Há oito anos no Sangano, Rosa José Cafaya, 32, é natural do Porto Amboim. Ela conta que, no princípio, a vida era muito difícil e os turistas nem sequer ousavam parar ou entrar no bairro.
Apesar dessa contrariedade, Mana Rosa, como é carinhosamente tratada entre familiares, amigos e conhecidos, sempre se dedicou à venda de bebida. A vendedeira não esconde as desconfianças em torno do seu negócio, nos primeiros tempos, pois ninguém se atrevia a seguir-lhe o exemplo.
“Eu já teria desistido deste negócio, mas quando pensava nas minhas crianças, não havia outra escolha, porque o peixe só tinha de ser vendido no Cabo Ledo ou então em Luanda”, desabafou, revelando que, por causa disso, foi a primeira pessoa a se fixar próximo da estrada (em 2004) para atrair os viajantes a uma paragem de refrescamento.
Rosa Cafaya contou que a sua aventura terá influenciado os coordenadores a solicitarem a subida de toda população, mas não encontrou o efeito desejado por si, pois os primeiros viajantes que recebeu, no mesmo ano em que se fez à beira da estrada número 100, cobraram-lhe também comida confeccionada.
Esta e outras inquietações obrigaram a negociante e suas vizinhas a solicitarem um espaço para a constituição de pequenas vendas, um pedido que o coordenador adjunto do bairro confirmou ter obtido anuência dos órgãos superiores competentes. Mostrou a este jornal, a propósito, o espaço do futuro mercado do Sangano.
Trata-se de uma área localizada no lado oposto ao bairro, se se tiver como referência divisória a estrada que liga as províncias de Luanda e Kwanza Sul.
Referindo-se sobre a aflição que viveram durante um tempo considerável, quando se cogitava terem ocupado uma área do Governo, Rosa Cafaya relatou que, na ocasião em que as pessoas do bairro decidiram erguer casas definitivas, elementos identificados como fiscais, desencorajavam-nas, alegando que o local estava comtemplado como reserva fundiária do Estado. Nessa altura, conta, houve muitos populares que se retiraram do bairro.
“Quando ouviram que já se pode viver à vontade no Sangano, voltaram só para venderem os seus terrenos”, informou Rosa, tendo adiantado que a atitude das ex-vizinhas surpreendeu a todos na comunidade.
Como outros entrevistados deste semanário, Rosa Cafaya desconfia que a tranquilidade do bairro deveuse a alguma decisão do Governo da Província de Luanda (GPL).