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Museu Cesária Évora

Herdeiros preocupados com silêncio do Governo

A demora do Governo em aceitar uma proposta para a transformação da casa de Cesária Évora num museu começa a desanimar os herdeiros da malograda “Diva dos Pés Descalços”.

Do Brasil, onde está a cursar Nutrição, Janete Évora, neta da falecida cantora, mostra-se preocupada com o silêncio do Palácio da Várzea em relação ao assunto e diz lamentar que a residência onde Cise passou os seus últimos anos de vida possa ser vendida a um particular.

 É que, se isso acontecer, Janete acha que Cabo Verde irá perder parte da rica história daquela que foi o símbolo da cultura destas ilhas atlânticas por este mundo fora.“A ideia da transformar a casa num museu partiu da família, com o apoio de Djô da Silva, porque achamos que seria uma óptima iniciativa.

Desde que a minha avó morreu que a sua campa e a casa não páram de receber visitas de turistas. Neste momento, a minha mãe reside nessa casa, mas ela é muito grande. Achamos que um museu teria uma melhor aplicação, até porque a história da Cesária é a história do povo cabo-verdiano”, enfatiza Janete Évora.

Segundo esta neta da cantora da morna e coladeira, a família está disposta a fornecer todo o material necessário para alimentar o museu, como as roupas que usava nos espectáculos e em casa, as jóias, os discos de ouro, de platina e os Grammys que ganhou ao longo da sua carreira, para que não fiquem esquecidos no fundo de um baú.

Adverte, no entanto, que os materiais continuariam a pertencer à família, a não ser que sejam adquiridos pelo Estado de Cabo Verde ou outra entidade. Segundo Janete Évora, em Janeiro deste ano, os herdeiros apresentaram ao Ministério da Cultura uma proposta para a venda do imóvel, mas a resposta ficou aquém do desejado.

Garante que, desde que recusaram a contra-proposta do Palácio da Várzea, no passado mês de Janeiro, o caso caiu num profundo silêncio. Um silêncio perturbador que, segundo Janete Évora, leva a família a pensar que, afinal, já não há interesse dos responsáveis da Cultura em manter viva a memória da Diva, através do museu Cesária Évora.

Mas, pelos vistos, as preocupações dos familiares da Cise parecem não ter fundamento. Abordado sobre o assunto, o ministro da cultura, Mário Lúcio Sousa, garantiu que o dossier está a ser tratado com “muito interesse e atenção” por parte do seu Ministério, em parceria com entidades públicas e privadas.

 Segundo Lúcio Sousa, a iniciativa da criação da casamuseu partiu do seu ministério, o que justifica o seu empenho para que o projecto seja concretizado “o mais rapidamente possível.”

Augusto Nunes
16:50
 
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