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Reclusos

Quem aceita o desafio?

Apesar da abertura das unidades em Agosto próximo, uma questão ficou no ar durante a visita de campo efectuado por Sebastião Martins, o comandante geral da Polícia Nacional, Ambrósio de Lemos, e outros superiores da corporação: quem são os empresários ou as empresas que aceitariam integrar nos seus quadros antigos prisioneiros, por exemplo que terão sido altamente perigosos?

“O problema da reincidência é a falta de oportunidade que os presos não têm. Por isso, alguns quando saem vão directamente para uma ja nela aberta comemorar a soltura e ai encontram alguém que lhes mostra mais um «bussiness» para fazer e acabam por regressar à cadeia”, comentou o ministro do Interior. Para se ultrapassar este dilema, consta que o ministro do Interior terá apresentado recentemente, uma reunião do Conselho de Ministro, órgão consultivo do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, uma proposta que prevê a redução de impostos e outros incentivos fiscais àquelas empresas que futuramente absorverem o maior número de mão-de-obra reclusa.

Com uma população reclusa estimada em 20 mil indivíduos – e com previsões de atingir 30 mil nos próximos dois anos , o Estado angolano gasta diariamente por cada um deles o equivalente a 20 dólares. Estimativas feitas por um responsável dos Serviços Prisionais indicavam para gastos diários a volta dos 600 mil dólares norte-americanos para se cuidar os presos que se encontram nas cadeias que existem em Angola. “O valor gerado pela actividade laboral, desempenhada pelos reclusos, que a ela se segue, poderá reduzir o peso desta despesa, melhorando a eficiência financeira do sistema prisional e justificando assim os investimentos em formação”, garantem os mentores do “Novo Rumo, Novas Oportunidades”.

Uma nota de apresentação da iniciativa garante que a aplicação de programas de formação académica e profissional, bem como de trabalho comunitário ou remunerado em actividades de cariz lucrativo (se adultos) é o caminho recomendado para assegurar uma sólida reabilitação de jovens e adultos, as sim como o seu encaminhamento para uma reintegração na vida em liberdade enquadrada nas melhores condições anímicas e profissionais.

“É lugar comum dizer-se que to dos merecem uma segunda oportunidade. Mas os meios e a vontade para assegurar essa possibilidade, especialmente, para quem já come teu crimes escasseiam nos nossos dias”, reconhece o director nacional dos Serviços Prisionais, comissário Domingos Ferreira de Andrade, revelando que a sua instituição  quer “inaugurar uma nova visão dessa realidade e dar a mão a quem quer agarrar um novo futuro”. 

Controlo da sinistralidade rodoviária

O PAÍS apurou também que para o mês de Agosto está também prevista a abertura de destacamentos de prevenção, socorro e sinistralidade rodoviária em algumas províncias. Os primeiros, que foram criados para aumentar a prevenção, segurança, emergência e apoio nas estradas de Angola, estão no Kuanza-Norte (Morro do Mbinda), Kuanza-Sul, Úige e Benguela. Luanda, cidade onde acontecem inúmeros acidentes de viação regularmente, possui a maior infraestrutura, estando situada numa das partes da estrada Benfica-Cabolombo-Viana-Cacuaco, a conhecida via-expressa.

A referida unidade contará com dormitórios, postos médicos e celas, de acordo com informações avançadas pelo responsável da construtora Clamajor. O ministro Sebastião Martins e o comandante-geral Ambrósio de Lemos, que visitaram a obra esta semana, defenderam algumas alterações ao projecto original.

O segundo chegou mesmo a sugerir a requalificação do posto médico, para permitir a presença no futuro centro de uma forte presença do dispositivo da Brigada Especial de Trânsito (BET). Já o ministro do Interior sugeriu a introdução de uma unidade dos bombeiros que pudesse atender toda aquela circunscrição, em Viana e próximo do município de Cacuaco, onde se observa um forte crescimento imobiliário e industrial. Os bombeiros poderão também atender àqueles casos de acidentes de viação em que as vítimas se encontram bloqueadas dentro das suas viaturas ou àqueles em que viajam como passageiros.

E a via expressa, onde foi construída o destacamento de prevenção e socorro à sinistralidade rodoviária, é apresentada tanto pela Polícia Nacional como pelos próprios automobilistas como uma das mais perigosas a nível da cidade de Luanda. 



Dani Costa
13 de Junho de 2012
17:21
 
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