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Raízes

Usos e costumes dos Bantu de Angola - Nganguela

Este termo significa oriente ou leste e os povos desse ponto cardeal de Angola são designados Yingangela/Opvingangela ou simplesmente os do Leste e são nomeadamente lwimbi, lwena ou luvale, lucazi/lutchazi, mbunda, ngangela, ambwela, ambwilamambumba, ngondjelo mbande, khangala, yahuma, gengista, nkoya, kamachi, ndungo, nyemba e aviko.

Os Ngangela são povos que ocupam maioritariamente a parte Leste de Angola (Moxico) e Sudeste (Kuando Kubango) e alguns núcleos na Huíla e Bié, fazendo parte das sociedades cujas origens, segundo os seus membros, são apontadas como tendo sido fora de Angola.

Neste aspecto, os Ngangela apontam o Shaba Ocidental como seu ponto de partida. As versões dominantes indicam que a sua origem deve ser procurada no leste, apesar de nos mapas “etnolinguísticos” da Zâmbia, com a qual tem um longa fronteira, não se encontrar o termo Ngangela, mas sim Mbunda Mbwela, Luchazzi e Kamachi. Actualmente os Ngangela estão repartidos em dois “territórios”, um dos quais na fronteira leste que vai da bacia do Zambeze ao curso do Kubango, divisão considerada como imposta pela cunha da migração Côkwe para o sudeste de Angola.

Do ponto de vista económico, os Ngangela oriundos dos antigos caçadores savânicos praticam hoje como principais actividades a agricultura em estação chuvosa, trabalho essencialmente feito por mulheres (limpeza, desbravamento do solo, lançamento de sementes, etc.), com excepção do derrube das árvores que é feito por homens e a pecuária.

A extracção do mel, a cera e a pesca lacustre e fluvial fazem igualmente parte da sua economia. À pesca são empregues muitos instrumentos, tais como munsunsa, teha, txintokotolo e algumas raízes maceradas, uma espécie de veneno para “embriagar” os peixes a fim de facilitar a sua captura.

Notáveis fundidores de ferro

No domínio artístico, os Ngangela atingiram níveis bastante elevados, com o emprego de foles de quatro saídas com os quais se fundem o ferro, cujo “ventre” do forno é semelhante ao tronco da mulher. Para além de serem notáveis fundidores, a “variante” luvale fabrica ainda hoje uma admirável cerâmica negra, polida, envernizada e com uma moderação artística bastante apreciada.

No aspecto social, tomam como predomínio os ritos de iniciação ou de passagem masculina que são consagrados com uma curiosa série de máscaras do tipo rodeado, antropomórfica ou zoomórfica, feitas à base de fibras vegetais, madeira e resina. Essa instituição de socialização ngangela transforma o estatuto de um jovem para ser um verdadeiro “ homem”, já introduzido nos segredos clânicos e dos adultos, pronto a enfrentar todos os desafios da vida.

As raparigas são também isoladas da comunidade quando apresentam o primeiro fluxo menstrual e submetidas a rigorosas doutrinas por uma mestra idónea para serem futuras boas esposas, donas de casa, mães e noras aceitáveis.

O casamento e o nascimento do primeiro filho constituem o momento de elevada autoestima por parte do casal e um reconhecimento e consideração pela comunidade. Sobre as práticas religiosas, os Ngangela, “para além das religiões universais cristãs (católica e evangélica), tomam predomínio a crença aos espíritos dos seus antepassados, denominados vakulu, ndumba-ai, munto e kazumbyei. Segundo a tradição, os adivinhos e curandeiros estão intimamente ligados a essas divindades.

Américo Kwononoka Director do Museu de Antropologia
14 - 9 -2009
 
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Comentários

  1. Ndala Eurico
    2013-12-07 21:58:00
    Eu tambem sou Ngonzelo, mas é mesmo Nganguela gostei muito dos usos e costumes deste grandioso povo.
  2. leonel Bongue
    2013-11-11 16:39:22
    eu gosto mto desse povo.mas pois saibam q esses povos sao mto complicado
  3. Afonso Miguel Armando Avloy
    2013-08-17 23:10:28
    Esta matéria, ajudou, ajuda e ajudará muita gente! Q grande povo.
  4. avloy
    2013-06-26 16:26:25
    eu queria tanto ser desse povo, mas não aconteceu, oque fazer? feliz para os que são
  5. Hugomariagabriel
    2013-06-05 18:47:15
    Me ajudou muito esta materia no meu trabalho escolar e espero receber mais informações sobre outros povos de Angola
  6. Mamona Fall
    2012-10-17 16:30:22
    Gostaria de ter mais informações desta matéria mas no que concerne também à outros povos bantu de Angola e não só... Acho que alguém me pode ajudar neste sentido..
  7. Jorge Reis
    2012-07-29 16:32:11
    Nganguela

  8. 2012-06-21 12:47:39
    era interessante saber sobre o hábito de fumar liamba(cannabis
  9. Roberto Rabêllo
    2012-04-29 11:38:25
    Lindo texto. Vocês sabem algo a respeito das danças da cultura bantu, particularmente das danças de guerra?
  10. agatha
    2012-03-03 21:45:22
    oi e de mais todo trabalho que eu tenho da escola eu venho
  11. Zeca António Andrade
    2012-01-13 13:22:06
    A Caça feminino A mulher aos ritos de menstruação, não vai a pesca e nem pode entrar nas aguas dos rios. A Caça ou pesca da mulher lunda é feita da seguinte: A mulher Lunda pesca nas águas utilizando masuñu, nos momentos de tal tipo de pesca empregam masuñu. Para apanharem muito peixe com estes cestos, os Lundas prepara-os com linhas de palhaço Chihewu, fazendo cozedura com esta linnha nas suas pontas e quando chega o momento de pesca, mergulham os mesmos nas águas das chanas ou dos rios pequenos e as pescadoras vão chotando o peixe para direcção onde são expostos os masuñu. O peixe fica mobilizado e vai directamente para masuñu. Como todos podem compreende, o palhaço Chihewu toda a mulher o gosta e é assim que o peixe também vai gostar a linha do Chihewu que está no isuñu. Mas que no tempo de kusukilila, utilizam entre outros materiais, as folhas de kansamba, cujas são pisadas em grandes fendas feitas na terra rija, misturando-as com outro veneno semelhante, que lhe atribuía o complemento tóxica, transformando-se então em veneno propriamente desejado o “ wululu “. Ao Pisar este wululu, as senhoras presentes ao acto, entoam canções relacionadas com a actividade dizendo no seguinte: “ Oh, sardinha me segura, eu sua amiga me encontro a sofrer debaixo do sol …”bis. Vão cantando até que o wululu fica pronto, entoam assim é para dignificar a cultura da caça feminina e fazer aproximar o peixe ao wululu e apanharem o peixe com facilidade e em abundância Além desse tipo de pesca, a mulher lunda utiliza também raízes e tubérculos de certas plantas e detergentes muita venenosa tais como: Kapofu e Mbondu, cujo o wululu esse era e é pisado também em fendas feitas na terra e ou directamente sobre tecidos duros. Depois dessa dura actividade, o wululu preparado é lançado expansivamente nas águas, contaminando perigosamente os peixes e as senhoras ficam com masuñu e recipientes ao lado onde a corrente de agua vai para apanharem o peixe. O Peixe caçado com este wululu, revelam os nossos narradores, que não constitui perigo para a saúde de quem o consume. Kutokola. Kutokola é outro tipo de pesca utilizada pela mulher lunda, enfia a sua mão nos buracos existentes nas chanas próximo dos rios até que se atingisse a pele do peixe procurado e atirá-lo para a cabaça que se leva para transporte do peixe caçado. Toda essa descoberta provém do Império Lunda. A caça foi e continua sendo uma actividade praticada por seres humano para sobre - viverem. E, é e era a caça feita pela feminilidade lunda.
  12. Zeca António Andrade
    2012-01-13 13:18:31
    A CIRCUNCISÃO MUÑOÑI (circuncisão para instrução) Muñoñi é outra potente mukaanda dos lundas, que os homens já circuncidados na mukaanda normal que já se referiu fazem parte e os casados, excepto os não circuncidados. Os homens nesta mukaanda aprendem ser corajosos, consistentes, segredo e sabedoria para distinção de causas. Para preparação dos homens que participam a esta mukaanda, procede-se da seguinte: Os Homens abrangidos para este acto, são convidados e explicados pelos chefes das aldeias no seguinte: “ Vós que fostes circuncidados na mukaanda katema, deveis participar também n mukaanda muñoñi para tornarem homens firmes, rígidos, rigorosos, activos, etc.” E indica-se o Mestre para levar a acabo este acto. Após a indicação dos participantes e outros preparativos, um dos familiares dos que farão parte à muñoñi vai ao encontro do mestre preferido para perante este suplicar, dizendo: “ Desejamos que encaminhes os nossos filhos para a instrução muñoñi, ” O Tempo para festejo deste acto é estipulado pelo mestre indicado. O Mestre e os homens já passados na mukaanda desse tipo, preparam o lugar próximo do cemitério para o acto, seguida preparam lenha onde vai se acender o santo fogo de muñoñi, este fogo acende-se da seguinte: “ os indivíduos presentes ao acto, cantando canções de tradição muñoñi e de repente aparece uma chama de fogo vindo do cemitério e pousa sobre a lenha preparada e nela explode o fogo e assim a lenha é acesa ” a fogueira onde os a ser instruído vão aquecendo durante a noite toda. O lugar onde ocorre este tipo de circuncisão, se denomina: “ Izembi! ” Antes de os escolhidos a participar no Muñoñi, primeiro aparece por toda a mata várias magias tais como: Chamas de fogo, rugir de leões e espíritos de outro mundo ameaçando os participantes. Estes fenómenos de ídolo tradicional, surge para temperamento da coragem dos homens presentes. Depois leva-se acabo durante toda a noite o acto de instrução. Para efeito utiliza-se canivetes, flechas, agulhas e outros meios de pontas finas com que as suas pontinhas vão picando e biscando os corpos dos participantes durante a noite. Sofrimento, condoer, gritos, etc. fazem sentir aos homens participantes. O Homem instruído nesta academia, torna vigilante e poderoso em tudo. Dá-se ao mestre desta mukaanda o nome de Coveiro, pois numa das suas canções entoadas durante o acto de instrução diz no seguinte: O Não instruído, quando defeca não vigia…bis. Na verdade nota-se alguns indivíduos quando estão repousando não vigiam, mas o homem instruído tradicionalmente lunda, repousando num lugar a sua intenção toda é vigiar e observar o perigo que da fachada ou de mau agouro vem e estes são os comandos do exercito tradicional lunda. São os coveiros que têm a missão de prender todo o individuo que desobedecer as ordens e determinações dos chefes de aldeias ou dos sobas, como por exemplo: o individuo que contrai problema de makoji com a esposa do outro, é dado a multa e se este não obedecer, demonstrar valente e rígido, era chamado os coveiros para o prender. Quando os mesmos chegam a casa do malandro, isto é de noite, ele sentia ao cimo de sua casa a tremesser e caindo alguns objectos dentro do seu quarto semelhante a pedras, com o medo ele sai de sua casa para fora e longo era capturado e levado para o lugar de decisões e chicoteado. A sua manha findava naquele instante.” Narrado por Pedro Daimon Chombo. É assim que os lundas se preparam os seus homens para sua defesa.
  13. Pessela
    2011-09-15 13:04:04
    Eu sou ngonzelo, que muitos consideram como uma das variantes de nganguela, gostei bastante desta leitura sobre os povos de nganguela
  14. ilidio
    2011-07-17 11:05:34
    eu sou estudante e procuro faser uma pesquisa de campo com eses povos. o q oiço sobre eles é muito admiravel não vejo a hora de me encontrar com eles.
  15. carla
    2010-05-11 15:04:00
    cutura
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