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Culto

Muçulmanos terminam ramadão apelando ao perdão

O imamu (pastor) da Comunidade Islâmica de Angola(COIA), Ibrahím Soummare, apelou esta semana em Luanda, aos seus fiéis, a pautarem pelo perdão mútuo entre cidadãos desavindos, para permitir uma sã convivência entre membros da mesma sociedade, sem quaisquer paixões religiosas, rácicas e ideológicas.

O apelo foi feito durante a homília do culto de acção de graças por ocasião da celebração da “Aîd al Adha”, ou seja, mês da peregrinação à Meca, em português, um dos quinto pilares que compõem o Islão.

“Este é um dia muito grande para os crentes muçulmanos, porque nos leva a reflectir sobre a nossa existência, e agradecer a Aláh por nos ter criado como seres humanos”, disse inicialmente, avançando que a efeméride deve ser aproveitada para se “ pedir perdão uns aos outros” sem condicionalismos. “ Quem tem inimizade com alguém deve aproximar-se a ele e pedir perdão e renovar o convívio normal”. Ibrahím Soummare reforçou que “perdoar não é sinónimo de fraqueza, mas sim uma atitude de sã convivência”, sublinhou.

No culto, durante o qual destacouse a importância da efeméride, considerada como a segunda festa mais importante do Islão, depois da festa do Ramadão que é assinalada anualmente no fim dos quarenta dias de jejum, Soummare disse ainda que o momento é também para a renovação da fé entre os seguidores do profeta Maomé, considerado o “pai” do Islão no mundo.

O líder espiritual referiu que a peregrinação à Meca, no Monte de Arafat, na Arábia Saudita, em obediência ao quinto e último pilar consagrado no Alcorão, o livro sagrado do Islão, que é feita todos os anos, em consonância com o calendário islâmico, é um dos momentos mais altos da exaltação da fé de um crente muçulmano. “ É um dia muito importante para os muçulmanos que se deslocam a este lugar santo”.

A romaria à Meca, onde os fiéis vestidos geralmente de túnicas brancas consideram que terá sido lá onde o profeta Maomé fez o seu último discurso há mais de catorze séculos, deve ser feita pelo menos uma vez na vida de um muçulmano, desde que haja possibilidades para se deslocar ao também conhecido “Monte Piedade”. Os que não têm este privilégio, segundo o “imamu” devem contentar-se com à feitura de orações e a imolação de um animal, cabrito, preferencialmente.

Imolação de um animal

É uma tradição secular, lembrando o momento em que Abraão esteve a ponto de sacrificar o seu próprio filho, Isacc, em cumprimento de uma ordem divina. Depois da imolação, a carne é distribuída também aos vizinhos, amigos e aos mais necessitados para todos festejarem este dia que tem uma dimensão similar à do Ramadão. O líder espiritual que é também o vice-presidente da COIA, afirmou ainda durante o culto que a imolação significa também “fazer o bem e proibir o mal”.

É com base no bem que as pessoas devem viver harmoniosamente, afastando o mal que as persegue impiedosamente, por “causa do pecado a que o homem está sujeito, enquanto ser vivente nesta terra”, afirmou, acrescentando que o bem deve prevalecer no seio de qualquer comunidade, por constituir-se numa “sine quo non” para todos os mortais nesta terra. “ O esforço do homem enquanto ser vivente deve estar centralizado em procurar permanentemente em fazer o bem e banir o mal”, acrescentou.

Refira-se que o Islão como religião é constituído por cinco principais pilares, ou mandamentos para os cristãos: Profissão da fé, cinco orações ao dia, (que devem ser feitas às cinco, treze, quinze e trinta, dezoito e dez e às dezanove horas de todos os dias ininterruptos. Em caso de falha de alguma, deve ser recuperada. Jejum, esmolas aos mais necessitados e a Peregrinação, são outros pilares que formam ainda a crença islâmica.

Assistido por milhares de crentes, maioritariamente fiéis de origem oeste-africanos, e alguns angolanos, sobretudo mulheres, estas que vãose convertendo nesta nova religião por laços matrimoniais, o culto culminou com oferendas aos mais necessitados. Como tem sido norma, desta vez, não se saboreou a habitual carne de brito que é oferecida aos convidados não muçulmanos, por razões de calendário, segundo um dos membros da organização da Mesquita do Hojy ya Henda, onde decorreu o culto.

 

Surgimento do Islão em Angola

Data da década de 60, o Islão é oriundo da República Democrática do Congo, ex-Zaire, trazido por cidadãos deste país que foram aportando em Angola, segundo apurou O PAÍS de fonte ligada à COIA. Sem muita expressão na altura, hoje, o que parecia uma minúscula religião no nosso país, vai ganhando espaço paulatinamente, mesmo sem o reconhecimento das autoridades angolanas.

Contrário à crença angolana, constituída por cristãos, o Islão tem vindo a expandir-se um pouco em todo o país, com a construção de Mesquitas (Templos), com realce em Luanda e na região Leste (Lundas Norte e Sul, Moxico e na província meridional do Kuando Kubango. Com o surgimento destas, a coberto da laicidade, muitas vozes, sobretudo de clérigos levantam-se contra esta religião que é associada à práticas pouco abonatórias que se opõe à doutrina cristã como é a “sharia” e a “Jihad” ou guerra santa. A sharia, segundo entendidos em teologia islâmica, é uma pena maior que é aplicada aos fiéis que cometam blasfémia contra o Islão, cuja sentença pode resultar em apedrejamento ao prevaricador, ou mesmo em morte. Mas a aplicação destas penas em países onde existam tribunais islâmicos, varia de Estado para Estado. Dados recentes da COIA referem que existem mais de oitenta mesquitas e o número de fiéis andará por volta de meio milhão.

Refira-se que a expansão do Islão tem estado a ser contestada em surdina e, em algumas vezes, publicamente por entidades cristãs, alegando que se for reconhecido poderá colocar em causa alguns bons hábitos e costumes do cristianismo. Em jeito desta contestação na sede do Cuango, município com o mesmo nome, na Lunda-Norte, a Administração local se opõew à Construção de uma mesquita, cujo terreno foi comprado a um cidadão por mais de trinta mil dólares. No Huambo, em Junho de 2001, a Mesquita local, situada no bairro Benfica, foi incendiada por desconhecidos, tendo queimado as alcatifas e o alcorão. A Polícia Nacional continua a investigar o caso, mas até ao momento ainda não foi esclarecido.

Ireneu Mujoco
2 - 9 -2011
 
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