O haitiano Elison Edouard e a angolana Adelaide da Costa Ferraz promovem, desde a última semana, uma campanha de solidariedade a favor das vítimas do terramoto de magnitude sete que devastou a cidade de Porto Princípe, no Haiti.
A catástrofe, ocorrida no dia 12 de Janeiro, provocou a morte de quase 200 mil pessoas, 500 mil desamparados e destruiu as principais infraestruturas do país.
Impossibilitados de enviarem comida, roupa e outros artigos por causa das despesas alfandegárias, Elison e Adelaide conseguiram mandar dinheiro através da agência de transferência financeira Western Union.
A ajuda enviada inicialmente coube apenas a pessoas próximas ao casal que durante vários anos viveu na ilha, onde os engenheiros agrónomos Elison e Adelaide ainda deixaram alguns familiares e amigos. Por esta razão, eles pretendem a ajuda de todos os angolanos que estão interessados em ajudarem os haitianos.
Quando o auxílio financeiro chegou aos parentes na ilha, o casal recebeu mais pedidos de ajuda de outras pessoas que precisam de comida, água e roupa.
Possuem uma lista de pessoas que precisam de apoio. Os interessados podem escolher um dos nomes, falar com eles por telefone e enviar a sua ajuda através da Western Union.
Feita a transferência, o beneficiário é comunicado sobre a operação e recebe uma senha que lhe permite retirar o dinheiro da conta na referida representação desta agência sedeada em Porto Princípe.
“Se estivéssemos nos Estados Unidos ou num outro país próximo poderíamos mandar comida, roupa e outros produtos. Mas aqui a única possibilidade que temos é mandar dinheiro, por isso elaboramos uma lista de pessoas necessitadas”, explicou Elison Edouard, acrescentando que “cada amigo pode ficar com uma família segundo as suas possibilidades e desta forma fazer um depósito em nome destas pessoas. Recebe todas as coordenadas destas pessoas, nome completo e o número de telefone”.
De acordo com o nosso interlocutor, a ajuda é feita de forma directa.
Essas pessoas são conhecidas e parentes que viviam próximos. Elison só entrou em contacto com a sua família alguns dias depois da tragédia, particularmente numa fase em que já estavam a ser abertas as valas comuns onde foram enterrados os mais de 200 mil mortos.
“Nós somos um casal haitiano e angolano, os nossos filhos nasceram lá. Neste momento o Haiti está a conhecer uma situação muito difícil, por causa do terramoto. Praticamente todos estão a dormir nas ruas e ninguém pode dormir dentro de casa”, contou Elison.
Actualmente, segundo os organizadores da campanha de solidariedade, o Haiti precisa da ajuda de todo o mundo, porque as famílias haitianas não podem depender só de ajuda humanitária. Por isso, estão a fazer algumas démarches junto das autoridades angolanas para conseguirem mais apoios.
Elison e Adelaide contaram que conseguem apoiar as famílias directas desde que aconteceu a tragédia.
Os meios que possuem não permitem socorrer mais sinistrados, que se aproveitam dos telefonemas dos familiares destes para pedirem também alimentos e dinheiro.
Adelaide contou que continua ligada à rádio haitiana. Mas teve a ideia de promover esta campanha de solidariedade quando recebeu vários e-mails de amigos a pedirem socorro e outros sugerindo mesmo que encontrem pessoas que possam enviar alguns mantimentos para a ilha devastada.
“Não podemos mandar nada material, mas quando disseram que a empresa de transferência de dinheiro já estava a funcionar mandamos alguma coisa para os nossos amigos. Mas quando estes nos pedem para ajudar mais, porque onde estão albergados são mais de 87 mil pessoas, temos de fazer alguma coisa”, explicou, por sua vez, a engenheira agrónoma angolana.
Segundo ela, as pessoas contam que a actividade comercial já começou mas as coisas estão muito caras. Por esta razão estenderam o pedido para outras instituições. “Até ao momento, só podemos enviar a partir de 100 dólares. Nós já enviamos uma média de 600 dólares, mas não chega. Enviamos o que podemos.
Neste momento com 100 dólares eles compram apenas um saco de arroz”, contou a senhora, observando que quando lá esteve com este montante poderia adquirir “produtos para um mês completo. É um país pobre, mas as pessoas não morriam de fome porque a comida e a roupa eram baratas”.
A engenheira contou que os seus familiares estão a viver no quintal de uma fábrica rodeadas por cerca de 90 mil pessoas. As casas não caíram, mas não podem ser utilizadas porque ganharam muitas fissuras com o tremor de terra.
O casal conta que os solicitantes são indivíduos de vários estratos sociais, porque eles não estão isolados. Num espaço de 100 metros quadrados podem estar alojadas mais de mil pessoas.
“Esse apoio não chega a apenas uma pessoa”, disse Elison. “Já fizemos pedido a algumas pessoas do MPLA e também sabemos que o Governo está disposto a dar uma ajuda.
Mas além da ajuda do Governo, precisamos que as pessoas colaborem. Para tal, basta que liguem para os números 914 344 140 e 927 840 303”, acrescentou.