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ONU diz que cessar-fogo na Síria não está controlado

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, reconheceu nesta quinta-feira, numa carta enviada ao Conselho de Segurança da ONU, que a situação da Síria não está controlada e recomendou, por isso, que seja aprovada uma missão com 300 observadores que fiquem três meses no país para assegurar o cumprimento do cessar-fogo.

A missiva de Ban Ki-moon surge no mesmo dia em que os conflitos no terreno continuam a dificultar o trabalho dos observadores das Nações Unidas enviados para a Síria.

Os veículos nos quais o grupo seguia foram obrigados a dispersar após uma série de disparos alegadamente lançados pelas forças do regime – que supostamente pretendiam afastar os populares que cercavam os carros da missão da ONU.

O incidente ocorreu em Erbine, nos arredores de Damasco. Os veículos dos observadores da ONU foram cercados por populares que pediam armas e outros instrumentos para lutarem contra o regime. Nesse mesmo momento uma série de disparos lançados sobre a população obrigaram rebeldes e observadores a dispersar. Um primeiro balanço aponta para oito feridos.

Este episódio pode, assim, comprometer o envio de mais observadores para a Síria, por a ONU entender que não estão reunidas as condições de segurança necessárias, dado o incumprimento do cessar-fogo.

Ainda assim, na sua carta, o secretário-geral da ONU insiste que o Conselho de Segurança “autorize esta missão” que terá como objectivo controlar o cessar-fogo e executar os restantes pontos previstos no plano de paz que está a ser mediado por Kofi Annan. Ban Ki-moon disse, ainda, que está “muito preocupado com a gravidade da situação na Síria” e reconheceu que Damasco não está a cumprir “de forma plena as suas obrigações”.

Porém, o responsável acredita que há “uma oportunidade de progresso, que deverá servir de apoio para se avançar”, sustentando que a violência no país tem caído desde que entrou em vigor o cessar-fogo e apelidando de “essencial” que o regime sírio respeite as suas promessas de retirar as tropas das zonas onde estão os rebeldes e de dar total liberdade de circulação e de comunicação aos observadores.

Também a secretária de Estado norte-americana veio manifestar a sua preocupação com a continuação da violência. Hillary Clinton ameaçou mesmo que “novas medidas” serão tomadas se o regime de Al-Assad “desperdiçar a última oportunidade” constituído pelo plano de Kofi Annan. Já o Presidente francês, Nicolas Sarkozy, em declarações à rádio Europe 1, veio dizer que a solução para o país passa por criar “corredores humanitários” que permitam que a oposição a Al-Assad consiga sobreviver.

Os conflitos no terreno continuam. O exército sírio lançou nesta quinta-feira um assalto sobre a cidade de Deir Ezzor. Na quartafeira, de acordo com o Observatório sírio dos Direitos Humanos, tinham já morrido pelo menos 30 pessoas.

O prometido cessar-fogo entrou em vigor há uma semana, no âmbito do plano de paz de Kofi Annan.

24 de Abril de 2012
12:50
 
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