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Prémios das seguradoras duplicaram em dois anos

O volume da carteira de prémios das seguradoras nacionais vem crescendo acima da própria economia, com o seguro automóvel a deter a liderança no conjunto da produção total. A esmagadora maioria dos prémios concentra-se no ramo Vida A produção seguradora evoluiu, entre 2008 e 2010, muito acima da taxa de crescimento da economia (51% em 2009 e 38,1% em 2010), apresentando, no entanto, ainda uma reduzida penetração quando comparada com a dos mercados mais maduros

E m apenas dois anos, entre 2008 e 2010, os prémios de seguro directo quase que duplicaram no mercado segurador nacional, passando de Kz 36,484 mil milhões em 2008 para Kz 76,054 milhões em 2010, revela um estudo divulgado esta semana pela consultora KPMG, intitulado ‘Análise do Sector Segurador e dos Fundos de Pensões em Angola’. A produção seguradora evoluiu, entre 2008 e 2010, muito acima da taxa de crescimento da economia (51% em 2009 e 38,1% em 2010), apresentando, no entanto, ainda uma reduzida penetração quando comparada com a dos mercados mais maduros.

A esmagadora maioria dos prémios concentra-se no ramo não Vida, que representa mais de 90% da produção total das seguradoras (mais de Kz 72,563 mil milhões). O ramo Vida, apesar do crescimento registado entre 2008 e 2010 (27,8%) continua mesmo a perder importância relativa no conjunto da actividade seguradora, representando menos de 5% do total.

Entre as componentes do ramo não Vida é de assinalar o crescimento do ramo automóvel, bem como do ramo acidentes, doenças e viagens. Em contrapartida, vêm perdendo peso o ramo petroquímica (que os autores do estudo atribuem à ‘maturidade do sector’ e à capacidade ‘do mesmo oferecer produtos capazes de servir e segurar os diversos sectores e actividades da economia angolana’) e o ramo incêndio e elementos da natureza. Já o ramo transportes apresenta uma evolução mais errática nos dois anos considerados, decaindo em 2009 (provavelmente por efeito da crise) para voltar a subir em matéria de produção, e acima do nível de 2008 (mais de Kz 5,787 mil milhões) no ano de 2010.

Automóvel lidera

O ramo automóvel, certamente na sequência da entrada em vigor da legislação que estabelece a obrigatoriedade do seguro de responsabilidade civil automóvel, passou a liderar, em 2010, a produção das seguradoras nacionais, superando o montante de prémios afecto ao seguro de acidentes, doenças e viagens. Os prémios de seguro automóvel, que se situavam em Kz 6,013 mil milhões em 2008, ascenderam a Kz 21,219 mil milhões em 2010, ou seja, se em 2008 representavam 16,5% do total dos prémios, atrás dos sectores acidentes, doenças e viagens e petroquímica, em 2010 lideravam a actividade não Vida com27,9% do conjunto dos prémios.

O ramo Vida representava, em 2010, apenas 4,6% da produção seguradora, recuando mesmo em relação aos dois anos precedentes. O montante dos prémios ascendia no ramo Vida, em 2010, a Kz 3,491 milhões. O documento da KPMG considera, no entanto que ‘com o crescimento da economia angolana, a revisão do sistema tributário e fiscal e o desenvolvimento do mercado de capitais (bolsa de valores), é expectável uma inversão desta tendência, principalmente por via do aumento do consumo de produtos de natureza financeira, em linha com os principais mercados internacionais’.

As indemnizações pagas pelas seguradoras aumentaram 17,1% de 2009 para 2010 e 50,6% de 2008 para 2009, tendo atingido em 2010 Kz 15,225 mil milhões. No entanto o forte crescimento dos prémios contribuiu para a redução da Taxa de Sinistralidade, que, em 2010 cerca de 20,0%, um valor se situa bastante abaixo de outros mercados e deverá, de acordo com o estudo, ‘aumentar à medida que existir um melhor conhecimento por parte dos tomadores de seguros dos seus direitos e aumentar a cultura de seguros em Angola’.

A nível de Resseguro, a taxa de cedência média foi, em 2010, de 50,3% do total de prémios emitidos, um valor que representa uma queda relativamente a 2009, quando o peso do resseguro sobre o total de prémios emitidos ascendeu a cerca de 56,6%. O estudo considera expectável uma continuação da redução da taxa de cedência, em linha com os valores registados em mercados mais maduros.

Boa rentabilidade

Em 2010 os resultados técnicos do sector voltaram a crescer, representando uma subida de 15,3% face a 2009 (incluindo Resseguro). O resultado técnico global ascendeu, em 2010, a Kz 18,263 milhões, o que traduz um crescimento de 15,3% face ao ano precedente, depois de, em 2009, o resultado técnico das seguradoras ter subido 150,1%. Estes resultados reflectem a boa rentabilidade do sector em geral e as taxas de sinistralidade relativamente baixas.

A taxa de penetração (Prémios/ PIB) tem vindo a aumentar, apresentando porém valores reduzidos e na ordem de1,0%. Ao nível da densidade (prémios/população), apesar do aumento, o valor registado em 2010, de USD 49,6 por habitante, é ainda bastante reduzido, comparativamente com outros mercados. Estes valores evidenciam bem o elevado potencial que o mercado apresenta, sobretudo quando se tem em conta que a economia angolana apresenta um elevado potencial de crescimento.

A carteira de investimentos das seguradoras é fundamentalmente constituída por activos imobiliários (79% em 2010) e depósitos a prazo (12% em 2010). O estudo refere que esta elevada concentração é explicada pelo grau de evolução do mercado angolano, esperando-se alterações com o desenvolvimento do mercado de capitais/bolsa de valores angolana’.

luís faria
26 de Abril de 2012
14:20
 
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