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Ensino

Continua a demanda para acesso ao ensino médio

O director nacional para o ensino médio técnico profissional, António do Nascimento Alexandre, considerou, quarta-feira, 3, a ânsia da inserção no mundo do emprego por parte dos jovens como sendo a causa das enchentes para a inscrição nos institutos politécnicos.

“Depois de terminado o ensino secundário do I ciclo, o jovem quer uma formação que, logo a seguir, lhe garanta um emprego. Isso justifica o grande número de estudantes que acorrem ao ensino médio técnico”, explicou.

Outra causa apontada pelo responsável é o facto de esses estabelecimentos de ensino estarem bem localizados no centro da cidade, para além de possuírem muitos cursos.

António Alexandre salientou que o grande problema das enchentes nesses estabelecimentos escolares se regista mais em Luanda, não só pelo facto de ser a província que concentra um número considerável de escolas do ramo, mas também por ser a cidade que alberga uma grande população angolana basicamente jovem.

Recorde-se que o Instituto Médio industrial de Luanda (IMIL), Instituto Médio de Economia de Luanda (IMEL) e o IGCA (Instituto de Geodesia e Cartografia de Angola) ainda continuam a ser os mais procurados da capital, ao ponto deste ano lectivo terem registado entre três e cinco mil candidatos a concorrerem para menos de 601 vagas em cada uma das referidas escolas.

Quanto à política de inserção de alunos, o responsável socorreu-se do despacho número 145/09, de 30 de Dezembro, que suporta as orientações do Ministério da Educação (MED), segundo o qual a admissão de novos alunos tem a ver com determinadas idades e médias nas disciplinas nucleares do curso pretendido.

As idades contempladas vão dos 14 aos 16 anos de idade, enquanto as médias tidas como aceitáveis são de 14 a 20.

Curiosamente, com a implementação do sistema de Reforma Educativa que tem a 9ª Classe como a última do ensino secundário do I Ciclo, nenhum aluno vai chegar à 10ª Classe com os precisos 14 anos, já que para a Iniciação e 1ª Classe se recomendam os 5 e 6 anos de idade respectivamente.

Por causa disso e tendo em conta as recomendações da Reforma Educativa, que recomendam menos de 36 alunos por cada sala de aulas, António Alexandre recordou a possibilidade do curso nocturno.

“Na indisponibilidade de vagas, o aluno pode passar para o período póslaboral”, ponderou.

O director reconheceu que as direcções de escolas têm enfrentado grandes dificuldades para cumprir com esses parâmetros, devido à pressão a que são submetidos em cada início de mais um ano lectivo.

Mesmo assim, o número um do ensino médio técnico profissional orientou aos directores das escolas sob a sua jurisdição a vencerem as fortes pressões e cumprirem cabalmente com o recomendado, de modo a contribuírem para a qualidade do ensino.

“Não devemos encher as salas para pôr em causa a qualidade de ensino dos jovens que vão servir a área técnicoprofissional desse país”, disse, acrescentando que o seu sector tem a máxima responsabilidade de atribuir aos formandos qualificações técnicas aos profissionais que irão ao mercado de emprego.

78 Institutos, pouco para muitos

António do Nascimento Alexandre admitiu que o seu sector possui poucas escolas para atender a demanda dos alunos que pretendem qualificarse no ramo das tecnologias.

O nosso interlocutor precisou a existência de 78 institutos médios técnicos em todo país, um número que ele ainda considera ínfimo para atender a demanda.

Segundo António Alexandre, de 2006 a 2010 o MED entregou à sociedade 34 escolas médias técnicas construídas de raiz, no âmbito da Linha de Crédito da China.

“Só a província de Luanda possui 19, isso contando com outras que já existiam, mas que foram reconstruídas e apetrechada”, precisou António Nascimento, tendo assegurado que “nem isso garante o acesso a todos jovens que procuram essas instalações”.

De acordo com o dirigente, Luanda precisa de mais escolas para sair desse quadro que nem mesmo outras escolas do ensino geral e de formação de professores consegue evitar.

Em relação às escolas do ensino particular que pretendem dar o seu contributo no sector que dirige, António Alexandre explicou que para entrarem no sistema de comparticipação as escolas privadas têm de cumprir com alguns parâmetros.

“A prioridade vai para as escolas localizadas em zonas onde o próprio Estado tem dificuldades de se instalar. Mas para o nosso ramo tem de se inspeccionar os aspectos técnicos, laboratoriais e da qualificação do corpo docente”, esclareceu, tendo indicado dois exemplos em Viana, nomeadamente o complexo escolar Ilíada e Elsamina.

Outras escolas têm os processos a serem apreciados junto do gabinete jurídico, apurou O PAÍS junto da mesma fonte, que anunciou a aprovação desses documentos caso reúnam as condições necessárias.

Alternativas à vista

Para o caso particular de Luanda, sempre chegaram registos referentes às enchentes nos grandes institutos como IMIL, IGCA e IMEL, mas dificilmente chegam informações do género em relação a outras instituições do ensino médio técnico, nos municípios da periferia, como Cazenga, Cacuaco e Kilamba-Kiaxi. Por isso, António Alexandre encoraja os jovens a baterem as portas dessas escolas.

“Em todos os municípios, temos institutos médios técnicos implantados que oferecem quase os mesmos cursos, mas a maioria da juventude só quer estudar no IMIL”, lamentou, tendo referenciado a existência de outras opções fora de Luanda.

Actualmente, o Governo está a criar uma política de incentivo nas outras províncias onde existem os cursos politécnicos ligados ao ramo industrial, agrário e de administração e serviços, vulgo cursos económicos.

António Nascimento defende que a maior parte dos jovens que aflui às escolas de Luanda sem sucesso, a seu tempo, deverá ingressar nesses estabelecimentos.

Alberto Bambi
5 de Fevereiro de 2010
16:13
 
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