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Petróleo

Preço do barril recuperou até... à estagnação europeia

Depois da tempestade a bonança. Muito relativa. Mas após afundar, dia 8 deste mês, para mínimos de 10 meses na sequência do pânico provocado nos mercados pelo corte da notação de risco da dívida soberana dos Estados Unidos pela agência de rating Standard & Poor ́s, o preço do barril de crude foi recuperando, em linha com a recuperação dos principais mercados accionistas.

A temperatura mantém-se volátil mas, apesar de tudo, o Brent, que dia 8 chegara a negociar no mercado londrino abaixo da fasquia dos USD 100, já superava, no dia seguinte, os USD 104 o barril. Dia 10 o Brent superava mesmo dos USD 106 o barril, um ganho de 3,72%, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), transaccionado no mercado de Nova Iorque, avançava 3,75%, ultrapassando os USD 81,5.

O anúncio da Federal Reserve (Fed) de que iria a sua taxa de juro de referência próxima do nível zero até 2013 ajudou.

A expectativa de que as reservas de crude venham a mostrarse inferiores ao esperado também contribuiu positivamente para o comportamento do preço do barril. Dia 11, a crise do euro pairava como uma sombra sobre os preços mas o anúncio, pelo Departamento de Energia norte-americano, de uma forte contracção das reservas de crude nos Estados Unidos compensaram os receios de contágio das dificuldades da Zona Euro ao outro lado do Atlântico. Os futuros de Brent atingiam os USD 107,25 e os de WTI, para entrega em Setembro, os USD 107,25. Dia 12 o petróleo subia pela terceira sessão consecutiva. Os contratos de Brent ultrapassavam os USD 108,7 e os de WTI aproximavam-se dos USD 87. Dia 15, segunda-feira, o barril de Brent já superava os USD 109 e o WTI mantinha-se próximo dos USD 87.Wall Street, apesar dos receios da desaceleração da economia norte-americana, que continua a apresentar sinais contraditórios, animava com algumas operações, como a da compra da Motorola pela Google. E a economia japonesa contraia-se menos que o previsto (recuou a uma taxa anual de 1,3% no segundo trimestre, quando se apontava para uma contracção de 2,5%).

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E chegou terça-feira e as notícias da estagnação europeia e desaceleração da sua locomotiva a economia alemã. O Brent descia novamente abaixo dos USD 109 e o WTI negociava nos USD 86,75.

O barril de referência da Opep reflectia, até segunda-feira, a recuperação do preço do crude. Dia 15 cotava-se, com efeito, a USD 104,78 mais do que o registado na sexta-feira anterior, dando sequência à sua recuperação da forte queda da semana passada, quando, arrastado pela queda das bolsas internacionais, retrocedeu até USD 101,20 (na quarta-feira), o seu nível mais baixo desde 21 de Fevereiro. Apesar da recente queda do preço, o petróleo da Opep mantém uma forte alta anualizada: há um ano era vendido por cerca de USD 73 por barril.

Resta agora saber como reagirão os mercados face à crise europeia, agora marcada pela estagnação económica e às suas hipóteses de contágio da economia mundial.

Muito depende da evolução da economia dos Estados Unidos e das economias emergentes, com a chinesa à cabeça, não vacilarem no actual contexto internacional.


Luís Faria
20 de Agosto de 2011
18:53
 
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