
A Direcção Provincial da Cultura de Luanda (DPCL), dirigida interinamente por Manuel Gonçalves, não autorizou a realização da anunciada final da tournée nacional do Concurso “Bumbum Dourado”, que teria lugar no restaurante Caribe, na Ilha de Luanda. De acordo com o substituto de Manuel Sebastião, a publicidade do desafio foi feita sem a prévia autorização da sua instituição e a iniciativa não prestigia nem dignifica a imagem da mulher.
As concorrentes tinham de exibir o traseiro sem quaisquer complexos perante uma plateia. Apesar da polémica, estava em jogo um prémio avaliado em 20 mil dólares norte-americanos para a rapariga que conseguisse exibir o seu traseiro da forma mais despudorada no último fim-de-semana, caso o governo da capital não travasse a exibição. O montante terá sido alegadamente oferecido pelo general na reserva e presidente do Kabuscorp do Palanca, o empresário Bento Kangamba, conforme informações que eram veiculadas sobretudo pelo canal brasileiro TV Globo Internacional. “No sábado, não autorizamos a realização do concurso, a nossa direcção mandou cancelar. A incidência do mesmo era o rabo da mulher que o apresentasse da forma mais ousada. Consistia na ousadia e forma mais extravagante que fizessem com as demonstrações do rabo”, explicou o director interino da DPCL. O nosso interlocutor garantiu que antes do veto falaram com os promotores e reconheceram a sua extravagância, assim como o facto de o papel idealizado inicialmente ter sido invertido. O concurso não se assemelha ao da filosofia das misses, mas sim na avaliação dos dotes que o traseiro poderia demonstrar. “E ainda por cima pagariam 20 mil dólares para as vencedoras. Isso só pode ser uma brincadeira”, adicionou o director interino da DPCL. Manuel Gonçalves salientou que não receberam orientações específicas da governadora de Luanda, Francisca do Espírito Santo, porque quando se aperceberam da existência do concurso, por intermédio da TV Globo Internacional, colocaram os seus funcionários no terreno para impedirem que o mesmo se concretizasse. O PAÍS apurou junto deste responsável que Francisca do Espírito Santo chegou a ligar à sua direcção para manifestar o seu descontentamento em relação ao concurso “Bumbum Dourado”, cuja fase final estava marcada para o último fim-de-semana. Por outro lado, este jornal tem informações de que um grupo de mulheres em Luanda insurgiu-se contra a iniciativa, tendo contactado a própria governadora, para que ela intercedesse. “Quando isso aconteceu, a nossa equipa já estava no terreno a trabalhar”, assegurou o responsável da Cultura. Apesar do travão registado na capital, a tournée “Bumbum Dourado” definia-se como uma competição para eleger a garota com as pernas mais bonitas do país e foi realizada nas províncias de Benguela, Namibe e Huíla. Jislani Almeida ganhou no Namibe e Elisabeth Sampaio na Huíla. Iracelma Bernardo, 22 anos, foi a vencedora em Benguela e recebeu 10 mil dólares norte-americanos, por sinal a metade do valor que estava em jogo para a finalíssima de Luanda.
A Direcção Provincial de Cultura de Luanda anunciou para os próximos dias uma inspecção às discotecas e outras casas nocturnas que permitem a entrada de jovens com menos de 18 anos de idade. De acordo com o director interino, tem-se registado ultimamente nos espectáculos realizados entre a meianoite e as seis horas a presença de jovens cujas entradas deviam ser proibidas. Segundo ele, a responsabilidade não é só do Estado, mas também dos próprios pais que deviam saber onde é que estão os seus filhos durante o período entre a madrugada e a manhã. “O que pretendemos é que os donos destes estabelecimentos peçam os bilhetes de identidade destes jovens. É preciso que saibam se têm mais de 18 anos. Por isso, vamos fazer uma campanha neste sentido nos próximos dias”, realçou Manuel Gonçalves, alertando que “os proprietários das casas nocturnas estão mais interessados nos lucros do que em saber a idade dos meninos e das meninas”.
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