Sob insígnia Kero foi inaugurado, no passado sábado, o maior hiper- mercado de Angola. A nova mega-superfície envolveu um investimento de USD 35 milhões e é a primeira loja da insígnia, detida pela sociedade de capitais inteiramente angolanos Zahara Comércio S.A., a qual pro- jecta obter uma cobertura nacional e empregar a marca Kero em três distintos formatos: o hipermercado, o supermercado e as lojas de conveniência, sendo que estas últimas se designarão Kero Express. Para já, disse o director-geral do Kero, João Santos, a O País, o Kero ainda mede bem os passo, pelo que ainda não tomou decisões definitivas quanto ao segundo a dar, nem quanto à localização da loja nem quanto ao formato que vai acolher a insígnia: “encontramo-nos numa fase de es- tudo de mercado no que respeita à abertura de novas lojas mas quere- mos, prioritariamente, consolidar esta primeira loja”.A Zahara é uma sociedade de capital inteiramente angolano e contou, neste primeiro investimento, com o apoio do Banco Atlântico. “Os USD 35 milhões assentam num misto de capitais próprios e nos recursos libertos em resultado da parceria com o Atlântico”, precisa João Santos.
Aquela que passa a ser a maior loja retalhista de Angola dispõe de uma área de venda de 7.500 metros qua- drados, abrangendo uma área total de construção de 11.000 metros quadrados. Dispõe ainda de um par- que de estacionamento, de utiliza- ção gratuita, capaz de albergar 600 viaturas. A linha de caixa envolve 35 boxes, ou seja, operadoras, a traba- lhar em simultâneo. Nas prateleiras da nova superfície estarão presentes 20.000 produtos abarcando um vasto sortido: desde produtos frescos a mercearia, higiene e limpeza e cosmética, vestuário, têxtil para o lar, papelaria, brinquedos, electrónica e electrodomésticos.
A nova superfície comercial conta ainda com uma galeria de 14 lojas (já lá se encontra o Atlântico com terminais multicaixa, uma Casa de Câmbios e a Movicel). Segundo João Santos esta galeria destina-se a “suportar o negócio e nela estarão presentes áreas de serviços, tais como bancos, casas de câmbio, lojas de telecomunicações, lavandaria, entre outros serviços”.
Trata-se de um investimento que permitiu a criação de 500 postos de trabalho directos, envolvendo 18.000 horas de formação e ainda de 150 postos de trabalho indirectos que, diariamente, estarão associados à actividade da loja.
A massa crítica disponível para a gestão do projecto assenta em angolanos que detêm know-how sobre o negócio, contando ainda com o concurso de 16 expatriados. “Na escolha de formadores, o Kero tem sobretudo em atenção, refere João Santos, “a qualidade e a assistência a fornecedores, sobretudo a nível logístico”.
A nova cadeia irá privilegiar a produção nacional, assegura o seu director-geral, sobretudo no que toca a “tudo o que é perecível, designadamente à peixaria e às carnes – a produção nacional terá 95% de quota neste segmento de produtos”. Daí o enfoque colocado na formação quanto ao relacionamento com os fornecedores.
O director-geral do Kero enunciou cinco pilares para a estratégia da marca: posicionamento pelo preço, prosseguindo o objectivo de apresentar argumentos “extremamente” competitivos, quer na área alimentar como na não alimentar; sortido muito alargado de produtos; atendimento diferenciador em que o cliente é encarado como o “patrão” do negócio; promoção, em primeira linha, da produção nacional, fazendo uma aposta “inequívoca” nos produtores e fornecedores nacionais, nas pequeno agro-indústrias; assegurar uma cadeia de abastecimento constante de modo a evitar rupturas.
Ludgério Pelitanga, director de gabinete do Ministério do Comércio, que inaugurou a nova loja em representação da ministra da tutela, Idalina Vicente, considerou que este tipo de investimento corresponde por inteiro às novas regras definidas na Constituição Económica. Relevou o facto de já se encontrar completado e publicado o novo pacote regulamentar relativo ao licenciamento da actividade comercial, o qual abrange tanto o comércio retalhista como o grossista, e ainda as actividades de importação e exportação de mercadorias. Pelo que, considerou, “para além da Lei das Actividades Comerciais podemos dizer que dispomos agora de todos os instrumentos necessários para estarmos todos disciplinados no exercício da actividade comercial”.
Para o representante da ministra do Comércio “a iniciativa do Kero é muito oportuna, pelo menos não vão existir carências na perspectiva da regulamentação da vossa actividade”. “A grande estratégia de rede que apresentam, sublinhou, coincide com a estratégia que o sector aprovou para os próximos anos”. A inauguração da nova loja teve a bênção do Reverendo Padre Reinaldo.