Romeu Filemon despede-se este domingo depois do jogo dos Palancas Negras com a Libéria, em Monróvia, a contar para segunda jornada do Grupo J das eliminatórias para o Mundial do Brasil, em 2014. Apesar de ser igualmente treinador do 1º de Agosto, Filemon construiu o caminho que o levaria a instalar-se no comando da Selecção Nacional, não fosse o empate consentido em casa diante do Uganda. Em face deste resultado, fecha ram-se as possibilidades de continuar nos Palancas Negras, a menos que haja uma decisão de última hora.
O coro de protestos que se ouviu no final do jogo com Uganda, com críticas directas ao treinador, terão influenciado a decisão da Federação Angolana de Futebol em não estender o contrato com o treinador angolano. A concretizar-se este cenário, há duas hipóteses que se abrem: a primeira consiste no recuo do processo de rejuvenescimento em curso nos Palancas Negras, uma vez que o próximo seleccionador nacional terá de se adaptar ao futebol angolano antes de qualquer decisão.
A segunda, será uma ruptura com o projecto que Romeu Filemon começou, já que as tais vozes críticas privilegiam projectos imediatos ou resultados positivos hoje, chova ou troveje. Cenários à parte, os Palancas Negras entram para o jogo com a Libéria pressionados a não perder. Um empate pode significar um bom resultado, uma vez que está obrigado a recuperar os dois pontos desperdiçados em casa.
No entanto, a Libéria tem maior pressão, por ter perdido no primeiro jogo frente ao Senegal, por 31. Para os liberianos só uma vitória pode manter as suas esperanças de jogarem pela primeira vez uma fase final do Mundial. Qualquer outro resultado terá um peso enorme nas possibilidades de chegarem ao Brasil, em 2014. Sendo assim, a missão dos Palancas Negras afigura-se gigantesca, embora em termos de curriculum a equipa nacional seja superior. Ou melhor, já esteve presente nas últimas três edições da Taça das Nações Africanas, CAN, tendo em duas chegado aos quartos-de-final, ao contrário do seu adversário.
A Libéria participou pela última vez na Taça das Nações Africanas em 1996, comandada pelo até então melhor jogador do Mundo (distinguindo em 1995), George Weah, ocupando a última posição do seu Grupo C, com três pontos.
Ou seja, há dezasseis anos que os liberianos não frequentam os grandes palcos africanos, o que teórica mente confere aos Palancas Negras a possibilidade de saírem com um bom resultado de Monróvia. Aliás, a equipa nacional arrancou há nove meses um empate naquela cidade sem golos, em jogo de carácter amistoso. As lesões e a indisponibilidade de jogador experimentado (Mateus Galiano) podem estorvar o desejo dos Palancas Negras de saír com um resultado positivo da Libéria. Neblú, guarda-redes, titular no último jogo e Job estão a contas com lesões, pelo que Jotabe será substituto.