Com duas obras “Resistência Cultural” e “Nós os do Mato”, o artista Ângelo Carvalho da província do Kwanza-Sul foi o vencedor do Grande Prémio de Pintura ENSA-Arte 2012, pelo valor temático, correspondido de uma abordagem pictórica onde os valores compositivos se entrelaçam com as matizes cromáticas aplicadas, impregnadas de uma harmonia ímpar, sem falar do movimento rítmico proporcionado pelas linhas de construção das formas, cabendo-lhe um cheque no falor de mil e quinhentos dólares.
O Segundo Grande Prémio de Pintura na mesma categoria, coube Joaquim Pedro Teixeira “Tshombé” da província de Benguela com a obra “Páginas Queimadas”, onde o autor com uma técnica apurada, entre esbatidos e massas planas onde as formas delineadas, expressa o vigor da mensagem, embrulhando o leitor num diálogo silencioso. Na categoria de Grande Prémio de Escultura, o júri distinguiu as obras “N’Donzi ya Tota Baba e Yeto Solo Fértil”, do artista Sozinho Lopes, da província de Luanda. Obras formadas de um aglomerado de paralelepípedos em madeira e outros formados meio talhados. De igualmente modo, o artista teve como prémio o mesmo valor que o anterior cedido ao seu confrade Ângelo Carvalho.
Enquanto isso, o Prémio Especial de Pintura foi atribuído ao artista Ricardo Kapuca Alfredo Ângelo, de nome artístico Kapwka, pelo conjunto das duas telas intituladas, “Carregador de Sonhos” e “Esforço”, quadros provenientes do município da Catumbela, província de Benguela. A sua obra consubstanciada num alto rigor técnico com sustentação na dinâmica híper realista e, associado a contornos sociais intimistas, forma uma harmonia perfeita entre cor plana e o espaço.
Outro pormenor que sobressai da mesma é a forte temática, como bem o título diz, “Carregador de Sonhos” com um círculo aberto a vida e ao mundo expresso na forma e cor projectadas na tela.
Das 12 obras concorrentes, o Júri decidiu-se pelas propostas “No Voata Cossacabocó Ovewé Unáco”, talha em madeira do artista, Estevão Kiony Komba André “Kiony”concorrente da província de Cabinda. Com audácia em romper as linhas escolares das alegorias artesanais, o artista buscou linhas de construção de formas mais ousadas sem preocupações com a proporcionalidade do sujeito, mais sim, a representatividade do efeito do género na sociedade.
Igual atenção foi dada as obras “Rinoceronte” e “Hipopotámo” vindas de Menongue, província do Kuando Kubango, do artista José Monunga . Trata-se de esculturas típicas de uma região onde o meio ambiente influência, sobremaneira, o homem.
O júri distinguiu a exaltação pelo escultor artista da fauna ambiente do seu meio, como símbolo da preservação do eco sistema, tendo para a mesma o artista recorrido a técnicas de talha que transformam a massa em forma de linhas expressivas.
Na categoria do Prémio Juventude de Pintura, o galardão coube a obra “Futuro Seguro das Artes Plásticas em Tempo de Paz” do jovem artista José João dos Santos. A integração e aplicação de símbolos ideográficos e pictogramas da arte rupestre do leste de Angola, resgatando o nosso património em comunhão com cânones modernos da pintura contemporânea, foram um dos pormenores que júri analisou da obra.
O júri decidiu ainda atribuir o Prémio Juventude de Escultura a peça intitulada “Traços Culturais” do jovem artista Amândio Vemba Henriques. Ao outorgar o prémio referente a obra, o júri reteve-se essencialmente ao tratamento que foi dado a matéria com a aplicação de elementos de uma outra matriz dando um efeito contrastante a peça.
Ainda nesta categoria o júri atribuiu Menção Honrosa, a obra “Angola e o Mundo” do artista Alfredo Paulo Cosme José “Batman”, pelo seu carácter desafiador na busca de técnicas do papel maché e aproveitamento de outros materiais reciclados.
O Segundo Grande Prémio na mesma categoria foi atribuído a montagem de António Gomes Gonga, retratando a “Mulher Zungueira concebida, com o filho às Costas”, uma obra de ferro reciclado, na qual o autor seleccionando peça por peça conforme sua forma em consonância com a imagética consegue construir uma obra que transcende os parâmetros do vulgar, impondo-nos a percepção formas e linhas imaginárias da sua própriaa construção .O Júri apreciou ainda a obra “Elevação Espiriual” de Masongi Afonso, tendo-lhe tribuído Menção Honrosa desta Categoria. Já o Prémio Alliance Française, atribuído anualmente com a eficiente parceria daquela instituição, e que se institucionalizou, foi facultado, para o ano 2012 e 2013, respectivamente. A obra resultada de uma técnica mista, cerâmica – pintura acrílica, intitulada “A Base de uma Sociedade” de Maiomona Eduardo Pereira Vua e a montagem escultural de metal e madeira do já popularizado roboteiro executada pelo artista Landa Yeto.
Mais de 180 obras oriundas de todos os pontos do país concorreram a categoria de pintura e 56 à escultura. Ao pronunciar-se sobre a presente edição do Prémio ENSA-Arte, o presidente do Conselho de Administração da ENSA, Seguros de Angola, Manuel Joaquim Gonçalves, referiu na ocasião, que no âmbito do seu programa de responsabilidade social, a instituição promove a IX Edição do Prémio ENSA-Arte, contemplando mais de 20 anos de política de mecenato ao mesmo tempo que comemora o seu 34º Aniversário, assinalado a 15 de Abril. Para Manuel Gonçalves, o acervo integrante da exposição cujas imagens constam de um catálogo, é a tradução da resposta ao desafio permanente lançado aos criadores, no domínio das artes plásticas, que ali apresentam uma linguagem técnica, temática e estética bastante versátil. O Prémio ENSA-Arte 2012 vem confirmar o compromisso com os artistas e as artes plásticas, visando resgatar a indispensável atitude de incentivo e valorização da criação artística e contribuir para a preservação da nossa identidade.
Salientou, que a ENSA continuará a trabalhar para o aumento da Cultura de Seguros, o crescimento do mercado e a manutenção da Liderança do sector Segurador, e que jamais esquecerá a dimensão cultural do crescimento e do desenvolvimento económico, pelo que continuará a apostar na simbiose entre rentabilidade e responsabilidade social com o foco principal na cultura que os identifica e harmoniza. O mais recente reconhecimento da ENSA pelo Ministério da Cultura é para si o maior dos incentivos que tiveram a oportunidade de receber por quanto modestamente têm feito em prol da cultura nacional, deixando-os convictos de que estão no caminho certo e que a aposta da instituição, que um dia foi uma ideia lançada a desafio, deve continuar a
Ângelo Carvalho:
Nascido em 1970 na cidade do Sumbe, é licenciado em Artes Plásticas pelo Instituto Superior Pedagógico “Rafael Maria de Mendive” de Pinar dei Rio, Cuba.
Foi vencedor do Grande Prémio de Pintura e do Prémio Especial para as Províncias na X edição do ENSAArte 2008.
Membro da União Nacional de Artistas Plásticos, tem participado em exposições colectivas desde 1997.
As suas obras podem ser encontradas em colecções privadas em Angola, Portugal, Alemanha e Venezuela.
Sozinho Lopes:
Nascido em 1976 no município da Damba, província cafeícula do do Uige, frequentou o Curso Médio de Artes Plásticas na Escola Média de Artes Plásticas do Instituto Nacional de Forma¬ção Artística. É membro da Brigada de Jovens Artistas Plásticos e estudante do Atelier Transumância Gonga.
Desde o ano 2000 que tem participado de exposições colectivas no país e no estrangeiro. É detentor de vários prémios dos quais se destacam, o Prémio Sona em Pintura pela empresa Hydro, Menção Honrosa em Pintura, no Premio Cidade de Luanda no ano de 2005 e 2º classificado no Prémio de Pintura da Embaixada dos Estados Unidos de América em Luanda.
ENSAR-Arte na visão de Jorge Gumbe:
Comissário do Prémio ENSA-Arte, destacou que nesta edição, ao contrário das edições passadas onde a Província de Luanda tem registado preponderância, a representação de artistas residentes nas províncias de Cabinda, Kwanza Norte, Kwanza Sul, Huambo, Benguela, Kuando Kubango, Bié.
Apresente exposição constituída por 22 pintores 16 escultores seleccionados pelo júri induziu-os a reflectir sobre a necessidade de novos referenciais para se pensar o país e o mundo contemporâ¬neo, cada vez mais interdependente devido às transformações produtivas, financeiras, demográ¬ficas e tecnológicas que caracterizam a globalização.
Realçou, que estas dinâmicas, permitem que os artistas contemporâneos angolanos, passem a adoptar novos estilos de vida, de concepção estética, de crença espiritual, outros ritmos musicais e representações corporais, representação e apresentação das obras de arte.
Referiu que os artistas são motivados a trocar informações e perceber a diversidade, não para homogeneizar a arte, a cultura ou a representação estética, porque na actual sociedade contemporânea a arte nos exorta a navegar por rotas transversais, transnacionais e transestéticas, contudo as pessoas estão em trânsito, tramam ideias, culturas, técnicas e linguagens.
A exposição, representa um género de mostra simbólica, onde dialogam no mesmo espaço obras de artistas que trabalham numa dimensão cultural da sociedade tradicional (criadores e criações que se baseiam na tradição da sua comunidade e reconhecidos como reflexo da sua identidade cultural e social, cujos padrões e valores são transmitidos oralmente), e outros que trabalham no encontro com a modernidade (criadores com formação académica formal, informal e autodidactas, artistas populares urbanos). O diálogo entre culturas, numa sociedade multi-étnica e multicultural como a angolana, torna-as necessariamente permeáveis, viabilizando intercâmbios de que resultam alterações na sua estru¬tura de valores. A característica comum de uma dessas situações é que ela envolve troca de ideias, desde o estímulo e confiança permitindo que os artistas se movam em diferentes direcções e os leva a definirem novas topologias, novos temas, novos olhares e classificações.