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Construção

Odebrecht já investiu USD 1000 milhões no sector imobiliário nacional

A Odebrecht já investiu perto de USD 1.000 mil milhões no sector imobiliário, residências e escritórios, em Angola, tendo conseguido superar o que o seu director de contrato, Félix Martins, os “difíceis” anos de 2009 e 2010 sem paralisar qualquer contrato , e ainda antecipando alguns prazos de entrega.

Félix Martins considera que o “segmento residencial de alto padrão” regista uma oferta superior à demanda, que se localiza agora nos segmentos médio e baixo. Só que este depara-se com um obstáculo: o acesso ao financiamento bancário: “os riscos para a banca são muito elevados ainda. Por outro lado, os materiais ainda são na esmagadora maioria importados, o que eleva os custos”, reconhece o principal responsável pela área imobiliária da empresa brasileira, a maior empregadora privada em Angola. Pelo que, acrescenta “há que conseguir que a banca seja mais segura, que os seus riscos sejam mais diluídos, como há que rever a questão da legislação especifica (com intuito de dar maior garantia aos financiadores de empréstimo/banca credor)”.

Félix Martins não hesita em admitir que “a demanda existe e desde que as pessoas tenham acesso ao crédito vão gerar-se novos negócios”. E a Odebrecht, pioneira do projecto Luanda Sul, mais concretamente Talatona, está atenta às novas oportunidades. Para já, o ramo imobiliário do gigante brasileiro, está envolvido no lançamento da quarta etapa do Belas Business Park, um projecto orçado entre USD 90 e USD 100 milhões e num projecto no Lobito, que considera uma aposta segura graças ao desenvolvimento que será induzido pelas infraestruturas que ali se encontram em curso, como a nova refinaria ou o porto. Também ao novo empreendimento projectado para o Lobito serão afectados entre USD 90 e USD 100 milhões. A Odebrecht olha para além de Luanda, o Lobito será a primeira escala fora da capital. Oportunidades em outras províncias já estão sendo avaliadas. “Estamos atentos a oportunidades no setor imobiliário e estruturados para maximizá-las em todos os seus segmentos. ”, assim como que resume Félix Martins o processo de expansão.

Nova centralidade

A Odebrecht, uma empresa de origem brasileira de raiz familiar e dimensão global, presente em mais de 30 países, onde emprega mais de 118 mil pessoas em áreas diversificadas que vão da infra-estruturas e construção á energia, passando pela mineração, pelos shopping-centers e pelo imobiliário, está em Angola há 27 anos. A entrada no grupo no mercado imobiliário é indissociável da oportunidade que se abriu com as perspectivas de desenvolvimento de uma nova centralidade, Luanda Sul, mais precisamente Talatona. Tratava-se, no fundo, de uma parceria entre o sector privado e o governo. A primeira aposta foi o condomínio Atlântico Sul, em 1997. “Em 2004 e 2005 percebemos que a economia já dava sinais de aquecimento e que em Talatona existia uma oportunidade para actuar e contribuir para requalificação urbanística da região, já havia um projecto urbanístico, um plano director. Esta região era claramente percepcionada como um vector de crescimento. Apostámos, deu certo”, lembra Félix Martins.

Foi, para a Odebrecht, o pontapé de saída para o investimento no sector imobiliário no nosso país. Havia contudo que ancorar os empreendimentos e havia também a experiência da Bahia(?): “na década de 1970 o centro de Salvador foi ficando congestionado, carregado e havia uma região que podia ser o motor de crescimento”, adianta o responsável da Odebrecht. Importava então de aproveitar a experiência, que inventar uma âncora, uma centralidade no interior dessa imensa nova centralidade. E assim surgiu o Belas Shopping: “percebemos que havia que trazer algumas infraestruturas para que o barco se desenvolvesse, o Belas Shopping funcionou como uma âncora, trouxe desenvolvimento, modernidade”, explica Félix Martins.

Prova de confiança

Foram anos dourados. A economia disparava, a liquidez abundava, as oportunidades sucediam-se naturalmente. Seguiu-se o Riviera Atlântico, a Morada dos Reis, as Vivendas São Paolo de Loanda, as mansões do Vale, a Arte Yetu. “As empresas começaram a vir, precisavam de escritórios estruturados. Arrancou a segunda fase Belas Business Park que, num ápice, via todas as suas unidades vendidas. “Muitas empresas empolgaram-se com o mercado, a economia estava aquecida, com muita liquidez e os imóveis super valorizaram-se. Os nossos produtos foram vendidos a 100% no lançamento, o que não significa, naturalmente, que recebêssemos os 100%, mas havia o compromisso com o cliente.

E seguiram-se os anos amargos da crise. E para a Odebrecht respeitar os compromissos quanto a entrega das obras, quanto a prazos foi um ponto de honra, mesmo que a ginástica financeira exigida fosse grande – “chegámos a confrontarnos com dificuldades de liquidez, supridas pela empresa ou por pequenos financiamentos contraídos junto da banca angolana, chegámos a ter atrasos de USD 40 milhões em 2009 e 2010”, confessa Félix Martins, para quem “2010 foi mais uma    prova de confiança no país (e respeito para os nossos clientes), não paralisámos nenhuma obra, entregámos os empreendimentos dentro do prazo, garantindo para os clientes o prazo previsto para retorno sobre o investimento.”.

Investir na formação

Mas ficou a experiência: “construir em 2007 e 2008 foi uma aprendizagem. A demanda era muito forte e tínhamos pouca mão-de-obra qualificada. Os custos se não inviabilizaram reduziram as margens de alguns projectos”. O que explica, segundo o responsável da Odebrecht, a forte aposta na qualificação, na formação de nacionais, a qual é encarada como um investimento, não como um custo. “Fizemos aqui um trabalho de formação muito importante”, sublinha. E explica porquê: “sentimos muito a questão da produtividade local, imaginámos que era uma e deparámo-nos com outra, muito mais baixa. A resposta foi formar com base num programa de capacitação. “Nunca perdemos o foco, a maioria dos nossos trabalhadores são quadros nacionais. O nosso índice de produtividade quase que triplicou”, revela Félix Martins. E é este o segredo para o facto de a Odebrecht cometer a originalidade de antecipar prazos de entrega, como acontece com o empreendimento Noblesse Residence, que tinha como prazo de entrega Abril de 2012. “No Noblesse, precisa o responsável da Odebrecht, fizemos uma selecção e ter uma equipa muito qualificada muito produtiva, o empreendimento foi mais estruturado e houve a vontade de se diferenciar no mercado”. Reconhece: “podiamos ter ajustado o ritmo, mas vimos uma oportunidade de nos diferenciar face aos clientes, mostrar compromisso, seriedade, corresponder há confiança que eles depositaram em nós”.


Luís Faria
28 de Agosto de 2011
11:39
 
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Comentários

  1. Alexandre da Motta Furtado
    2012-07-16 01:57:01
    Félix Martins, foi um prazer ter trabalhado com voce no BELAS e na ODEBRETCH quem sabe um dia possamos trabalhar juntos novamente e nessa Grande empresa ,não sei se veras o que escrevi mas fiz parte da central de esquadrias foi pouco tempo talvez deveria ter ficado um pouco mas ,opitei em ir embora mas valeu grande abraço SUCESSO E TAMO JUNTO ......
  2. Axl Lino
    2011-08-28 22:43:17
    A produtividade demostrada pelos seus funcionários, permitiu a Odebretch obter margem de lucros superior ao esperado, deste modo seria bom que esse excedente fosse repartido entre todos funcionários através do respectivo premio de produtividade, pois, tem sido hábito nas grandes empresas ser somente dividido entre os funcionários seniores. bom trabalho
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