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Colóquio

Agostinho Neto homenagem à dimensão do Poeta

O Colóquio Internacional sobre a Vida e Obra do Doutor António Agostinho Neto foi mais uma oportunidade para intensas movimentações de pessoas e ideias concentradas à volta de uma figura que marca a história e cultura de Angola. O evento aconteceu no Centro de Convenções do Talatona.

O local até que é simpático, mas nem mesmo isso tornava fácil a vida de muitos que tiveram de fazer contas à vida para lá chegar. Sobretudo os jovens estudantes, que estiveram em maioria, mas também os membros da autoridade tradicional, funcionários da Cultura, artistas e outros que dia-a-dia enfrentam o drama dos transportes públicos em Luanda, sem já falar nas malabarices dos candongueiros. Os que têm viatura à disposição, pelo menos, não se queixaram dos engarrafamentos que se fazem sentir no centro da cidade, como foi aquando da Conferência Internacional sobre Óscar Ribas, no Palácio dos Congressos.

Foi também simpático ver tantas figuras importantes da nossa e doutras sociedades sentadas num mesmo sítio, envolvidas num mesmo evento com essas pessoas que dia-a-dia enfrentam este ou aquele drama, fruto da sua ténue condição social. Muitos encontravam-se aí, ao mesmo tempo, nas vestes de políticos ou governantes com cargos de referência, mas também como camaradas, colegas e amigos de Agostinho Neto. Haviam representantes de vários países, de África, Europa e América.

Não era para menos, pois a dimensão multifacética do humanista, político, estadista, escritor e homem de cultura justifica tal reunião, a mesma que se recomendou, no final, que aconteça mais vezes e com a regularidade merecida, “como forma de permitir a recolha e o registo de elementos para um melhor conhecimento da trajectória do primeiro Presidente de Angola”.

Só assim os objectivos do Ministério da Cultura que se lançou ao desafio de homenagear tão importante figura do país, poderão ser alcançados, aliás, como é desejo de todos, manifestado também pelo primeiroministro António Paulo Cassoma, no seu discurso de encerramento do evento: “Desejo que as contribuições saídas do colóquio possam ajudar a aprofundar os estudos e investigações sobre a dimensão da vida e obra de Agostinho Neto, nas suas múltiplas facetas”, disse.

Paulo Cassoma referiu-se também aos vários eventos de carácter histórico-cultural que têm sido realizados desde que o país alcançou a paz, como o Encontro Nacional da Cultura, a Conferência Internacional sobre o Processo dos 50, a jornada de reflexão sobre a preservação do Património Histórico, a conferência sobre o centenário de Óscar Ribas, entre outros que têm contribuído para a “consolidação da nossa memória colectiva”. “O Governo e as instituições afins, mais do que nunca, devem unir esforços para promover iniciativas, sobretudo institucionais, no quadro da estratégia nacional de divulgação e valorização do património histórico e cultural de Angola”, considerou.

O MINICULT, encabeçado por Rosa Cruz e Silva, desde o começo que quis demonstrar essa mesma vontade, ao assumir o compromisso de criar uma cadeia de debates em que foram apresentadas importantes reflexões e dados valiosos testemunhos sobre a vida e obra de Neto.

“Volvidos trinta anos da sua morte, é imperioso que se multipliquem os esforços para que a pesquisa e a investigação neste domínio possa trazer à luz os estudos que se impõem sobre esta grande figura da História angolana”, disse a ministra no seu discurso por ocasião da abertura do colóquio.

A importância da poesia

O escritor José Luís Mendonça considerou ser importante a inclusão da poesia de Neto no cânone da literatura angolana, “como obra de conhecimento indispensável para os alunos do ensino médio, pré-universitário e nas cadeiras de Literatura dos cursos superiores”.

Convidado como conferencista, o escritor dissertava a propósito do tema “Sagrada Esperança de Agostinho Neto: do desfile das sombras para o amanhecer da justiça social – uma poética do desenvolvimento africano”.

No seu entender a poesia de Neto continua a ser uma referência válida e obrigatória para todas as gerações que actualmente se entrosam no tecido sociocultural da Angola de hoje, assim como para as gerações que estão para nascer.

Quem também falou do “valor da poesia de Agostinho Neto para as novas gerações” foi o professor Pires Laranjeira, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, referindo que a obra poética de Neto é o exemplo mais directo e veemente, um autêntico apelo ideológico e político, sobre o dever de os angolanos esclarecidos lutarem contra a assimilação cultural, nas décadas de 40 e 50.

“O contexto era o da luta contra a assimilação colonial, mas, hoje, faz todo o sentido combater, ideológica e culturalmente, o excesso de optimismo quanto às crioulizações, mestiçagens, hibridismos, misturas, mesclas, amálgamas e outros conceitos e formas de abordar a interculturalidade em países do Sul a partir de uma conceituação que decorre de um foco centrado a partir do Norte”, disse.

O professor referiu que na Europa, os estudantes que frequentam as aulas de literaturas africanas ficam agradavelmente surpreendidos com a poesia de Neto, demonstrando admiração e carinho. “Cada vez mais, os jovens europeus têm curiosidade em conhecer a sua obra e naturalmente a de outros poetas angolanos”.

Enriquecer a biblioteca

O colóquio internacional sobre a vida e obra de Neto serviu também para que muita gente, amante da boa leitura, aproveitasse enriquecer a sua biblioteca pessoal com várias obras expostas no hall do Centro de Convenções.

O grande destaque recaiu para o lançamento de quatro títulos de Agostinho Neto, nomeadamente, “Náusea”, “A Renúncia Impossível”, “Sobre a Libertação Nacional” e “Ainda o Meu Sonho (Discurso sobre a Cultura Nacional)”, que aconteceu na tarde de terça-feira.

Para além destes títulos, outras obras do considerado Poeta Maior estavam a ser comercializados no local. De igual modo, foram expostas dezenas de obras doutros escritores angolanos e não só, em que se destacavam ensaios sobre a vida de Neto. Alguns títulos da autoria de Óscar Ribas, reeditados há um mês por ocasião da conferência internacional sobre o centenário do seu nascimento.

Quarta-feira, último dia do colóquio, foi também lançado o livro intitulado “Ideologia e Engajamento em Agostinho Neto e Leopóld Senghor”, da autoria do professor nigeriano Ebenezer Adedeji Omoteso. O mesmo foi apresentado pelo professor português Pires Laranjeira que assinou o prefácio. O professor Omoteso foi um dos convidados a conferenciar, com o tema “Negritude e Marxismo na poesia de Agostinho Neto”.

O escritor S. Miguel, pseudónimo de Miguel de Oliveira, aproveitou a ocasião para comercializar e autografar o seu livro intitulado “Mito Neto”, um ensaio sobre o forte carácter espiritual que detinha o estadista e poeta angolano.

Vladimir Prata
18 - 9 -2009
 
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Comentários

  1. Francisca Velasco
    2009-09-18 20:31:12
    Parabenizo o evento em nome da tão ilustre figura Dra. Rosa Cruz e Silva que com o seu empenho e dedicação, tornou possivel o sucesso desse evento. Junto com ela parabenizo tmb todas as instituições da cultura e não que de alguma forma séria e profissional realizaram esse encontro. Que eventos como esse aconteçam sempre para que as novas gerações possas conhecer e valorizar nossos heróis.
  2. Manoel Messias Pereira
    2009-09-18 14:00:41
    Congratulo a todos com o seminario, mesmo a distsancia. Salve Angola. E que Deus esteja contigo
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