O impasse político na Costa do Marfim e a onda de violência que ameaça o país preocupam cada vez mais a comunidade internacional. Os apelos ao presidente cessante, Laurent Gbagbo, para aceitar os resultados eleitorais do passado dia 28 de Novembro, repetem-se ao mesmo tempo que são lançados avisos de responsabilização de actos que incitem à violência no país.
Na segunda volta das presidenciais, Gbagbo foi derrotado pelo candidato do partido liberal União dos Republicanos (RDR), Alassane Ouattara, mas recusa-se a aceitar a derrota .
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Kimoon, manifestou preocupação com a evolução da situação no país.
Segundo um comunicado, divulgado em Nova Iorquena passada quarta-feira 15, Ban ki-moon volta a apelar a todas as partes da Costa do Marfim considerando que “a situação (no país) está a tomar um rumo preocupante com o desenrolar dos acontecimentos que podem conduzir à generalizada violência “.
Na quinta-feira, 15, pelo menos quatro pessoas morreram baleadas em Abidjan em consequência da intervenção da polícia para dispersar os manifestantes pró-Ouattara.
Segundo várias agências, os manifestantes pretendiam aproximar-se da televisão estatal.
O presidente recém-eleito, Alassane Ouattara, segundo os resultados apresentados pela comissão eleitoral independente e validados pelas Nações Unidas, incitouos costa-marfinenses a sairem à rua,nos dias 16 e 17, e a ocuparem a sede do governo e a televisão estatal.
Na altura do anuncio dos resultados eleitorais, validados pelas Nações Unidas, os dois canais daTV estatal e únicos no país, difundiram os resultados que davam a vitória do presidente Gbagbo, há 10 anos no poder. Por seu lado, os homens da antiga rebelião da Costa do Marfim e que protegem o local onde Quattara se encontra hospedado, também protagonizaram uma troca de tiros com as forças fiéis a Gbagbo.Várias agências citam testemunhos, que dizem ter ouvido disparos e explosões nas redondesas do hotel que alberga Ouattara e que se encontra protegidos por capacetes azuis.
O secretário-geral reitera o seu apelo a todas as partes da Costa do Marfim e aos seus apoiantes para “exercitarem a paciência e absterem-se de quaisquer acções que possam, acidentalmente ou deliberadamente, provocar aviolência”, refere o comunicado da ONU.
Além dos apelos, Ban ki-moon também avisa que os que incitem à violência ou a pratiquem serão responsabilizados pelos seus actos, ao mesmo tempo que informa que a ONU continua em contacto com as partes, assim como com líderes regionais, com vista a uma solução pacífica do conflito.
O presidente eleito e reconhecido pela ONU, entidade competente para validar os resultados eleitorais ao abrigo do acordo alcançado em Pretória em 2005, União Africana e pela União Europeia (UE), fez do hotel onde se encontra hospedado o seu quartel-general.
O Conselho de ministros designado por Ouattara reúne-se numa tenda montada nos jardins do hotel onde se encontra alojado o presidente recém-eleito.
Segundo a comissão Eleitoral Independente, Ouattara venceu o escrutínio com 54,1% dos votos, mas o Conselho Constitucional atribuiu a vitória ao presidente cessante, através da anulação de centenas de milhares de votos da oposição que reverteram os resultados expressos pelos marfinenses nas urnas.
O presidente do Conselho Constitucional, Paul Yao N´Dré, é um velho aliado de Laurente Gbagbo, tendo em conjunto criado a Frente Popular Marfinense (FPI, na sigla francesa) Gbagbo, que se recusa a entregar o poder, encontra-se no Palácio Presidencial.