
A experiência acumulada por Manuel José, treinador dos Palancas Negras, proibe-o de cometer um erro primário que não é desculpável a quem já orientou Sporting Clube de Portugal, Sport Lisboa e Benfica e o Al Ahly do Egipto, clube com o qual conquistou 18 títulos, dentre os quais quatro Liga dos Clubes Campeões Africanos.
Teve (ou tem) à sua disposição ferramentas que lhe poupariam a imagem de amador que passou ao admitir que “não sabia a performance de Love Cabungula nem conhecia que muitos jogadores por ele convocados não eram utilizados nas respectivas equipas, no Campeonato Nacional de Futebol”.
Sem qualquer critério, pois disse que não acompanhava o Girabola com tanta regularidade, como terá o treinador dos Palancas Negras feito o exercício de convocatória? Primeiro, não conhecendo como confessou os jogadores nacionais, seria sensato dar voz a um dos seus adjuntos Zeca Amaral, pessoa que conhece o futebol “doméstico” e, em consequência, os jogadores. Ignorar a presença dessa pessoa pode cheirar a um exercício de arrogância.
Segundo, Manuel José devia solicitar não apenas os nomes dos últimos jogadores convocados por Oliveira Gonçalves e Mabi de Almeida, mas também os últimos videos dos jogos de preparação e oficais, um ritual tradicional para qualquer treinador que assume novas funções.
Terceiro, o nouvelle treinador dos Palancas Negras diz que tem acompanhado os jogos do Girabola2009, através ada TPA Internacional, e foi, aliás, ele que supostamente terá transmitido ao presidente da Federação Angolana de Futebol, Justino Fernandes, o resultado do 1º de Agosto Santos, para a décima jornada.
Ou seja, Manuel José terá visto este jogo do Campeonato Nacional de Futebol. E sendo assim, não é crível que tenha visto Kumaka e Mingo Sanda (jogadores do 1º de Agosto convocados) e não tenha visto Love Cabungula e Bena. Quando, afinal, são estes últimos os principais patrões do ataque dos militares, o que explica os dez golos apontados por cada um deles.
Quarto, Manuel José tem à sua disposição dois jogadores influentes na Selecção Nacional: Flávio Amado e Gilberto. Além de poder usar internet para se inteirar melhor do futebol nacional e dos jogadores de referência.
Com todas estas ferramentas à sua frente, Manuel José não precisava imitar um vidente e escolher os jogadores sem um critério plausível.
E, na lista de 60 e tal jogadores que teve acesso, terá visto seguramente mais vezes os nomes de Love e Job que os de Mantorras, Nelo e companhia.
Love e Job, são dois jogadores que arrastam aos estádios grande parte dos adeptos do 1º de Agosto e do Petro de Luanda.
Hoje por hoje, não se concebe Petro de Luanda sem Job nem 1º de Agosto sem Love. Eles são responsáveis pelo sucesso das respectivas equipas.
E dado ao exercício que a Federação Angolana de Futebol (FAF) e a sociedade num todo estão a fazer para aproximar o público da Selecção Nacional, a não chamada destes jogadores pode ser um pontapé neste “nicho” de público, quando, para os Palancas Negras, todos os angolanos são necessários.
Pelo que chamar jogadores como Mingo Sanda (que merece lá estar) e Nelo e deixar Love e Job é um erro que não merece desculpa possível. Quem fala do Petro de Luanda e do 1º de Agosto não pode ignorar Job e Love.
Chamar Pedro Mantorras e Santana, que não jogaram nas respectivas equipas a época toda, é uma ofensa ao esforço de jogadores como Love Cabungula, Bena e David que, de uma assentada, fizeram 30 golos em 13 jornadas.
Levar para o amistoso o guardaredes Lamá e deixar de fora Ângelo (do Recreativo do Libolo) é mandar à fava o trabalho deste jogador.
Pelo pouco tempo, Manuel José já não tem disponilidade para fazer experiência nos Palancas Negras.
E estes jogos servem para começar a encaixar as peças nos seus devidos lugares. Por isso, não fica em nada reduzido se recuar na sua decisão e levar Love, Bena, Job e David.
Ninguém vai passar atestado de competência ao treinador Manuel José, “campeonissimo” pelo Al Ahly do Egipto, se assumir o seu erro e o rectificar, porque ganha apenas tempo e conquista desde já o apoio do público, que é o mais precisa a Selecção Nacional depois deste período negro.
Ganha-se com isso tempo e faz-se justiça a quem trabalha, pois, como afirmou em entrevista a Rádio Cinco, “a Selecção Nacional é para os melhores do momento”. E esses são Love, Bena, Job, David, Amaro, Mingo Sanda, Kumaka, Elísio, Ângelo, Nuno, Minguito, Manucho (do 1º de Agosto) e outros.