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Usos e costumes dos Bantu de Angola

Kimbundu Ovimbundu

A área sociocultural Kimbundu comporta variantes como axiluwanda, lwangu, temwa, puna, ndembo, imbanga, holo, kari, xinji, minungu, bambeiros, kibala, hako, sende, ngola jinga, songo, mbondo, kisama e libolo. Elas estão repartidas numa grande extensão entre o mar e o rio Kwangu, excedendo para leste e transpondo para o sul e médio Kwanza, envolvendo as província de Luanda, Bengo, Kwanza Norte, Malanje e partes do Kwanza Sul.

Tanto os do norte como os do sul do rio Kwanza são bons agricultores em estações chuvosas, cujos produtos principais (mandioca, feijão, abóboras, legumes, frutas, inhame , etc.) são a base da sua alimentação, servindo também para o comércio nas kitanda (mercados populares onde se vende produtos diversos). Ao lado da agricultura, dedicam-se igualmente à caça, à pesca fluvial, lacustre e do litoral.

Entre os Ngola e os Njinga manifesta-se o talento musical expresso em xilofones (marimbas) curvos, de doze a trinta e duas teclas e cujas caixas de ressonância são constituídas por cabaças. O som da marimba apaixona não só os seus tocadores mas acima de tudo os bailarinos, tanto nos momentos de alegria (por exemplo nas cerimó nias de casamento, iniciação dos jovens ou na entronização dos seus soberanos) como de infortúnio (mortes e outras calamidades).

Os Kimbundu são igualmente propensos ao artesanato, praticando a escultura e em algumas zonas a arquitectura tumular de pedra para as campas dos seus soberanos.

Na Ilha de Cabo, mais conhecida por Ilha de Luanda, a comunidade aí residente conhecida como Axilwanda dedica-se à actividade piscatória.

“Não há momento mais doce e apreciável para se contemplar o modus vivendi dos Axilwanda do que ver os pescadores a manejarem as nguya (agulhas), wanda (redes) e cordão na concertação das armadilhas de pesca. Neste ofício, os pescadores apresentam-se vestidos de um pano, mas com o tronco nu ou com camisola interior. A cabeça, regra geral, é coberta com um pano em forma de turbante para se protegerem do sol”.

À pesca é dedicada uma cerimónia ritual conhecida como festa da Kyanda, uma evocação e prece à Sereia, padroeira do mar, a fim de proporcionar aos seus cultores a prosperidade e tranquilizar as forças do mar, as Kalema. Esse ritual que envolve oferendas de bebidas, comida e flores que são atiradas ao mar, é de extrema importância, pois não só participam os pescadores como também os anciãos e a comunidade da Ilha em geral, e de Luanda em particular.

Os Kimbundu foram activos organizadores de estados e constam na sua história, notáveis reis guerreiros.

Os Ovimbundu Os Ovimbundu ocupam o planalto central, um vasto espaço sub-rectangular a meio da metade Oeste de Angola, subindo da beira-mar às províncias de Benguela, Huambo e Bié. São caçadores savânicos, criadores de gado e acima de tudo herdaram a vocação agrícola, cuja técnica apresenta uma laboriosa agricultura cuidada, regada e estrumada, empregando em algumas zonas as charruas puxadas por tracção de bois. Praticam a siderurgia caracterizada por aspectos originais na construção de fornos, explorando e fundindo malaquites de cobre, sobretudo na zona de Benguela.

Segundo o historiador Cornelio Kaley, “o nascimento da criança inicia a primeira etapa em que a comunidade inteira chama a presença dos espíritos dos antepassados. Essa presença realiza-se através de um nome que pode traduzir as circunstâncias que envolveram o seu nascimento: o tempo, a geografia, a calamidade, a fome ou abundância.

Quando o casal tenha tido crianças que não sobreviveram, o recém-nascido recebe um nome qualquer que afugenta os espíritos”.

À semelhança dos outros povos bantu, o nome é a tradução da personalidade individual e colectiva com todos os aspectos que identificam o seu detentor e também a família, pelo que a outorga do nome constitui o primeiro passo da socialização.

A educação tradicional começa logo que a criança nasce, envolvendo não só os seus principais tutores (pais), mas também a comunidade.

Os aspectos mais importantes são transmitidos aos jovens no Ondjangu, “… onde os mais velhos trocam ideias e experiências e onde a juventude é convocada para aprender tudo o que se relaciona com a vida. Ondjangu é uma instituição de ensino onde é moldada a personalidade (muntu) do povo, de acordo com os hábitos e costumes da terra”. A introdução dos jovens do sexo masculino no mundo dos segredos dos adultos que envolve toda a idiossincrasia umbundu ocorre numa instituição de educação conhecida como Evamba que começa com o corte de prepúcios a sangue frio, passando por um duro processo de aprendizagem de tudo o que satisfaz a vida, diferentes testes de resistência, danças, cânticos, construção de máscaras (ovingandji) e termina com o regresso à comunidade aldeã.

No aspecto artístico, os Ovimbundu mantêm, em certas regiões, uma escola de escultura animalística e de uma variedade de máscaras, tidas como padroeiras da escola de iniciação masculina (Evamba). As danças ao som de batuque ou música palmada, bem como as canções e cânticos fazem parte do lazer e também consagram as cerimónias.

Os Ovimbundu criaram notáveis estados ou reinos com impressionante organização administrativa, como foram os casos dos reinos de Wambu, Kakonda, Viye, Mbailundu e outros. Foram igualmente hábeis construtores de fortes nas Embala ou muralhas defensivas.

Américo Kwononoka dir. museu de Antropologia
7 - 9 -2009
 
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Comentários

  1. antonio manuel
    2013-10-03 18:25:57
    finalmente posso concluir dizendo que o costume é uma prática social constante e uniforme
  2. Mayasanda Pinguissa
    2013-06-30 16:16:53
    Tutondele
  3. Andre soares da silva
    2013-05-14 16:21:57
    cultura pouco valorisada
  4. Miraldino jackson chitende
    2013-01-04 09:29:26
    todo mundo tem historia , e nao podemos esquecer e nem parar de pesquisa la .
  5. Francisco Ngunza
    2012-07-06 13:54:50
    Kiambotè! Sou Brasileiro. Sempre digo que Nzambi Mpungu, o Deus Todo Poderoso, me fez nascer no Brasil, para viver de saudades, pois tenho minhas raízes ancestrais e espirituais nas terras de Angola. Sou sacerdote de uma religião de raiz africana, conhecida no Brasil como Candomblé de Angola, onde cultuamos as memórias dos nossos ancestrais, as divindades por eles trazidas para cá, ainda cantamos e rezamos em kimbundo e kikongo, e histórias como estas me fazem reviver um tempo antes do tempo. Nzambi ua Luatensá! Kandandu
  6. arrunkegy
    2011-10-23 06:06:20
    fiquei muito feliz meu caro em saber as historias dos meus antepassados de angola pois meu biza era angolano de benguela.Saber as historia do povo kimbundo me fez lembrar do grande e amado biza zereinga.
  7. Manuel dos santos pereira (Nelo)
    2010-04-23 09:40:54
    finalmente alguem pensou em nós... Meu Senhor continue nesta senda por favor; os estudantes angolanos precisão muito deste tipo de materia. pelomenos este conteúdo ajudou-me bastante a saber um pouquinho mais de como os meus descendentes foram. muito obrigado
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