lado de Itália, Alemanha, França, Grécia e República Checa, ganhadora do torneio em 1976 ainda integrada na Checoslováquia. Gdansk recebe nesta sexta-feira o segundo encontro dos quartos-de-final entre a Alemanha e a Grécia, em que os pupilos de Joachim Löw vão procurar dar continuidade ao percurso incólume neste EURO.
Os alemães são a única formação 100 por cento vitoriosa na Polónia e na Ucrânia – e ganharam também todas as partidas na fase de qualificação –, mas a Grécia, treinada pelo português Fernando Santos, já antes causou surpresa. Poucos esperavam que conseguisse a vitória sobre a Rússia que lhe permitiu rumar à etapa seguinte, num triunfo por 10 que fez lembrar o êxito em que esteve pela última vez nesta fase, em 2004, quando arrecadou o troféu. Quando Espanha e França se defrontaram pela derradeira vez numa prova internacional, os “bleus” deram a volta e eliminar o adversário nos oitavos-de-final Campeonato do Mundo de 2006. Essa constituiu mesmo a última ocasião em que a selecção “roja” foi afastada numa fase a eliminar uma prova a este nível e a Espanha que vai entrar em campo diante da França, em Donetsk, amanhã sábado), é completamente difere depois das conquistas do Mundial do Europeu.
Os gauleses qualificaram-se apesar da derrota ante a Suécia, só que o apuramento algo nervoso da Espanha frente à Croácia poderá dar alguma esperança à selecção Laurent Blanc.
Por fim, os quartos-de-final fecham em Kiev, onde a Inglaterra vencedora do Grupo D, mede forças diante da Itália. Os ingleses nunca atingiram as meias-finais do EURO fora do seu país mas, após terem começado com baixas expectativas fizeram um excelente percurso na sequência de triunfos seguidos sobre Suécia e Ucrânia.
A prestação da Ucrânia no UEFA EURO 2012 terminou terça-feira, significando provavelmente o adeus de Andriy Shevchenko a fases finais de grandes torneios, mas o futuro da selecção ucraniana parece garantido. A Ucrânia entrou no Grupo D do UEFA EURO 2012 com o favoritismo a recair sobre França e Inglaterra e, apesar de os co-anfitriões não terem conseguido contrariar esse favoritismo e seguir para os quartos-de-final, não podem ser, de todo, acusados de não terem tentado tudo para o conseguir.
A selecção ucraniana praticou um futebol de ataque e, apesar de França e Inglaterra se terem mostrado demasiado fortes, depois da vitória sobre a Suécia no jogo de estreia, os adeptos não se sentirão minimamente defraudados com a actuação dos seus jogadores. A indisponibilidade de vários dos guarda-redes de maior reputação do país e uma lesão de Andriy Shevchenko na conclusão da fase de grupos enfraqueceu a selecção orientada por Oleh Blokhin, e talvez o maior problema tenha mesmo sido a falta de experiência da maior parte dos jogadores.
A Ucrânia dominou territorialmente a maior parte dos seus jogos, mas só no primeiro conseguiu marcar golos, em grande parte graças à excelente actuação de Serhiy Nazarenko. Mas ninguém foi capaz de tomar o seu lugar nos dois jogos que se seguiram e a Ucrânia viu-se limitada quase exclusivamente a ataques pelos flancos.
Os elementos mais jovens da equipa estiveram bem. Efectivamente, juntamente com Shevchenko, foram os mais jovens os menos criticados. Agora, depois de viverem esta preciosa experiência, jogadores como Yevhen Khacheridi, Yaroslav Rakitskiy, Yevhen Konoplyanka, Denys Garmash e Andriy Yarmolenko poderão afirmar-se como a espinha dorsal de uma equipa com potencial para ir mais longe do que foi a actual geração.
Khacheridi teve pela frente avançados como Zlatan Ibrahimović, Wayne Rooney e Karim Benzema e, apesar de a Ucrânia ter sofrido golos em todos os jogos, o defesa do FC Dynamo Kyiv não teve responsabilidade em nenhum deles. Aos 24 anos, idade jovem para um defesa, Khacheridi tem tempo suficiente para melhorar todos os atributos necessários para se afirmar como um dos melhores defesas centrais da Europa.
Garmash, médio-defensivo incansável, não actuou nos dois primeiros jogos mas, chamado ao “onze” no terceiro, frente à Inglaterra, não deu espaços a Steven Gerrard e, como resultado, a Ucrânia dominou o meio-campo.
Sete jogos disputados em Donetsk, nenhuma vitória somada. Sete disputados em Lviv, sete vitórias. Ucrânia-França: sete jogos, nenhuma vitória, quatro derrotas.
“Não estou, de todo, envergonhado com o que a equipa fez. Contamos com grandes promessas para o futuro.” Oleh Blokhin, seleccionador da Ucrânia, sobre a sua equipa após o encontro com a Inglaterra.
A selecção francesa vai ter à sua frente a actual campeã europeia e mundial nos quartos de final do Euro’2012, um adversário que Laurent Blanc reconhece ser... de peso.
Na ressaca da derrota com a Suécia (por 20), o seleccionador francês reconhece que a sua equipa podia ter feito melhor, mas que agora há que focar atenções no jogo do próximo sábado frente à Espanha. “Fomos batidos por uma boa equipa. Não foi o nosso melhor dia, mas a reacção foi boa. Já passámos a página. O pior foi o amarelo de Mexès [fica fora dos “quartos”], mas foi ele o responsável.
Era evitável. Quando alguém já tem um amarelo deve pensar nisso. Preferia ter os centrais habituais no jogo com Espanha e espero que Koscielny faça um bom jogo no seu lugar. Eles têm uma equipa muito ofensiva e vamos ter muito trabalho”, afirmou o técnico esta quarta-feira em conferência de imprensa.
E prosseguiu na sua análise: “Espanha não só joga bonito como é eficaz. Tem jogadores que dão garantias. São eficientes além de espectaculares. Tem uma base de jogadores que se conhece muito bem. Há que ter inteligência de jogo e seria um erro grave pensar que somos superiores a eles”.
A Suécia pode ter sido prematura mente afastada da prova, mas recebeu um forte incentivo moral com a notícia de que o seu capitão, Zlatan Ibrahimović, pretende continuar a representar a selecção. Uma semana decepcionante para os adeptos suecos terminou, ainda assim, com uma boa notícia, pois Zlatan Ibrahimović acabou com os receios que haviam quanto a um provável abandono da selecção. Contudo, tal não acontecerá para já, conforme o próprio confirmou logo na primeira pergunta que lhe fizeram na conferência de imprensa. “Sem dúvida”, respondeu.
A especulação era grande entre a Imprensa quando a Federação Sueca de Futebol (svFF) anunciou que, após o treino de domingo, se seguiria uma conferência de imprensa com Ibrahimović. Poderia ele ter-se sentido enfadado com a eliminação prematura do UEFA EURO 2012 e pretenderia abandonar a selecção?
A resposta veio de imediato e foi bem clara. “Ainda estou motivado”, disse Ibrahimović. “Quero muito mais e farei muito mais. O que se passou não foi nada positivo, mas o único efeito é que quero ainda mais”. O seu golo na primeira jornada tornou-o no melhor marcador de sempre da Suécia no Campeonato da Europa, tanto em fases finais como no total, mas, uma vez que antecedeu a recuperação da Ucrânia (derrota por 21) e novo desaire, por 32, com a Inglaterra, acabou por não contar para nada.