Os Palancas Negras disputam esta noite o jogo mais importante da sua história em África. O melhor que se fez desde que se conhece como selecção, nas competições da CAF, foi estar presentes nos quartos-de-final do CAN, em 2008 e 2010.
Essa final representa, por isso, o topo. O estatuto de competição doméstica não lhe reduz o valor, basta que seja uma prova da CAF. Ganhar é, por isso, o verbo que comanda o coração de todos. Dos jogadores aos adeptos. O que seria, aliás, uma recompensa pelo CAN desperdiçado em 2010. E pelas previsões e os vaticínios (menos bons) que se fizeram.
Vaticínios esses alimentados pela situação organizativa da Federação Angolana de Futebol (FAF), cujo epicentro assenta na fuga em cadeia de treinadores, último dos quais as portas do CHAN. Nada mais natural do que prever o pior. Exercício que a tradição do futebol às vezes, ou quase sempre, não admite. E lá está. Os Palancas Negras jogam, esta noite, a final, contra tudo e todos.
Discutem o título da segunda edição do CHAN com a Tunísia. O mesmo adversário com o qual se iniciaram nessa competição. Na história dos confrontos com as Águias (ou tunisinos) os Palancas Negras não lograram uma única vitória. Perderam dois e empataram quatro.
Dentre as derrotas ressaltam-se as goleadas de 1980 e 2005, por 4-1 e 3-1,respectivamente. Seguiu-se uma rajada de empates, o último dos quais no dia 7, Jogo da abertura.
As Águias nunca, aliás, venceram em competições oficiais. Sempre o fizeram em amistosos. O que podem oferecer aos Palancas Negras um conforto moral. Uma esperança de disputar o título olho nos olhos; sem qualquer complexo de inferioridade.
Aliás, a quem chega à final tudo é permitido sonhar. A Tunísia ainda assim é favorita. Pelo seu histórico no futebol.
Ao contrário dos Palancas, as Águias sempre fizeram parte do selecto grupo de equipas favoritas ao título, ao lado do Congo Democrático (campeão em título), Ghana, Argélia, Camarões e a África do Sul.
As Águias começaram com empate, golearam a seguir o Rwanda por 3-1 e na última jornada bateram o Senegal por 2-0, assumindo a primeira posição do Grupo D. Nos quartos-de-final mandaram para casa o campeão em título, o Congo Democrático.
E nas meias-finais derrotaram a Argélia, através da marcação das grandes penalidades, circunstâncias idênticas em que os Palancas Negras eliminaram os Camarões. A proeza da equipa nacional foi derrotar o anfitrião, depois de esse estar a ganhar.
Os Palancas Negras não foram tão brilhantes quanto os seus adversários. Depois do empate inaugural, consentiram o segundo sem golos com o Senegal e na última partida derrotaram o Rwanda por 2-1. Mas de que vale o trajecto que cada uma faça se estão na final as duas? A grande herança Seja qual for o resultado desta noite no Merreikh Estádio, na cidade de Cartum, o grande ganho da Selecção Nacional será os jogadores que se revelaram. Situação que em outras circunstâncias seria difícil.
Massunguna, defesa central do 1º de Agosto, desfez quaisquer dúvidas em relação à sua competência para jogar no onze nacional. Confirmou aliás todos os prognósticos que sempre se fez a seu respeito.
De 25 anos, manifesta muita maturidade para reclamar um lugar nos Palancas Negras quer no CHAN quer para as eliminatórias do CAN2012, no Gabão e na Guiné-Equatorial.
As mesmas referências elogiosas merece Fabrício Mafuta, defesa central do Interclube. Jogador que faz a sua estreia nos Palancas Negras e que não precisa nem de mais tempo nem outra apreciação para se aferir que tem qualidade para ter um lugar “cativo” na equipa.
Apesar dos seus 23 anos, Fabrício tem sido “autoritário” e versátil.
Pode jogar no lado direito (como tem feito) como pode estar no centro, tal como fez no jogo inaugural com a Tunísia.
A prestação de Mingo Bile, defesa do 1º de Agosto, é uma extensão daquilo que fez no Girbola2010, valendo-lhe a distinção de jogador revelação (Prémio da Rádio Cinco).
Tal como os seus colegas, está apto para enfrentar outros desafios como as eliminatórias para o CAN2012.
Miguel, jogador de 20 anos, é outro dos presentes para Lito Vidigal.
Na sua estreia na Selecção Nacional tem relegado jogadores mais experimentados para o banco de suplentes. Num ápice, os Palancas Negras ganharam quatro jogadores para a defesa. Um sector que parecia problemático com a reforma de Jamba, Rui Marques, Yamba Asha, Delegado, Locô e outros.
Osório, jogador do Recreativo do Libolo, acaba por cobrir um vazio que há muito clamava por jogador com a sua qualidade. Inteligente e habilidoso. O problema que se coloca prende-se com a sua idade (30 anos).
Amaro, jogador que se transferiu do Benfica de Luanda para o 1º de Agosto, há muito mostrou qualidade.
Sempre lhe faltou oportunidade, embora também os treinadores se possam queixar da sua irregularidade. E a posição em que tem sido utilizado (médio) parece aquele que melhor se enquadra com o seu futebol.
O seleccionador nacional de futebol, Lito Vidigal, considera ser a inteligência como a maior “arma” que os Palancas Negras devem utilizar, esta sexta-feira, para conquistarem o título.
“A nossa equipa tem várias virtudes, mas acho que a maior delas é a inteligência e vamos tentar fazer um jogo com muita inteligência”, disse esta quinta-feira na conferência de imprensa.
Embora reconheça qualidades do adversário, o treinador referiu ser um motivo de orgulho para o país a oportunidade de disputar o título na estreia, acrescentando existir potencial para que, com maior trabalho e investimento, possam surgir melhores resultados. Defendeu que o grupo deve manter o espírito de trabalho, acreditando sempre nas suas capacidades, uma vez que a filosofia é a mesma do princípio ao fim.
“O nosso incentivo continua a ser o do primeiro dia, que é trabalhar todos os dias como se fosse o último da nossa vida e executar os exercícios com mentalidade de crescimento”.