A revelação dos res ponsáveis da com panhia Dana Airlines, segundo as quais a idade (22 anos) da sua aeronave nada teve a ver com o acidente, suscitou muitas reti cências por parte da população Os nigerianos que voam regularmente com destino aos diferentes Estados do país temem a repetição do brutal acidente de Lagos, que os deixou em estado de choque.O PAÍS Sextafeira, 15 de Junho 2012 23
D uas semanas após o aci dente aéreo que matou cerca de 200 pessoas em Lagos, os nigerianos voltaram agora as suas atenções para as idades das aeronaves utilizadas pelas companhias aéreas nacionais, uma situação que causou algum pânico no seio da população, principalmente entre a que utiliza regularmente os aviões para as suas viagens com destino aos diferentes Estados deste grande e populoso país.
Os receios da população começa ram logo após a revelação da idade da aeronave (22 anos e adquirida em segunda mão) da companhia Dana Airlines, que se despenhou no passa do dia 3 de Junho, nos arredores de Lagos, e que matou todos os seus 156 utentes e mais dezenas de moradores do prédio em que embateu.
A revelação dos responsáveis da companhia Dana Airlines, segundo as quais a idade (22 anos) da sua aeronave nada teve a ver com o acidente, suscitou muitas reticências por parte da população e a seguir a imprensa nigeriana moveu uma campanha para apurar a idade de todas as frotas existentes no país, o que fez gerar pânico após a divulga ção desta informação.
Os jornais The Punch e o The Na tion estamparam nas suas capas um historial das companhias aéreas lo cais, onde incluíram a quantidade da frota, as matrículas, datas de fabrico, data de aquisição pela empresa e o tempo de uso em território nigeria no, entre outros elementos.
A partir daí, os aeroportos locais ressentiramse disso com alguns passageiros a desistirem da viagem na sequência de revelações sobre as idades das aeronaves utilizadas pelas companhias aéreas domésticas, enquanto outros mudaram de com panhias aéreas no Aeroporto Nnamdi Azikwe, e Abuja.
“Eu não quero acreditar que temos aeronaves de 30 anos na Nigéria. O governo deve nos ajudar a sanear esse sector. Nos últimos 30 anos, tenho vindo a voar, mas eu nunca cruzei com estas estatísticas tão as sustadoras”, disse na ocasião Michel Odoga, um passageiro que se pre parava para embarcar de Abuja para Lagos, tendo de imediato cancelado a sua viagem.
“Todas as companhias aéreas da minha escolha têm frota antiga e estou psicologicamente com medo.
Definitivamente, vou cancelar o meu voo para Lagos “, salientou bastante preocupado, Alaba Babatunde.
Mas o Assessor de imprensa do ministro da Aviação, Joe Obi, em re acção à situação, disse que não havia nenhuma base para pânico a julgar pela idade das aeronaves que efectu am os voos domésticos na Nigéria.
Para Joe Obi, a idade nada tem a ver com a dignidade do ar. A verda deira questão é sobre a manutenção.
O Governo Federal tomou medidas próactivas, proibindo aeronaves acima de 22 anos. A idade não tem nada a ver com merecimento de uma aeronave, é sobre a manutenção que temos que nos preocupar.
“Não há necessidade de pânico por parte dos viajantes aéreos”, dis se, Joe Obi tendo acrescentado que “o nosso espaço aéreo é seguro”.
Questionado sobre se o ministério está a emitir directivas de seguran ça para as companhias aéreas, Obi disse existirem normas permanentes requeridas pela NCAA, e agora cabe às companhias aéreas cumprir com essas leis e olhar para dentro.
Das oito companhias aéreas exami nadas, a menor idade das aeronaves que operam no país é de cerca de dois anos. Alguns aviões têm uma idade média de 25,6 anos e a faixa etária mais velha é de 30,2 anos.
A Dana Arlines que perdeu o avião no acidente de 3 de Junho, tinha cin co aviões da marca Boeing, modelo McDonnell Douglas (MD83), pas sando agora a ter menos um. O avião do acidente tinha 22 anos de fabrico.
Deste lote, três deles têm mais de 21 anos, e o quarto tem 20 anos e nove meses de uso.
Da frota dessa companhia, o avião mais recente foi adquirido a 11 de Maio de 2012, mas já tem 20 anos e nove meses de uso, dois deles em 2008 e um em 2009.
A First Nation opera com três Airbus, modelo A320212. As três aeronaves foram adquiridas em Abril do corrente ano, mas duas delas têm acima dos 19 anos e outra 17 anos e sete meses de uso.
A IRS possui cinco aviões do tipo Fokker (F100). Três deles foram comprados em 2010, um em 2009 e outro em 2004. Deste lote, quatro têm mais de 22 anos, enquanto um vai já com mais de 18 anos de acti vidades.
A Overland tem dois aviões do tipo ATR, adquiridas respectivamente em 2005 e em 2010. A aquisição de 2005 tem 25 anos e seis meses de uso, enquanto a de 2010 já vai com 18 anos e sete meses a rasgar os céus da Nigéria.
A Air Nigéria tem 12 aeronaves, sendo cinco Boeing 73733V, dois Embraer ERJ190100 IGW, dois Boeing 73733A, um Boeing 737 36N, um Boeing 7374Q8 e um Airbus A330243.
Desta frota, dez foram adquiridas em 2010, duas em 2011 e uma em 2012, sendo o Airbus a que menos tempo tem, seis anos e sete meses.
De resto, tem um Boeing com mais de 18 anos, dois com mais de 15, dois com mais de 13 e três com mais de 12 anos de utilização.
A companhia Chanchangi tem seis aviões do tipo Boeing, sendo um 737217A, três 737282A, e dois 737 3J6. Desta frota, um Boeing 217A foi adquirido em 2004 e tem mais de 30 anos de uso. Outros dois têm 29 anos, um de 22 anos e nove meses e dois de 21 anos e três meses res pectivamente, sendo a companhia recordista em idades avançadas.
A Aero tem 12 aeronaves, sendo 11 do tipo Boeing 737, repartidas entre sete B737522, dois B7374B7 e dois B73742C. Deste conjunto de meios aéreos constam um avião com mais de 22 anos, dois com mais de 21 anos, três com mais de 20, cinco com mais de 19 e um com 12 anos e nove meses.
Arik, a maior companhia aérea da Nigéria, e que faz duas ligações se manais entre Lagos e Luanda, desde Janeiro do corrente ano, é aquela que maior número de aviões tem na sua frota e a única que tem apenas três aviões com mais de dez anos de vida.
Neste momento, a Arik opera com 21 aviões, sendo 13 Boeing 737 de vários modelos, quatro Canadair CL6002D24, dois De Havilland Canada DHC8402Q Dash 8 e dois Airbus A340542.
Desta frota, três Boeing 73776N (WL) têm 11 anos e três meses, três com cinco anos, cinco com quatro anos, três com três anos e dois com dois anos e sete meses. Os aviões das marcas De Havilland Canada e Canadair foram adquiridas em entre 2006 e 2009, mas não contam as datas de fabrico.
Pelo menos três aeronaves suposta mente em condições precárias ainda operam com uma das companhias aéreas existentes no país, revelou sábado ao Jornal “Tribune”, uma fonte dos serviços de controladores aéreos da Nigéria.
Segundo ele, a aludida companhia aérea de forma flagrante tem vindo a desafiar várias ordens das autori dades da aviação e foi registado em várias ocasiões por funcionários do controlo de tráfego aéreo.
O alto oficial de controlo de tráfe go aéreo revelou que há aviões que operam na Nigéria que são de facto “uma bomba prestes a explodir” e mesmo assim a companhia aérea não se importa a mínima”.
A fonte, que pediu anonima to, observou, ironicamente, que tal companhia tinha na sua frota aeronaves tecnicamente deficientes e descreveu a condição dessa aeronave como pior do que o avião da Dana Airlines acidentado.
Segundo aquele especialista, sempre citado pelo Jornal “Tribune”, uma das aeronaves, cuja companhia a fonte não revelou, teve dois inci dentes há três meses atrás, é está no livro de registo.
Era tão terrível na medida em que eu escrevi dois relatórios sérios sobre o assunto. Numa ocasião, foi cam baleando, não conseguia decolar, noutra ocasião, ele decolou e perdeu o contacto via rádio.
Segundo a fonte, para uma ae ronave ser autorizada a voar, passa por um reparo técnico ou revisão do motor, mais tarde certificada pela Autoridade de Aviação Civil da Nigé ria (NCAA) e liberado sem qualquer falha técnica.
No que diz respeito à Acta da NCAA, eles são o corpo principal au torizado para certificar as aeronaves que operam no país. Eles têm seus próprios desafios também.
A Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO) é uma entidade que certifica as aeronaves antes de entrar em operação. Ao mesmo tem po, ela diz que quando uma aeronave tem série de incidentes/relatórios, esta aeronave não deve voar.
No prazo de um ano, se houver seis ou sete relatórios/incidentes com aeronaves, então é suposto que essa aeronave seja embargada de levantar voo. “No que diz respeito a aeronave da Dana Air, se eu ver o meu livro de registo, posso te dizer que isso já aconteceu duas vezes. Em Abuja, os incidentes eram tais que a aerona ve iria decolar e, posteriormente, solicitou uma aterragem prioritária “, alegou.
A fonte, no entanto, reiterou que a idade de uma aeronave não impor ta realmente, observando que “o procedimento local da aviação deve estipular que uma vez que um avião tem cerca de seis ou sete incidentes num ano, ele está apontando na direcção do perigo. Assim, a morali dade deve imperar sobre aqueles que verificam as aeronaves.
“A aeronave da Dana Airlines teve dois incidentes. Se eles realmente querem chegar à raiz do assunto, devem verificar o relatório do ano passado sobre esta aeronave para o NCAA. Quer dizer, o relatório feito pela torre de controlo de tráfego aé reo, o diário de bordo, etc “, alegou.
Ele também observou que o pro blema ou lapso pode também estar do lado dos controladores de tráfego aéreo e pilotos, observando que, “quando o controlador de tráfego aéreo é achado em falta por ‘mau uso’ do controlo em várias ocasiões, em conluio com os pilotos no ar, ou quando são incompetentes ou deso bedientes, devem ser sancionados ou ter sua licença caçada.” Ele também denunciou a violação do período mínimo de descanso de pilotos recomendadas pela ICAO, atribuindoo a factor económico de algumas companhias aéreas e a bus ca excessiva por dinheiro por parte dos pilotos.
“Para cada pouso o piloto colec ciona um subsídio determinado, mas a ganância das companhias aéreas acabam por empurrar os pilotos a voar mais do que as horas míni mas necessárias, que por sua vez afecta a sua eficiência operacional”, observou. Ele observou ainda que os agentes de controlo de aeronaves foram, por vezes, instados a agir para evitar acidentes ou perigo, porque “eles não estão autorizados a impedir a companhia aérea de voar com defeito, eles só podem fazer a recomendação à NCAA que, alegou, muitas vezes tratam essas questões com leviandade.”
Operadores de linhas aéreas da Nigéria (AON) opõemse à revisão do Governo Federal, das opera ções de linhas aéreas domésticas e a adequação das suas aeronaves, como recomendaram recentemente os parlamentares nigerianos e mais tarde previamente acatadas pelo Governo.
Eles argumentaram que ao proce der desta forma o Governo Federal estaria a violar as melhores práti cas internacionais da indústria da aviação civil, observando que já há entidades mundiais encarregadas de tais responsabilidades.
Em vez de tentar fazer as com panhias aéreas de bode expiatório para a decadência do sector, o grupo pediu ao governo a aceitar a culpa pela podridão porque a situação era produto de inconsistência nas políti cas da aviação.
A ministra da Aviação, Stella Odu ahOgienwonyi, disse a jornalistas em Abuja, na quartafeira, que o presidente Goodluck Jonathan havia aprovado um painel administrativo para auditar todas as companhias aéreas que operam no país.
Para exgovernador do estado de Lagos e líder nacional do Congresso da Acção da Nigéria (ACN), Bola Ahmed Tinubu, os nigerianos podem ser poupados de mais percalços do coração por problemas de queda de aeronaves, se o governo atacar a causa raiz do problema.
Tinubu aconselhou o governo a apertar os regulamentos e assegu rar padrões, revalidar as licenças operacionais e de aeronavegabilidade da aeronave de todos os operadores e fazer cumprir as regras de se gurança. Nesta segundafeira, 11, estava previsto o início do painel técnico e administrativo para rever as práticas técnicas e administrativas das companhias aéreas regulares da Nigéria. A criação do painel foi solicitado depois do acidente com o Dana 9J0992 .
O ministro da Aviação, numa declaração feita para o jornal “The Guardian”, explicou que todos os nove membros do painel são profissionais da aviação qualificados com muitos anos de experiência na indústria.
Air Revisão completa das práticas de manutenção de Dana Air, bem como todos os outros operadores nacio nais, avaliar o seu nível de conformi dade com a aviação civil da Nigéria, são alguns dos itens que constam do check up a efectuar às operadoras.
Do mesmo modo, deve ainda ser avaliada a eficácia ou não de supervisão da NCAA das práticas de manutenção das companhias do mésticas regulares e outros aspectos legislatórios; Analisar as práticas de gestão e cultura de segurança existentes na Dana Air até o momento do aci dente; Rever as práticas de gestão e cultura de segurança de todas as companhias aéreas nacionais regulares, devendo fazer conclusões e recomendações ousadas para o Governo Federal em todos os termos de referência acima mencionados, com vista a melhorar significativa mente a segurança do espaço aéreo nigeriano.
O SecretárioGeral da AON, Mohammed Joji, disse aos jorna listas em Lagos que pela acção, o governo tinha reservado as fun ções da investigação dos acidentes ao Bureau (AIB) e Civil nigeriana Aviation Authority (NCAA), que são agora confrontados com a auditoria da aeronavegabilidade da aeronave e investigação de acidentes.
Ele disse que o painel tinha envia do sinais errados para a comunidade internacional, que veria a Nigéria como estando a minar as leis da aviação, especialmente quando os Estados Unidos Federal Aviation Ad ministration (USFAA) tinham dado Categoria Um, há dois anos atrás.
“A Nigéria não é o maior hub em África, ainda que tenha registado al guns dos mais desastrosos desastres aéreos evitáveis. Na última década, tivemos cinco desastres mortais.
Quase uma semana depois do acidente aéreo, pelo menos, quatro aviões comerciais de companhias internacionais e uma local foram colocados em risco, na sextafeira, no Aeroporto Internacional Nnamdi Azikiwe (NAIA), Abuja, a capital, devido a falta de comunicação no aeroporto, obrigando os voos a serem desviados para o Aeroporto Murtala Muhammed, em Lagos.
O incidente causou momentos de ansiedade, especialmente entre aqueles que estavam no NAIA aguar dando a chegada de passageiros nos voos.
A gestão do espaço aéreo nigeriano Authority (NAMA) atribuiu o apagão no sistema de comunicações aos tra balhos que estavam a ser realizados na pista do aeroporto, dizendo que a situação obrigou o encerramento do aeroporto para tráfego aéreo entre 11 da manhã e às 18 horas da passada sextafeira, 8. De acordo com NAMA a situação foi comunicada às compa nhias aéreas.
Os voos afectados pelo incidente de sextafeira, segundo fontes da aviação, foram operados pela Luf thansa, Air France, British Airways, todas as companhias aéreas estran geiras e Arik, um operador local.
O jornal “Vanguard” apurou no domingo que o voo da Lufthansa era proveniente de Malabo (Guiné Equatorial), enquanto o voo da Arik saia PortHarcourt.
O voo Arik teria chegado a Abuja às 06H30 da manhã, mas teve de ser desviado para a antiga capital federal devido ao apagão.
Os desvios dos voos deixaram os passageiros para embarcar presos no aeroporto de Abuja, e, consequen temente, acomodados na capital federal pelas companhias aéreas.
Funcionários da NAMA disseram ao Jornal “Vanguard”, que a entida de emitiu um aviso aos militares da Força Aérea (NOTAM) para todas as companhias aéreas informandoos sobre o desenvolvimento. Segundo eles, os reparos num segmento da pista começaram a 7 de Fevereiro e terminam a 30 de Junho.
Decorrem trabalhos de expansão avental e modernização do sistema de luzes de aproximação na pista 22/4 de Cat 1 para Cat 11, em confor midade com o sistema de iluminação da pista da ICAO.
Especialistas em aviação disseram que as companhias aéreas ficaram horrorizadas, especialmente pelo facto de ter ocorrido na Nigéria um acidente aéreo que ceifou centenas de vidas.
Eles foram unânimes em con siderar que o país teve a sorte que nenhum dos aviões desviados estava em emergência e que tinham que pousar a qualquer custo no aeropor to de Abuja.
Funcionários dos Estados Unidos da América, EUA, National Trans portation Safety Board chegaram na Nigéria para ajudar a investigar o acidente de 3 de Junho, com o avião da Dana Airlines Ltd.. As autoridades norteamericanas irão trabalhar ao lado de técnicos da Investigação de Acidentes da Nigéria, AIB.
O portavoz da AIB, Tunji Oke tunbi, disse que os investigadores norteamericanos devem trabalhar connosco para recolher materiais e provas. Eles vão estar connosco ao longo da investigação.
Os gravadores à prova de choque do jacto, conhecida como caixa preta, foram enviados para os EUA na semana passada para análise.