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Porto: “Desenvolvimento da África Austral passa por aqui”

No último ano, o porto do Lobito quase duplicou o volume de cargas movimentado em 2007. Está, neste momento, a escoar navios que estavam destinados a Luanda e prepara vôos rasgados, pois, no termo do processo de modernização por que passa, aumentará a capacidade de manuseamento para 700.000 mil TEUs e 11.650.000 toneladas.

O seu directorgeral, José Carlos Gomes, salienta, nesta entrevista, que o porto irá reforçar as suas funções turísticas (acostagem de barcos cruzeiros de luxo, construção de um clube de proprietários de iates) e industriais (terminais de petróleo e de cimento); refere, ainda, o novo porto de pesca, o cais de minérios, o interface com o Caminho de Ferro de Benguela e, numa palavra, a importância estratégica do porto do Lobito para o desenvolvimento da África Austral.

O porto do Lobito vem registando, nas últimas semanas, um maior movimento no que toca à atracagem de navios, estando a receber entre 15 a 17 barcos que deveriam descarregar as mercadorias no porto de Luanda. Como decorrem os trabalhos fase a essa situação? O porto do Lobito, devido sobretudo à sua posição estratégica, constitui uma rectaguarda segura do porto de Luanda.

De facto a situação que se regista hoje a nível do porto de Luanda pode e está a ser aliviada pelo porto do Lobito. Estamos agora à espera de receber 16 barcos contentorizados. Estamos a criar condições para que tudo decorra sem constrangimentos. Temos estado a trabalhar dentro da normalidade.

O porto do Lobito está em obras, encontramo-nos numa fase de modernização, mas podemos afirmar, com segurança, que estamos à altura das exigências do momento, vamos corresponder.


Quer dizer que o Porto do Lobito mantém o mesmo nivel de operacionalidade, mesmo estando a receber mais 17 navios por mês?

É importante explicar que os 17 barcos são os que não se incluem dentro das nossas linhas de navegação. Temos as nossas linhas de linhas de navegação que são, entre outras, a NDS a MAESRK . Também é importante dizer que o nosso porto, devido à sua situação geográfica, possui um cais acostável destinado à navegação de longo curso, composto por dois troços em forma de “L” , encontrando-se fraccionados em Cais Norte, que circunscreve 570 metros, e Cais Sul com 552 metros.

A este está apenso o cais de cabotagem com 150 metros de comprimento. Portanto, pelos dados que acabo de dar, facilmente se pode concluir que esta nova situação de mais 17 barcos é um movimento que vai ser bem gerido tendo em conta as dimensões do porto.

Ele tem capacidade de atracação para seis navios de uma só vez e, se houver que fazer contas, num prazo de duas a três semanas, já não temos navios para descarregar. Do ponto de vista operacional, a nossa instituição vai manter a mesma funcionalidade que vinha registando até começarmos a receber os navios provenientes do porto de Luanda.


Como decorre o projecto de ampliação e modernização do porto Lobito?

Decorre a bom ritmo e é um projecto que vai certamente potenciar o porto na perspectiva do aumento do nível de cargas quando o Caminho de Ferro de Benguela arrancar.

O Governo de Angola gizou o projecto de modernização e ampliação do porto do Lobito, que teve início em Março de 2008, com a reabilitação do cais existente, a pavimentação de parte do terrapleno e a substituição dos carris nos cais de intervenção.

Os trabalhos de modernização e extensão estão a cargo da empreiteira chinesa CHEC “China Horbour Engineering Company”.


Como está faseado o projecto e quando termina?

O projecto de ampliação está subdivido em cinco partes e teve inicio com a construção do terminal mineiro, sendo que o seu termo está previsto para Outubro de 2010. A primeira etapa de intervenção portuária compreende trabalhos de reabilitação do cais existente, com 1122 metros de comprimento.

Após a sua conclusão, o ancoradouro do porto será mais seguro para receber navios e a capacidade de manuseamento anual de mercadorias aumentará para 400 mil toneladas. Na segunda etapa, uma ancoragem de 414 metros de comprimento, no Cais Sul, aumentará a capacidade para 700 mil contentores.

Com a conclusão desta fase, o porto do Lobito atingirá uma capacidade anual de circulação total de de 200 mil TEUs (um TEU equivale a um contentor de 20 pés), e 2.850.000.

Depois de concluidos os trabalhos no cais de escoamento de contentores, que terá uma profundidade de 14,7 metros e num outro cais de minérios com 15,3 metros de profundidade, o movimento anual dessas duas ancoragens vai aumentar a capacidade para 300 mil TEUs.

A terceira fase das obras compreende trabalhos de actualização dos cais existentes. Após estarem concluídos, os fundeadouros serão reabilitados para receber navios de grande porte e a circulação de mercadorias aumentará para um milhão de toneladas.

A quarta fase compreende as obras de ampliação da segunda etapa, incluindo a construção de um terminal de contentores e para minérios, o qual, depois de concluido, aumentará a circulação de mercadorias contentorizadas e o volume de cargas para 700.000 mil TEUs e 11.650.000 toneladas. A quinta fase está reservada à criação de uma linha de costa de 1.200 metros de comprimento, à construção de uma ancoragem para navios cruzeiros de luxo e ainda à construção de um clube de proprietários de iates, o que tornará o Lobito, cada vez mais, um destino turístico de referência.

Ainda no âmbito do projecto de extensão e modernização do porto do Lobito, existem várias intevenções ao longo da linha da costa industrial, onde serão construidos, um terminal de petróleo, um de cimento e um porto de pesca.

O comprimento total da linha industrial é de 7,8 quilómetros, permitindo, após a conclusão dos trabalhos, a atracação simultânea de 20 navios.


Para quando a conclusão das obras no porto mineiro?

A nossa previsão é que, até ao final do mês de Novembro, tenhamos os trabalhos concluídos. Das obras que se encontram em curso no porto do Lobito, 75 terminam no mês de Novembro. Estamos já, neste momento, a formar 20 elementos que assegurararão, no futuro, o funcionamento do terminal de minério.


Quando o projecto de ampliação e modernizção do porto terminar e a reestruturação do Caminho de Ferro de Benguela estiver concluida que visão teremos quanto à importância dessas duas empresas no contexto de desenvolvimento da África Austral?

Teremos uma visão de crescimento e desenvolvimento da nossa região.

Não podemos esperar outra coisa que não seja atingir as metas para o desenvolvimento da África Austral.

E isso passa necessariamente por aqui, pelo porto do Lobito e pelo Caminho de Ferro de Benguela (CFB).

O Porto e CFB são duas empresas públicas interdependentes, pois a rede de linhas férreas do primeiro está ligada às do segundo, sendo o recinto portuário, simultaneamente, o ponto de partida e destino das mercadorias que circulam pelo Caminho de Ferro de Benguela.

A preconizada chegada do comboio ao Luau, Moxico, aguardada com muita expectativa, bem como, posteriormente, o escoamento do minério proveniente da República Democráticado Congo (mais de 4 milhões de toneladas) e da Zâmbia, através do CFB, até ao Porto do Lobito, conferirão certamente às duas empresas a sua importância no quadro da estabilização económica de África.

O primeiro trimestre

O porto do Lobito manuseou no primeiro trimestre deste ano 564 toneladas de mercadoria. A média de descarga foi de 800 toneladas por navio.

Durante o ano de 2008, o porto movimentou 2.902.125 toneladas de mercadoria diversa, superando assim a fasquia das 1.537.623 de toneladas registadas em 2007. No mesmo periodo foram movimentados 83.067 contentores, sendo 55.711 de 20 pés e 27.356 contentores de 40 pés.

Verificou-se um aumento de mais 31.634 contentores face ao ano de 2007, em que foram manuseados 51.433 contentores. Escalaram o porto do Lobito 534 navios para efeitos de operacões comerciais, sendo 284 de longo curso, 54 petroleiros, 30 butaneiros, 30 pesqueiros, 4 frigorificos, 96 rebocadores, 12 navios de cabotagem e ainda outros 24. O programa de reestruturação do país e a dinâmica que se observa na economia nacional estão na origem do aumento das mercadorias manuseadas pelo porto do Lobito.

António Assunção
8 - 5 -2009
 
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