A museóloga Soraya Santos apelou aos agentes culturais e a sociedade para a observância dos critérios de educação patrimonial e de cidadania.
Preocupada com o futuro do referido espólio, a especialista, que também é directora do Museu Regional da Huíla, considera importante a análise desses conceitos com vista a determinar maior compreensão do assunto.
Recorrendo ao pensamento do estudioso Luís Custódio, Soraya Santos referiu que a valorização do património cultural depende, necessariamente, do seu conhecimento e sua preservação, e do orgulho que possuímos da nossa própria identidade.
Segundo a especialista, esta frase encerra duas grandes verdades no que diz respeito ao Património e à sua valorização e preservação. A seu ver, não se pode valorizar, preservar e divulgar o que não se conhece.
Acrescentou que “se não soubermos reconhecer na nossa História, nas nossas tradições, cultura, património edificado ou natural, as nossas raízes e identidade, não conseguiremos manter, preservar e transmitir às futuras gerações”.
No entender da especialista, a educação patrimonial é assumida como um recurso decisivo que contribuirá para a identificação, salvaguarda e preservação da identidade cultural e das memórias colectivas das comunidades contribuindo desta forma para a melhoria da qualidade de vida das populações.
Trata-se de um processo permanente e sistemático centrado no património cultural, como instrumento de afirmação da cidadania que tem como objectivo envolver a comunidade na gestão do Património, pelo qual ela também é responsável, levando-a a apropriar-se e a usufruir dos bens e valores que o constituem.
Nesta óptica, a educação patrimonial é tida como um trabalho permanente de envolvimento de todos os segmentos que compõem a comunidade, visando a preservação dos marcos e manifestações culturais e, principalmente, o fortalecimento da auto-estima das comunidades pelo reconhecimento e valorização da sua cultura.
Esse “auto despertar” motivado, tem como temática toda a produção cultural de uma comunidade ou grupo social, objectivando a promoção de uma mudança de percepção da realidade quotidiana, valorizando cada detalhe e elemento dos produtos culturais.
Por se tratar de um processo educacional, formal e não formal, a educação patrimonial usa situações e acções que provocam reacções, interesse, levantam questões e reflexões sobre o significado e valor dos acervos culturais e sua manutenção e preservação.
De acordo com Soraya Santos, o desenvolvimento desse sentimento de pertença nas comunidades permite a cumplicidade e legitimidade das acções em defesa da conservação e preservação do património cultural. Devendo ser entendida como um conjunto organizado de procedimentos e acções com o principal objectivo de valorizar as comunidades e toda a sua produção cultural.
Para a especialista, este é um processo de auto educação e sensibilização que visa despertar sentimentos e conhecimentos que fortalecerão o sentido de pertença e compreensão dos indivíduos como elementos de um grupo, sociedade, comunidade usando, para esse fim, o seu acervo cultural.
A escritora Cremilda de Lima avançou esta terça-feira que a continuidade da literatura infantil passa necessariamente pela criação de bases e incentivos visando o surgimento de novos autores.
A escritora admitiu que apesar de existir muito poucos escritores desta categoria no país, tais acções podem estimular talentos que andam a ser perdidos para a escrita.
Acrescentou que esta escassez de escritores que apostam na literatura infantil deve-se em parte à falta de conhecimento da matéria em questão, por não terem sido feitas reedições de livros de autores que tiverem um valor quase incomensurável para a literatura que podiam servir de apoio.
Lamentou o facto de não haver reedições de alguns autores como Rosalina Pombal e Gabriela Antunes, cujos livros deveriam ser reeditados e vendidos pelo país, o que não acontece.
Sugeriu de igual modo aos encarregados de educação a actuar como agentes destas actividades, comprando livros, lerem e despertarem nos seus filhos o interesse e gosto pela leitura, mas de uma forma agradável e não impondo.
A escritora disse existir já do Ministério da Educação, visando implementar no país, um plano nacional de literatura ao nível das escolas. Assegurou ainda que os professores vão, dentro deste plano, desenvolver actividades que permitam verificar se realmente as crianças lêem para que a literatura infantil continue a fazer parte do imaginário das crianças.