
Reconhece que nos meses de Novembro e Dezembro, o consumismo pode levar ao crescimento de alguns tipos de crime, o que justifica maior presença policial nas ruas. “Quando se previne bem, diminui-se a necessidade da repressão”, diz.
Como Comandante provincial foi ao tribunal depor no Caso Frescura e diz que não se sentiu diminuído na sua autoridade, antes, cumpriu com o seu dever.
Estamos na época de Natal, para um comandante da polícia dá para desligar o rádio, o telefone e ficar a conviver apenas com a família?
A família compreende a razão da nossa ausência em muitos períodos de festa e este ano é, por diversas razões, mais difícil ter um tempo para festas.
Pessoalmente sente-se mais seguro na época natalícia, com mais agentes na rua?
É bom para todos nós, população e Polícia, que haja mais presença policial e maior segurança para pessoas e bens.
As chefias da polícia costumam ter uma atenção mais especial para com os agentes que trabalham no Natal ou é tudo como nos outros dias … os ossos da profissão?
A nossa atenção para com o nosso subordinado é permanente durante os 365 dias do ano. Nem sempre conseguimos, mas eles sabem das iniciativas que o CGPN (Comando Geral da Polícia Nacional) desenvolve para motivá-los, acarinha-los e acompanhá-los.
Olhando para o aparato policial na época de Natal dá para querer que o natal seja todos os dias. O que leva a esta diferença … trata-se de uma época potencialmente mais complicada em termos de segurança pública?
É perceptível que os cinco ou seis dias de festa alusiva à quadra festiva são inferiores aos outros 365 dias que conformam o ano, tornando-se assim possível, de facto, maior presença policial na via pública

Quantos homens Luanda terá na rua nesta quadra festiva?
Mais do que a quantidade, o importante é que a população de Luanda se sinta tranquila e que no balanço final estejamos todos satisfeitos
O que é que a polícia já aprendeu com a quadra festiva, há mais crimes intencionais ou há apenas mais comportamentos descuidados, como a questão do trânsito, por exemplo?
Novembro é um mês típico quanto ao roubo de valores como consequência da maior propensão consumista e em Dezembro, havendo ainda essa atitude típica, é também o mês de muitos acidentes de viação, pela falta de respeito pelas normas do Código de Estrada
As medidas de segurança em Luanda, nesta época, irão estenderse até ao CAN ou o campeonato terá outro tipo de operação?
São acções muito diferentes, mas de elevada complexidade. Tudo faremos para que o profissionalismo das nossas forças se acentue e seja reconhecido pelos luandinos e por todos os que nos visitem.
Na época do CAN a postura da polícia será mais do género policiamento de proximidade, com interacção com a sociedade, ou será com de forma mais dissuasora?
O papel fundamental da Polícia baseia-se na prevenção. Quando se previne bem diminui-se a necessidade da repressão.
Uma boa parte dos agentes da polícia não fala mais que o português.
Vindo gente de fora, falantes de inglês e francês, como está pensada esta situação?
É uma ilusão de óptica pensar-se assim. No seio da Polícia existem falantes de diversas línguas e idiomas, para além de um conjunto de inteligências que estarão colocadas em benefício do sucesso do CAN.
Sente que cada agente da polícia deveria ter um mapa da cidade para guiar as pessoas?
É uma das preocupações, mas cada um de nós tem que ter o mapa da cidade onde vive, trabalha, ou passa férias. Um homem informado vale por muitos.
Com a possibilidade de ocorrerem distúrbios, ou mesmo situações de esgotamento físico entre os adeptos do futebol, como lida com o facto de os nossos agentes não estarem preparados para dar os primeiros socorros? É verdadeira essa afirmação?
O senhor jornalista conhece pouco a Instituição e conhece pouco a formação que os agentes da Polícia recebem em acções formativas.
A segurança do CAN será feita de forma integral. Melhor dizendo, por outras forças para além da Policia, como bombeiros, paramédicos e médicos.
Falemos agora da imagem da polícia, acha que a corporação se vai refazer depressa do caso Frescura?
Falo em termos de imagem pública.
O caso Frescura ocorreu num dia mau para todos. Este acontecimento não pode ser um handicap de todo o desempenho policial.
Como se sentiu no tribunal quando foi depor para o caso Frescura? Sentiu-se diminuído na sua autoridade?
Sentiu-se triste por depor num caso em que estavam a ser julgados ex-agentes da polícia? Senti-me um cidadão exemplar que não se furta à justiça e atento ao que o presidente da República tem vindo a dizer: “ninguém está acima da lei”. A minha presença no Tribunal não diminuiu a autoridade, não me incomodou, nem retirou o meu optimismo de querer ver, no futuro, uma polícia melhor e mais capaz.
Acha mesmo que a expulsão de agentes mal comportados tem estado a melhorar a disciplina na corporação?
A expulsão não encerra os mecanismos úteis para a melhoria da situação disciplinar dos efectivos. Mas a expulsão está contemplada no regulamento da Polícia Nacional como sanção para situações graves ou muito graves.
Infelizmente temos sido forçados a aplicar esta medida em alguns casos, mas temos de convir que a imagem e o papel da corporação devem ser mantidos e respeitados, são bens importantes para a estabilidade social.
Há quem diga que afastou os agentes jovens formados em Portugal, portaram-se mal, não gostou do seu trabalho, ou a sua prática não estava condizente com a nossa realidade?
Não encaro os efectivos que dirijo tendo em atenção os países onde fazem a formação. Avalia-os pelo profissionalismo e competência.
Também considero importantes aspectos como a sua capacitação e humildade e pela perspectiva que têm do futuro. O senhor jornalista está muito mal informado. Os comandantes das esquadras do Kilamba KIaxi, do Rangel, do Trânsito e do Gabinete de Imprensa são jovens formados em Portugal. Então, quem são os perseguidos?
Voltemos a falar de si, sempre quis ser polícia ou foi a vida que o levou para aí?
Vim das FAPLA, de um grupo de jovens seleccionados para integrarem a Polícia Nacional de Angola logo após a Independência. Sou polícia por vocação e amor à causa.
Considero-me um bom profissional e acho que tenho suficiente espírito humanitário.
Já falamos do CAN, gosta de futebol? Irá ver os jogos? Tem experiências no jogo da bola ou nos clubes?
Todo o angolano está ansioso com o inicio do CAN, independente mente da sua responsabilidade. Tenho vivência e formação técnica desportiva e gosto de futebol. Conheço o cheiro dos balneários, sei o que passa pela cabeça dos jogadores.
Sobre o que conhece do mundo e de África, como considera a nossa polícia? A Policia angolana é reconhecida no exterior como competente e profissional. Não obstante, precisamos de melhorar muito para atingirmos níveis mais aceitáveis. Para nos sentirmos mais satisfeitos nós próprios.
Como tem visto o desempenho das polícias?
(agentes no feminino) A mulher, no mundo do trabalho e em papéis de utilidade pública, é uma componente indispensável para as sociedades mais modernas e, consequentemente, é normal que sejam também polícias. Gosto de ter uma polícia ao meu lado a trabalhar, não vejo diferença em relação aos efectivos masculinos. Para mim são polícias, é o importante.