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Destruição de ‘girafas clandestinas’ provoca carência de água

A destruição das girafas clandestinas de fornecimento de água nos municípios da Samba, Kilamba Kiaxi, Viana e uma parte da Maianga, está a provocar não só a carência deste líquido precioso, como também o aumento dos preços.

O camionista Fidel Ângelo Soares, 27 anos, encontrava-se num dos postos de abastecimento de água da EPAL, localizado no Kilamba Kiaxi, no meio de uma enorme quantidade de camiões cisternas que aguardavam para serem abastecidos.

O jovem contou que tinha chegado ao local às três horas da madrugada de quarta-feira, 6, e que tudo indicava que só conseguiria encher a sua cisterna por volta das 15 ou 16horas.

A morosidade que se regista no abastecimento dos camiões e a carência de água nos municípios acima mencionados, levou os comerciantes a subirem drasticamente o preço, em função do tamanho do recipiente.

Fidel Soares exerce esta actividade há mais de três anos, disse que o preço oficial é muito baixo e vária em função da capacidade da cisterna, mas que devido a enchente que se regista é cobrado outro valor pelos lugares privilegiados .

A título de exemplo, o nosso interlocutor declarou que o preço oficial para encher o seu camião, cuja cisterna tem capacidade para 18 mil litros é de dois mil e 350 kwanzas, só que para conseguir abastece-la, sem ficar mais de

24horas na bicha, teve que “pagar prioridade”, forma como eles denominam a taxa extra que pode passar os seis mil kwanzas.

“Há dias que somos obrigados a pagar uma determinada taxa para sermos infiltrados no meio, entre os camiões das empresas públicas e privadas, por serem aqueles que têm prioridade de abastecer”, declarou. Acrescentando de seguida que “os meus colegas que se recusam a pagar a taxa de prioridade acabam por ficar aqui mais de 24 horas”.

Fazendo uma comparação com os preços praticados antes da operação, Fidel Soares disse que a ausência dos tanques clandestinos é que provocou a criação desta taxa por parte dos funcionários da EPAL destacados nestes locais.

Apesar de os preços praticados ali serem mais baixos, as pesso-

as preferiam ir carregar nos sítios ilegais, pagando mais de seis mil kwanzas, devido a rapidez e efeciência.

Segundo conta, os tanques clandestinos eram maioritariamente procurados por camiões de pequenas dimensões, como os de , 12, 16 e 18 mil litros no máximo. Ao passo que nos postos oficiais aparecem cisternas de até 40 mil litros, pertencentes a empresas de construção civil.

O camionista Adalbino Alberto, 35 anos, disse que passou a noite de terça para quarta-feira na Central de Tratamento e Distribuição de água do Benfica, para conseguir ocupar um lugar privilegiado. Mesmo assim, o senhor só conseguiu ter o seu camião cheio às 12 horas do dia seguinte.

“Aumentamos os preços porque só estamos a fazer um carre-

gamento por dia e não podemos levar aos nossos patrões um valor muito abaixo do habitual. Há vezes que passamos aqui todo o dia e não conseguimos água. O que dificulta bastante a nossa actividade”, justificou o jovem que estava prestes a sair com a cisterna cheia.

Adalbino Alberto explicou ainda que a maioria dos seus colegas não consegue fornecer o precioso líquido aos clientes na devida altura, pelo facto de os gestores da EPAL privilegiarem os mandados dos governantes e das empresas, deixando para último caso os fornecedores do povo.

O nosso interlocutor confessou que não pagou nenhum valor acima do estipulado pela Lei porque a água que transportava era, alegadamente, para um membro do Governo que vive no Projecto Nova Vida.


Preços em alta

Quanto ao preço que os clientes deveriam pagar pelo único carregamento que conseguiu fazer ao longo do dia, Fidel Soares explicou que o mesmo variaria em função da distância que separa o Posto da casa dele.“Se a residência for daqui para o interior do bairro do Camama o preço poderá oscilar entre 22 e 23 mil Kwanzas, mas se for do Morro Bento adiante será dos 28 a 30 mil kwanzas”, explicou.

Fidel Soares contou que antes de serem destruídos os postos ilegais chegava a comercializar, em média, duas a três cisternas por dia, a um preço muito mais baixo que oscilava em razão da procura e da distância. Neste caso, chegava a vender mil litros a mil kwanzas. O preço dos pequenos recipientes de água potável, como bidões de 25 litros, baldes de dez litros e banheiras de 20 litros, também registaram um acréscimo em função da destruição dos tanques “clandestinos”.

De acordo com dados apurados por este jornal, na Samba, os comerciantes de “água a retalho” aumentaram o preço do recipiente de 25 litros de 20 para 50 Kwanzas, o de 20 litros de 15 para 40 Kwanzas e o de dez litros de 10 para 30 Kwanzas. No bairro Cantintom, município da Maianga, também existe uma disparidade total nos preços, visto que o bidóm de 25 litros, por exemplo, está a ser comercializado a 120 Kwanzas e a banheira de 17 litros custa 150 kwanzas.

Paulo Sérgio
11 de Julho de 2011
12:35
 
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Comentários

  1. Nzatuvanga Antonio Mavuila
    2011-07-14 16:13:39
    a destruiçao das girafas nao foi a soluçao ideal para acabar,devia e colocar a torneiras em cada residencia,ja q o liquido precioso faz falta a todos habitantes de Angola.Assim q destruiram devia dar agua a populaçao:a Epal perde muito dinheiro porque quer todos necessitamos de agua se fizer uma boa distribuiçao vai aumentar as suas receitas.
  2. Ferreira
    2011-07-13 12:25:08
    Não posso dizer que a medida foi mal tomada. Mais agora destruiram tudo muito bem e agora, já fizeram novos chafariz de abastecimento de água para o povo ou o povo deve regressar as mabumbas para pegar a água. Governo detesta que lhe prejudica agora já viram quantas pessoas estão prejudicada pelo vosso mal serviço. Eu digo Governar sim mais não deve Governar por cima do povo ok..........
  3. Maciel Neto
    2011-07-12 16:27:29
    bonita iniciativa, quem destruiu não estava a comer do bolo tão grande que saia desde esquema eles esqueceram que o sistema não gosta que lhe roubem, agora o povo tem que pagar por isso maior parte do kilamba Kiaxi não corre H2O a correr em suas casas, o governo não consegui dar conta do recado,por isso digo isto é temporário, vão voltar as cisternas(*_*)
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