É uma das vozes conhecidas da Rádio Nacional, como foi que começou?
Não me considero uma voz conhecida da Rádio Nacional, na medida em que ainda estou no processo de desenvolvimento profissional, embora numa fase já avançada. Entrei para a RNA pela mão dos jornalistas Benedito Soares e Carlos José, que organizavam nos anos ‘90 uma selecção de centenas de jovens que aspiravam a trabalhar em rádio.
O projecto denominava-se Geração Viva e por ele passaram muitos dos meus colegas que trabalham na rádio e na imprensa. Foram o Dani Costa e a Suzana Mendes que me indicaram o grupo e incentivaram para que participasse do projecto. A passagem pelo grupo foi fundamental pelos amigos e porque todos tínhamos de fazer tudo, o que nos colocava ao mesmo nível.
Aprendi com estes dois jornalistas que o trabalho e a humildade nos ajudam a ganhar a segurança necessária para crescermos profissionalmente.
É daqueles que está permanentemente com a voz colocada ou tem uma voz para casa e outra para os microfones?
As pessoas que me conhecem sabem que a minha forma de estar é a mesma em todas as situações. Aliás se tivermos a tal “voz colocada” as pessoas descobrirão e isto pode prejudicar a nossa carreira profissional.
Acha importante que uma rádio tenha alguma coisa que caracterize as vozes dos seus profissionais (devem ser escolhidos a dedo) ou será mais importante a diversificação de timbres, sotaques, ritmos e “entoações”?
É mais importante a voz ou o que se diz ao microfone? A rádio não é uma simples caixa de sons, é um meio de comunicação.
Comunicar é transmitir mensagens e nos fazermos entender. E em rádio a comunicação é feita acima de tudo pela palavra e as suas infinitas combinações com os demais sons. Por isso, penso que o primeiro critério deve ser um domínio da língua razoável, tanto em português, como para quem trabalhe com as línguas regionais, capacidade de construção de frases e encadeá-las com coerência e possuir um timbre de voz agradável. Embora seja difícil penso que em todas as profissões devemos sempre tentar ser os melhores. O jornalismo radiofónico não é uma excepção.
Já aconteceu ouvir alguém falar de si sem saber que o tinha mesmo ao lado? Não, mas já aconteceu as pessoas ficarem surpresas ao conheceremme pessoalmente.
O que encontra de mais importante nos programas que faz?
Transmitir mensagens úteis para as pessoas e transmitir boa disposição.
É difícil, mas esta é a nossa missão.
Consegue imaginar-se sem fazer rádio, ou o bicho já o prendeu em definitivo?
Não sei. Nem sequer penso em algum dia não estar de alguma forma envolvido no mundo da rádio.
Gosta de ouvir rádio? Tem a tentação de comparar o seu desempenho com os dos seus colegas?
Trabalhar em rádio é também ouvir rádio. Serve para nos mantermos informados e actualizados, aprendermos com os colegas e para nos entreter.
Temos mais rádios em Angola, e teremos mais, provavelmente, o que diz da qualidade do que por cá se faz?
Penso que evoluímos muito em relação à qualidade. É um pouco difícil analisar a actual geração, uma vez que me enquadro nela. Mas penso que temos bastante qualidade, embora tenhamos de trabalhar muitos aspectos relacionados com o domínio da língua, a criatividade na concepção dos programas de rádio e na área da informação aplicam-se os mesmos problemas que o resto de classe tem de superar. Temos é que continuar a trabalhar e ter a capacidade de detectar falhas e corrigi-las.
Sente que os angolanos têm uma boa relação com as suas rádios? Sente que parte das suas vidas se resolve com o que ouvem nas rádios? Fala-se muito da importância da rádio e da sua capacidade de atingir os lugares mais longínquos do nosso país. Naturalmente, a rádio é importante e possui uma flexibilidade muito grande em relação aos outros meios, mas penso que está na altura de se realizar um estudo sério sobre o tempo que, efectivamente, as pessoas nas várias cidades dedicam para cada meio.
Pensar no processo de comunicação de um banco é muito diferente do que se pode fazer noutros negócios?
Os processos de comunicação interna e externa das empresas que actuam em Angola estão em desenvolvimento, tal como outras áreas operacionais das empresas. Antes de qualquer análise, temos de contextualizar estas empresas ou instituições.
Estamos num mercado em desenvolvimento e onde determinadas actividades ainda são executadas com alguma deficiência e onde são realizadas outras que diríamos que estão desfasadas no tempo. Mas já existem muitas melhorias. Observo o que está a acontecer de forma positiva. Existem bons exemplos de comunicação tanto da parte de instituições públicas como de privadas.
A comunicação é fundamental para qualquer profissional e para todas as empresas. Neste último caso, é tão importante a comunicação interna como a externa. De pouco serve comunicar os objectivos e metas da empresa para o exterior se estes não forem comunicados e interiorizados pelos colaboradores da mesma.
Avalio a comunicação “caso-porcaso” e não por áreas de negócio ou actividade. Cada empresa é um universo com valores e expectativas diferentes, a actuar no mesmo mercado, mas com uma missão diferente.
Prefiro não analisar a estratégia de comunicação das empresas de forma global. Há uma tendência para a proactividade, um conceito que é recomendado pelos especialistas em todo o mundo. Já existem bons exemplos em Angola e penso que teremos no futuro empresas com estratégias reais de comunicação como um pilar fulcral da sua actuação.
É ainda jovem, os seus planos para o futuro passam mais pela rádio ou pela comunicação empresarial ... ou vê-se como banqueiro?
Existem muitos projectos em que poderei estar envolvido, alguns abrangem a comunicação e outros noutras áreas de gestão que são do meu interesse. Como se ensina em Estratégia de Gestão “a melhor estratégia é a acção”, por isso, mais do que os descrever estou a implementá-los.
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