
As cores vermelha, preta e amarela, que predominavam nas redondezas do Condomínio Cajueiro, assim como no largo escolhido para o acto político de lançamento da campanha eleitoral do MPLA, não escondiam que se tratava de uma actividade do partido no poder. E aos poucos os militantes dos sete municípios de Luanda iam chegando para preencher o terreno preparado, onde os camaradas contavam, à partida, reunir perto de um milhão de militantes, na passada terça-feira, 31 de Julho. Icolo e Bengo. CAP 98. Kilamba Kiaxi. Vote 2= Vitória da Continuidade. Ca
zenga. Zango É Zedú. Eram algumas das centenas ou milhares de placas de identiicação dos Comités de Acção do Partido (CAP´s) e dos próprios comités municipais, enquanto os respectivos responsáveis com microfones e megafones indicavam aos militantes dos seus bairros os locais onde estariam concentrados. Toda esta operação ocorria ao som das músicas preparadas pelo MPLA para a sua campanha eleitoral, onde, para além dos cantores Matias Damásio, Puto Português, Bangão e outros, destacava-se, no momento, o refrão de um tema da autoria dos Irmãos Moniz e Beto de Almeida: “Falem, Falem só, o MPLA já ganhou. Vai vencer porque convenceu”.
Foi assim até à chegada do presidente do MPLA, José Eduardo dos Santos, que Damásio apresentou cantando como “o candidato do povo”. O slogan podia ser visto em quase todo o perímetro do local escolhido para abertura da campanha dos camaradas, principalmente numa enorme fotografia colocada por trás do palco, onde além do cabeça de lista às eleições constavam o vice-presidente do MPLA, Roberto de Almeida, o secretário-geral, Julião Mateus Paulo “Dino Matross”, membros do Bureau Político e do seu secretariado. Entre estes, destaque para Manuel Vicente, o número dois da lista, aspirante ao cargo de vice-presidente da República no Executivo a ser criado depois do pleito, em caso de vitória do partido maioritário. E foi com a certeza na vitória que o cabeça de lista, José Eduardo dos Santos, vestido com as cores tradicionais do partido que dirige, à semelhança daqueles que o ladeavam, abriu as hostilidades: “vamos começar uma nova etapa que nos levará à vitória eleitoral”. Mas, antes
de apresentar os trunfos que poderão levar o seu partido a conquistar o primeiro lugar nas urnas no final deste mês, o líder do MPLA preferiu recuar no tempo para mostrar à nova geração sobre o percurso efectuado até ao presente momento em que o seu partido propõe aos angolanos “Crescer Mais e Distribuir Melhor”. Recuou até 1956, momento em que foi fundado o MPLA que dirigiu o início da luta armada em 1961, culminando com a Independência de Angola em 1975, proclamada pelo primeiro presidente, António Agostinho Neto. “Apesar de várias potências terem organizado agressões externas com o objectivo de afastar o MPLA do poder”, lembrou José Eduardo dos Santos. A retrospectiva passou igualmente pelos Acordos de Nova York, em 2008, que se traduziu numa maior segurança na África Austral, consequentemente a independência da vizinha Namíbia e o fim do apartheid na África do Sul.
Em 1992, referiu José Eduardo dos Santos, candidato às presidências neste ano pelo MPLA, apesar dos resultados divulgados nestas eleições primeiras eleições que considerou “livres e democráticas”, alguns “esconderam as armas, decidiram afastar o MPLA pela força e impor uma ditadura, mas o bom povo de Angola não deixou”. “Mesmo aqueles que diziam que iam reduzir Angola a pó não conseguiram realizar os seus intentos”, relembrou o cabeça de lista dos camaradas, avançando que “Angola não só não foi reduzida a pó, como se tornou mais forte, mais vigorosa, mais capaz para enfrentar novas batalhas”. A viagem ao passado terminou em 2002, ano em que foram assinados os Acordos de Paz entre as Forças Armadas Angolanas (FAA) e o braço militar da UNITA. O fim do conflito armado proporcionou a reconciliação e os passos para a reconstrução nacional. Em clima de animação e
euforia, o presidente do MPLA lembra que isso foi há 10 anos, “na altura o país contava com mais de 10 milhões de deslocados que viviam em tendas, casebres e dependiam da ajuda internacional, como do Programa Alimentar Mundial (PAM)”.
Havia ainda mais de 150 mil desmobilizados de guerra para serem reinseridos, assim como mais de 300 mil refugiados. Tudo acontecia com um país completamente destruído, estradas, pontes, linhas de transporte, hospitais, escolas, sofrimento, desolação, fome e miséria, especifica a seguir. “Por onde começar?”, recorda Eduardo dos Santos. “Tantos eram os problemas, imensos e complexos. Aonde deveríamos começar? A opção foi tratar daqueles que mais foram sinistrados”.
O ponto de partida foi reassentar os deslocados nas suas áreas de origem, formar os ex-militares e apostar no regresso dos refugiados. Quatro anos depois das eleições de 2008, José Eduardo dos Santos apela ao voto no seu partido, que considera esclarecido porque consegue resolver os anseios do povo angolano. Exemplificando, o cabeça-de-lista do MPLA regozijou-se dizendo que “hoje ninguém pode negar que há mais circulação de pessoas e bens, água tratada, energia, centros de saúde, hospitais, escolas e estabelecimentos de ensino superior”. O orador lembrou que quando o seu Executivo dizia que faria uma faculdade em cada província muitos duvidavam. O mesmo aconteceu em relação ao caminho-de-ferro, que viu as ligações Luanda-Malange, Benguela-Moxico e Namibe-Kuando-Kubango restabelecidas, algumas das quais encerradas há mais de 30 anos. “Tomámos as decisões certas. Fazemos promessas e cumprimos a maior parte delas”, assegurou Eduardo dos Santos. Não obstante a sua convicção, o candidato do MPLA reconheceu que a população também cresceu muito, razão pela qual a produção de alguns bens e serviços não foi suficiente para atender às necessidades da população. Com a reconstrução nacional a chegar ao fim, segundo o líder do partido do Governo, a prioridade agora é melhorar as condições de vida dos angolanos. Os esforços empreendidos para a reconstrução das pontes, estradas e outras obras serão agora despendidos para a melhoria da vida das pessoas.
O secretário para os Assuntos Políticos e Eleitorais do MPLA, Jú Martins, é de opinião que a campanha do seu partido servirá para criar uma relação de empatia do seu partido com os vários segmentos da sociedade, tendo em conta aquela que são as promessas da formação política a que pertence. O político realçou ainda que o seu partido tem capacidade de concretizar tudo aquilo que propõe,algo que, segundo o nosso interlocutor, ficou patente nas afirmações do presidente do MPLA e candidato a Presidente da República, José Eduardo dos Santos. Jú Martins explicou que o acto de lançamento estava a ser feito em simultâneo em todas as capitais de províncias no país e visava mostrar que “o compromisso com o povo deve ser confirmado nas urnas no dia 31 de Agosto”.
“É indiscutível que o MPLA é o partido que tem a maior capacidade de mobilização em Angola. É o maior partido de Angola, um dos maiores de África e quiçá do mundo, tem mais de cinco milhões de membros e é natural que consiga mobilizar e ter à sua volta todas as sinergias e todas as capacidades de mobilidade dos vários segmentos da população aqui representadas por todos os municípios de Luanda”, garantiu o secretário para os Assuntos Políticos dos camaradas.
Peremptório, o dirigente não acredita que as outras forças políticas tenham a mesma capacidade de fazer e muito menos em simultâneo em todas as capitais provinciais. De acordo com Jú Martins, o que eles pretendiam não é somente reunir no local um milhão de pessoas, mas sim conseguir mais de seis milhões de votos no dia 31 de Agosto. Estão registados para o pleito deste mês cerca de nove milhões de eleitores.