Dissolução
O estado de fraqueza das finanças públicas está a ser reconhecido um pouco por toda a Europa, com os mercados a seguirem atentamente os países com pior desempenho. Nas últimas semanas, as agências de “rating” avisaram para o risco da dívida pública de vários países da moeda única. A Standard & Poor’s alterou a avaliação, de “estável” para “negativo”, relativamente a Espanha e Portugal, enquanto a Grécia viu todas as agências de rating baixarem a notação da sua dívida soberana.
Há semanas, surgiu um novo alerta para Portugal, com mais agências a colocarem o rating de Portugal sob vigilância negativa. Segundo dados da Comissão Europeia, a dívida total da Zona Euro, aponta para um aumento em 22% do PIB, enquanto o total dos défices fiscais crescerá quase 6 pontos percentuais do PIB. Neste cenário negativo pontificam Irlanda, Espanha, Grécia e Portugal.
O economista que previu a crise financeira, Nouriel Roubini, chega mesmo a pôr em causa a união monetária europeia. O especialista, aponta o dedo à Espanha: “Este país representa uma ameaça à coesão dos países que detêm a moeda única”. “No futuro, poderemos assistir à dissolução da união monetária”, afirma Roubini. “A Zona Euro pode evoluir no sentido de uma bifurcação, com um núcleo mais forte e uma periferia mais fraca”, defende Roubini. Para o economista, trata-se do primeiro teste à moeda única.
Para Roubini, apesar da Grécia estar no foco das preocupações, a Espanha é a maior ameaça á Zona Euro, uma vez que se trata da quarta maior economia da região e tem uma taxa de desemprego maior e bancos mais fracos.
A taxa de desemprego situa-se acima dos 19%, quase o dobro da média da União Europeia. “Se a Grécia sucumbir é um problema para a Zona Euro, mas se a Espanha sucumbir será um desastre”, conclui o economista. Estas declarações de Nouriel Roubini surgem depois de Jean-Claude Trichet, presidente do BCE, considerar “absurda” a hipótese de algum país abandonar a Zona Euro.
Desvalorização
Os principais índices bolsistas registaram desvalorizações durante esta semana. Os resultados divulgados por alguns bancos norte-americanos foram piores que o esperado; os vários dados macroeconómicos foram decepcionantes; os receios a propósito das intenções dos reguladores chineses sobre as limitações à concessão de crédito; e os planos de Barack Obama, presidente dos EUA, para limitar a dimensão dos bancos e de algumas actividades financeiras, de modo a reduzir a tomada de risco das instituições financeiras, são os factores apontados para as reacções negativas das praças mundiais.
Índices
O mercado imobiliário norte-americano esteve em destaque com o NAHB, indíce imobiliário dos EUA, a recuar e a ficar abaixo do consenso. Em Janeiro, as “Casas em Início de Construção” também recuaram mais que o esperado, enquanto as Licenças de Construção foram melhores que o previsto.
Ainda pela negativa, destaque para o indicador de clima económico “Philadelphia Fed Index”, que caiu mais que o esperado. Na Zona Euro, o Flash PMI Indústria superou as estimativas, por oposição à degradação do PMI Serviços.
China
A economia chinesa expandiu-se a um ritmo mais acelerado que o esperado no 4T de 2009, com o PIB a crescer 10,7% contra os 10,5% previstos. Entretanto, o Banco Mundial elogiou a actuação das autoridades chinesas na condução da política monetária e acredita num crescimento superior a 9% este ano.
Emergentes
O Institute of International Finance aponta para um aumento expressivo no fluxo de capital estrangeiro nos países emergentes em 2010, superior a USD 700 biliões