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Política energética dos Estados Unidos vai revolucionar preços do petróleo

Durante os próximos oito anos, os Estados Unidos pretendem reduzir 50% das importações de petróleo do Médio Oriente. Em 2035, os líderes norte-americanos deverão fazer cessar todas as importações provenientes da região.  De acordo com especialistas, esta estratégia pode prejudicar a Rússia. A diminuição das importações de petróleo nos EUA vai baixar os preços de vários exportadores, incluindo a Rússia.

De acordo com as previsões do governo dos Estados Unidos, o país vai restringir importações do Oriente Médio, da África e da Europa. As exportações dos países da Opep cairá entre 1,6 milhões a 860 mil de barris por dia.

Investimento em tecnologia

A produção de petróleo nos EUA foi impulsionada por investimentos.

Segundo a Sociedade de Investigação em Energia IHS de Cambridge, 48% de todos os investimentos globais em produção de petróleo (cerca de USD 320 biliões) foram aplicados nos Estados Unidos e no Canadá. As novas tecnologias que reduziram o custo de extração também irão introduzir grandes mudanças na política energética.

‘Esperamos que o sector de transportes dos EUA (o principal consumidor de petróleo nacional) comece a consumir gás natural’, afirma o economista do Instituto de Estudos Energéticos de Oxford, Willy Olsen. ‘Os Estados Unidos e o Canadá têm reservas consideráveis de gás de xisto. Isso ajudará a desenvolver o sector de transportes nos EUA, uma das prioridades do presidente Obama’, acrescenta.

Segundo Olsen, desde o presidente americano Richard Nixon, todos os seus sucessores tentaram diminuir a dependência das importações de petróleo, ‘mas Obama tem pela primeira vez em quarenta anos uma oportunidade real de alcançar esse objectivo’.

‘Obama priorizou o desenvolvimento da produção nacional associado à redução da dependência de recursos energéticos importados’, explica o director do Instituto de Estimativas e Análise Estratégica Vagif Guséinov. ‘Também o controle da região do Médio Oriente como um mecanismo de pressão económica sobre os principais importadores de petróleo e presença da Marinha dos EUA nas principais rotas comerciais da Ásia’, adianta.

Os EUA aparentemente alcançaram um sucesso significativo com o seu programa de independência energética. ‘A tal chamada ‘revolução do xisto’ já está gerando um impacto significativo sobre o mercado global de gás. Os norte-americanos criaram um mercado de energia autônomo e não dependem dos preços flutuantes do cenário global’, afirma Guséinov.

Vencedores e perdedores

 Apesar da redução das importações de petróleo do Médio Oriente, o governo dos EUA declarou que a região continuará a constituir um dos focos da política externa do país.

Segundo o representante da seção de energia do Departamento de Estado dos EUA, Carlos Pascual, o país precisa de mercados mais estáveis. Atualmente, um barril de petróleo nos EUA custa cerca de USD 83, mas este preço pode cair até aos USD 65 em 2013.

Os exportadores de petróleo do Oriente Médio não perderão nada.

A procura por recursos energéticos está a aumentar tanto no Oriente Médio como na Ásia. A Arábia Saudita e o Kuwait estão a investir na construção de novas refinarias de petróleo, das quais os chineses se tornarão os principais consumidores.

‘No entanto, a redução significativa de cotações pode ser desastrosa para vários países, como o Irão, Venezuela e Rússia, que calculam os seus orçamentos baseando-se em preços do petróleo situados entre os USD 100 e USD 120 por barril’, conclui Guséinov.

(Iúlia Kalachíkhina, Vladímir Pavlov, RBC Daily)


(Iúlia Kalachíkhina, Vladímir Pavlov, RBC Daily)
18 de Julho de 2012
16:59
 
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