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Eleições da FAF adiadas para Junho

As eleições na Federação Angolana de Futebol (FAF) já não se realizam no dia 20 de Maio, tal como solicitaram as associações na Assembleia Extraordinária de Março. Segundo apurou OPAÍS, o Ministério da Juventude e Desportos pede que seja cumprido o que estabelece o Regime Jurídico das Associações e o Estatuto da FAF. 

Esses documentos dizem, nos artigos 12 e 13 respectivamente, que o processo eleitor deve decorrer dentro de 120 dias incluindo a tomada de posse. Em face dessa decisão, a mesa da Assembleia da Federação Angolana de Futebol terá de encontrar uma nova data. Uma das sugestões é que as eleições se realizem no dia 20 de Junho, uma vez que os candidatos estão já informados pela comissão eleitoral para que reúnam todo o processo necessário. 

As associações provinciais ignoraram os Estatutos da Federação Angolana de Futebol (FAF) que estabelece eleições apenas de quatro em quatro anos coincidindo com o ciclo olímpico. É aliás também uma exigência do Regime Jurídico das Associações. 

Se fosse respeitado estes documentos haveria eleições apenas no próximo ano, justamente altura em que se inicia o ciclo olímpico, o que permitiria a direcção de Justino Fernandes assumir toda a responsabilidade pelo eventual fracasso dos Palancas Negras no CAN2012. 

Não sendo assim, a responsabilidade será transferida para a pessoa que o suceder na direcção, embora até ao dia 20 de Junho saber-se-á se os Palancas Negras jogam ou não o CAN do Gabão e da Guiné – Equatorial, pois defrontam o Quénia no dia 5 e qualquer outro resultado que não seja a vitória significa o fim. 

Mesmo que seja Justino Fernandes a arcar com ónus da ausência dos Palancas Negras no CAN do Gabão, o próximo presidente pode herdar um fardo pesado pois terá dificuldades para estar no CAN de 2013, porque quem não joga o CAN do Gabão irá disputar várias eliminatórias para chegar à prova. 

E sabe-se que no futebol os resultados sobrepõem-se a qualquer boa gestão. A tudo isso acrescenta-se a escassez de finanças que a Federação Angolana de Futebol vive, com um orçamento de um milhão de dólares e a fuga de patrocinadores, como a Unitel, Puma e outros. 

Essas dificuldades que se desenham para o próximo presidente da Federação Angolana de Futebol, cujo mandato será apenas de um ano podendo ou não ser reeleito em 2012, podem se configurar numa desvantegem para a sua reeleição em 2012. Mas os grandes problemas da FAF são sobretudo de organização e ausência de recursos humanos para fazer face às exigências do futebol contemporâneo, como um director-técnico à altura estabelecer uma filosofia do futebol nacional (em particular das selecções nacionais), por exemplo. 

Outra situação será encontrar o deadline (prazo ou horizonte temporal) para se desfazer do Campeonato Nacional de Futebol, Girabola, que tem consumido muito tempo dos escassos funcionários da Federação Angolana de Futebol. 

Aliás, grande parte das despesas da competição tem sido suportada já pelos clubes desde o aluguer dos estádios (para quem não tem próprio) aos prémios dos árbitros, seguranças e transportação o que faz da FAF um mero fiscalizador. 


Teixeira Candido
25 de Abril de 2011
20:28
 
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