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Reportagem

Kuando Kubango: Fim do mundo já era

Kuando Kubango, ontem terras do fim do mundo, hoje terras do progresso, está a dar sinais de querer despertar para o crescimento. Para quem vem de fora, o nível de vida da população parece crescer gradualmente, graças aos investimentos de vária índole de que a província está a beneficiar nos últimos tempos.

A iluminação pública, a rede de transportes, comunicações, entre outras infra-estruturas sociais básicas que constituíam problemas, vão dando sinais de revitalização. Quem sai do aeroporto para a cidade depara-se com estes feitos, começando com as obras de requalificação dos passeios e algumas árvores que foram plantadas na berma da estrada.

Para dar uma outra imagem à cidade, o governo provincial lançou um programa que visa remodelar e pintar as residências no centro e na periferia.

Estes feitos constam do Programa de Investimentos Públicos para a recuperação das infra-estruturas destruídas pela guerra.

A cidade do Menongue não está totalmente sinalizada, o que dificulta a condução de pessoas que vêm de outras províncias. Os automobilistas locais pedem que a Direcção Provincial de Viação e Trânsito conclua rápido esse processo.

O trânsito automóvel ainda é escasso, embora os transportes públicos sejam caracterizados pelas motorizadas (Kupapatas) e pelas hiaces. Os preços variam em função das distâncias. Os azuis e brancos cobram 30 a 50 Kwanzas no perímetro urbano, ao passo que os Kupatatas pedem 100 a 150.

O rio Kwebe, que divide a cidade em duas, tem a sua nascente no Bié, passa pela cidade do Menongue e desagua no Kuando. O Governo da província recuperou a ponte que atravessa o rio e o largo que lhe está adjacente.

Nos últimos tempos, o largo tem sido aproveitado para concertos musicais e convívios dos habitantes. Recentemente, albergou o concurso de miss Kuando Kubango e a Gala Nacional de Boxe Profissional.

Os níveis de poluição do rio estão a baixar, o Governo local criou uma campanha de educação e prevenção. Para promover a higiene, casas de banho, chafarizes e locais próprios para lavar e tomar banho foram criados.

A barragem do Cambumbi, local turístico, que se situa num outro ponto da cidade, nas imediações do complexo hoteleiro Lodge Chicoil, do empresário José Chimuco, tem uma enorme lagoa com o nome da barragem, com cardumes de várias espécies e um espaço verde ao redor, com árvores altas devidamente tratadas, baldes para recolha de lixo e barracas para comes e bebes.

A lagoa verte as suas águas para o Kuebe. Nela foi proibido qualquer tipo de pesca artesanal há mais de um ano, com vista a proteger o viveiro e as espécies. Os estudantes têm aproveitado o local para revisar as suas matérias. E nos fins-de-semana, os amantes do turismo não descuram o local.

No próximo ano, quem escalar a cidade poderá já não ter problemas com a hospedagem. Estão a ser construídos e reabilitados alguns hotéis. O Hotel Residencial é dos mais antigos da cidade, as suas obras estão na recta final, comporta 30 quartos, um cinema e restaurante. Quando funcionava, uma diária neste local ia dos cinco aos 9 mil Kwanzas.

O Hotel Pérola do Sul é outra unidade que está a ser reabilitada, por chineses, e presume-se que até ao terceiro semestre de 2010 os 32 quartos e outros serviços estarão preparados para receber hóspedes.

O parque hoteleiro vai abranger outros municípios e comunas da província, com realce para o Mega Hotel que será erguido próximo do aeroporto do Menongue. As escavações e estudos de viabilidade e de impactos ambientais já começaram.

A equipa de reportagem de O PAÍS constatou também que a cidade tem, neste momento, apenas uma pensão, a Tchingoma. Os hóspedes vindos de províncias como Luanda, Benguela, Namibe e Huíla, deploram a qualidade.

A Tchingoma tem dez quartos, uma diária custa cinco mil Kwanzas, sem refeição. Está no mercado há dois anos e como forma de melhorar os seus serviços, enviou três das dez funcionárias à província do Huambo para frequentar um curso de Hotelaria e turismo.

No que concerne restaurantes, a província tem o Chik Chik, o mais frequentado da cidade, embora os seus serviços deixem muito a desejar. Os visitantes fazem um ligeiro desconto, a província está a renascer e em matéria de hotelaria e turismo tem muito para crescer.

Na cidade vislumbram-se mais “roulotes” e “lanchonetes”. Até ao próximo ano a província vai tentar inverter o quadro, segundo o residente Carlos Sapesse. A maior parte dos recintos que estão vedados na cidade alguns são restaurantes, disse o cidadão. Menongue tem também poucos salões de beleza condignos. Quanto a Cybercafés, há somente um, no bairro Futungo. A distância que o separa do centro da cidade aconselha a utilização de kupapata ou automóvel. A pé a caminhada pode levar algum tempo.

Sebastião Félix no Kuando Kubango
13 - 11 -2009
 
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Comentários

  1. zola andre
    2012-09-04 12:53:59
    sempre tive coriosidade de cohecer esta terra que todos dizem ser o fim do mumdo
  2. creusa mutango joaquina vieira
    2011-08-17 18:49:13
    A nossa provincia tem estado a dar passos significativos, e nao podemos simplesmente ignorar o facto. devemos sempre acreditar, e eu acredito no desenvolvimento da minha provincia que pra mim nunca foi terra do fim do mundo mas sim terra de oportunidades.
  3. Jacob Bongue Baptista
    2010-12-21 07:59:06
    com o desenvolver da província do kuando kubango só noto mais pobreza na população carenciada
  4. cleidiane da silva
    2010-02-10 22:34:33
    Hummm porquê este nome: fim do mundo? Gostaria de receber mais fotos da cidade/País e suas caracteristicas fantasticas! Obrigada!!
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