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Sérgio Pininfarina

Indústria perde mestre do design

‘Um carro não é apenas um meio de transporte’ era o lema de Sérgio Pininfarina, criador de alguns dos mais belos automóveis, sobretudo modelos da Ferrari.

O engenheiro italiano, que faleceu esta terça-feira aos 85 anos, era um génio visionário que criava os seus projectos como obras de arte, numa altura em que o mundo os via como simples meios de transporte.

Tornou-se, por isso, famoso no final da década de 50, algo que ele nunca imaginara, pois só queria ser como o pai, Battista Farina, que criou a empresa com nome de família em 1930, a Carrozzeria Pinin Farina. Queria apenas trabalhar na produção de carros, mas tinha jeito era para os desenhar.

Battista tinha, por isso, planos maiores para o filho e, depois de o incentivar a formar-se em engenharia industrial, usou o seu talento e visão inovadora para torná-lo no mais famoso Farina de sempre.

Não era fácil para Sérgio, sobretudo porque que o seu primo Giuseppe Farina era o primeiro campeão do mundo de Fórmula 1, mas Sérgio Farina distanciou-se até no nome, quando o pai colou a sua alcunha Pinin (cassule) a Farina para formar o nome da empresa, mais tarde adoptado pela família.

Sérgio não viveu tempos fáceis quando assumiu o comando da empresa, por indicação do pai, ao lado do cunhado Rezno Carli, em 1956. A ligação à Ferrari tinha sido estabelecida pelo seu pai, quatro anos antes, com reservas de Enzo Ferrari, que não queria trabalhar com Sérgio por achá-lo demasiado verde.

Em pouco tempo, Sérgio provou o contrário quando desfez queixas da Ferrari de que as carroçarias por si desenhadas eram muito pesadas, ao provar, certa vez, que só o chassis do cliente era mais pesado do que o carro completo.

Pininfarina trabalhou 40 anos para a Ferrari, assinando modelos super desportivos fabulosos, como o 288 GTO, o Testarossa, o F40, o Enzo ou o GranTurismo da afiliada Maserati, mas também criou modelos para a Fiat, Lancia, Alfa Romeo, Peugeot, Mitsubishi, Nash,  Rolls Royce.

Envolvia-se em tudo

O mago do design envolvia-se em todos os aspectos da indústria.

Criava os projectos, colaborava com os engenheiros e inspeccionava directamente a elaboração dos modelos.

Assumiu o lugar de presidente da empresa em 1966, quando Battista faleceu, e o menino que só queria ser como o pai expandiu o nome da família durante 50 anos A marca Pininfarina, está presente em mobiliário, indústria relojoeira, construção civil, aeronáutica, etc. A produção aumentou 10 mil por cento, ou seja, de 524 unidades por ano para 50 mil. A marca Pininfarina, está presente em mobiliário, indústria relojoeira, electrodomésticos, construção civil, aeronáutica, etc.

Pininfarina empenhou-se em causas nobres como a redução do buraco da camada de ozono, sendo dos primeiros a apoiar a redução das emissões produzidas pelo automóvel e a incentivar a poupança de combustível.

Voltou à Universidade Politécnica de Turim, nos anos 70, para dar aulas de design automóvel e, em 2005, foi nomeado senador vitalício pelo presidente italiano Carlo Azeglio Ciampi.

Agradeceu o título, mas não lhe encheu o ego, pois tudo o que pretendia era ver o filho seguir os seus passos na presidência da empresa, mas Andrea, que assumira o cargo em 2002, viria a falecer seis anos depois, num acidente de viação, deixando Sérgio Pininfarina irremediavelmente abalado.

Os tempos mudaram, após a tragédia veio a crise e a Pininfarina abandonou a produção automóvel, em 2011, mantendo em actividade as áreas de design, engenharia e investigação e desenvolvimento de carros eléctricos.

Os próximos sucessos do famoso estúdio de Turim serão certamente automóveis eléctricos como o Cambiano, considerado ‘a combinação perfeita de design, arte, tecnologia, que personifica o estilo italiano e o respeito pelo ambiente’.

O sedan coupé utiliza um motor eléctrico junto de cada roda, que disponibiliza no total 600Kw, atinge 275 Km/h e tem autonomia máxima de 800 km em andamento moderado.

(adaptação)


Júlio Sousa e Silva
12 de Julho de 2012
11:57
 
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