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Internacional

Escolha de Obama foi a do Banco Mundial

A escolha de Obama para presidir ao Banco Mundial, Jim Yong Kim, foi esta semana coroada pela organização

O Banco Mundial (BM) anunciou segundafeira a escolha de Jim Yong Kim, candidato apoiado pelo presidente norte-americano Barack Obama, como o seu novo presidente.

Mantém-se assim a tradição de as personalidades que presidem às duas maiores instituições financeiras internacionais Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Mundial serem as indicadas pela Europa e Estados Unidos, deixando de fora as pretensões das economias emergentes que, de acordo com o próprio FMI, sustentam o crescimento da economia global. Desde a fundação do Banco Mundial, após a Segunda Guerra Mundial, a presidência da instituição é assegurada pelos Estados Unidos, enquanto a direcção-geral do FMI sempre foi confiada a um europeu.

Todavia, esta eleição trouxe um facto novo. Ao contrário das decisões anteriores, não houve unanimidade. “Os candidatos finais receberam apoio de diferentes Estados-membros, o que refletiu o alto calibre dos candidatos”, disse o Bird sobre o anúncio do seu conselho. Kim, presidente do Dartmouth College, assumirá o cargo no próximo dia 1 de Julho, assim que o actual presidente, Robert Zoellinck, deixe o lugar.

Défice democrático

A ministra nigeriana de Finanças, Ngozi Okonjo-Iweala, candidata apoiada pela Nigéria, Angola e África do Sul à presidência do Banco Mundial, felicitou o presidente eleito da organização mas criticou o sistema de escolha. Em declarações à imprensa na última segunda-feira em Abuja, Okonjo-Iweala comprometeu-se a trabalhar com Kim, apontando, no entanto, para a necessidade de um processo de selecção “mais aberto, transparente e que leve em conta os méritos, para assegurar que não haja um défice democrático na governação global”. Okonjo-Iweala salientou ainda o facto de uma mulher africana ter sido candidata a um cargo que sempre foi exercido por homens americanos desde a criação da instituição. “Ganhámos uma importante batalha. Demonstrámos que a África pode produzir gente capaz de tramitar na entidade”, referiu Okonjo-Iweala.

A ministra nigeriana reconhecera a sua derrota poucas horas antes de ser conhecida a designação de Kim e afirmara que a escolha não se baseara no mérito dos candidatos.

Aos 57 anos, Okonjo-Iweala dedicou mais de 20 ao Banco Mundial.

“A decisão não foi tomada com base no mérito. Os votos são atribuídos em função do peso político e dos apoios, pelo que venceram os Estados Unidos”, disse a candidata.

A disputa envolveu três candidatos até sexta-feira, dia em que o ex-ministro das Finanças da Colômbia, José Antonio Ocampo, anunciou que se retirava da corrida para concentrar o apoio dos países emergentes num único nome.

Também Ocampo considerou que o processo, que deveria ter como base as credenciais dos candidatos, se tornou eminentemente político.

O ministro das Finanças da África do Sul, Pravin Gordhan, sublinhou o facto de não-americanos terem disputado o cargo pela primeira vez, manifestando, de igual modo, preocupações quanto á possibilidade de o processo de designação não ter assentado exclusivamente no mérito dos candidatos. “Acho que vamos descobrir que o processo ficou aquém disso”, disse Gordhan à Associação dos Correspondentes Estrangeiros na África do Sul, acrescentando que também houve “sérias preocupações” de que a decisão não tenha sido transparente.

O nome de Jim Yong Kim, médico respeitado na área da saúde pública, fora avançado a 23 de Março pelo próprio presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. A escolha de Obama surpreendeu na altura, permitindo, no entanto, responder às críticas dos chamados países em vias de desenvolvimento, que acusam Washington de reservar para si o cargo de presidente do Banco Mundial. No discurso de anúncio da candidatura de Kim, realizado em Março, Obama destacou o percurso do norte-americano de origem coreana na área do desenvolvimento. «É tempo de um profissional do desenvolvimento liderar a maior agência de desenvolvimento do mundo», considerou. Ao contrário de outros presidentes do Banco Mundial, Kim não é político, banqueiro ou diplomata. Nem sequer é economista. É um médico e antropólogo que trabalhou em prol da saúde dos pobres nos países em desenvolvimento, seja combatendo a tuberculose no Haiti e em Pequim, seja enfrentando o HIV/SIDA em prisões russas.

Dotes artísticos

Além da sua experiência em áreas como a antropologia e a saúde, o novo presidente do Banco Mundial destaca-se também por sua intimidade com os palcos onde imitou Michael Jackson e Black Eyed Peas. Enquanto ocupou a presidência do Dartmouth College, em New Hampshire, participou activamente nas actividades festivas da instituição. Vários vídeos divulgados no YouTube mostram os dotes artísticos de Kim, que participou das duas últimas edições do concurso musical “Dartmouth Idol”. Em 2010, apareceu no tributo a Michael Jackson vestido como o Rei do Pop, simulando os passos de “Thriller”.

Um ano depois, ensaiou uma coreografia baseada no tema “The Time (Dirty Bit)” do grupo Black Eyed Peas, interpretando o líder da banda, Will.i.Am.

Luis Faria
26 de Abril de 2012
14:37
 
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