Seis monumentos e sítios históricos foram propostos ao Instituto Nacional de Património Cultural, pela direcção da Cultura do Moxico, para a devida análise e posterior classificação como património nacional.
A informação foi prestada terçafeira,8, à Angop, pelo chefe do departamento histórico-cultural, Miguel Carlos André, explicando que as propostas foram acompanhadas com os dados históricos e as respectivas fotografias.
Revelou que das propostas, três são de arquitectura religiosa/funerárias: os túmulos da primeira Rainha Nhakatolo, José Mendes de Carvalho “Hoje-ya-Henda e Américo Boavida.
O túmulo da primeira Rainha Nhakatolo está localizado na comuna de Nana-Kandundo, município do Alto-Zambeze, o sarcófago que data desde o longínquo ano de 1915.
Esta soberana é originaria do Império Lunda, que por vicissitudes migrou para as margem esquerda do rio Kuando, primeiro se chamou Ngambo e continuou com as conquistas de sua mãe em proteger o seu reino contra a colonização portuguesa e inglesa na altura, tendo fixado permanentemente a sua morada na localidade do Kavungo em 1892.
Por ter amizade com o governo português, quando surgiu a questão das fronteiras entre Portugal e Inglaterra, Nhakatolo fez com que Alto-Zambeze se tornasse parte de Angola, onde na altura os ingleses queriam que a região fosse parte do reino de Barotze.
Nhakatolo, a rainha heróica e mãe dos Luenas (Luvales) morreu em 1915 e foi sepultada com honras merecidas a nobreza do seu sangue e, a dignidade e fidelidade de seu reinado, num mausoléu da tradição dos Luenas que se ergue a sombra de Mussuhwa (Mulembera) na própria Nganda em Kavungo (Alto-Zambeze).
O responsável apontou a existência também de uma zona paisagística ou reserva natural, arquitectura militar e civil: o Lago Kalundo, sítios históricos de Lunhameji e o Edifício da antiga administração colonial do então Conselho do Distrito do Moxico, onde actualmente é a residência do padre da igreja Católica, na localidade do Moxico Velho.
O lago Kalundo, está situado ao longo da estrada da Cameia no Bairro com mesmo nome, comuna do Liangongo, município do Léua, é um local turístico onde no século XVIII, conforme diz a lenda, existia uma aldeia que se transformou em lagoa, devido o desprezo dado pelos aldeãos numa pobre idosa.
No século XX, os colonos portugueses tentavam atravessar a lagoa e não conseguiram, a canoa submergiu e houve algumas vítimas, tendo os portugueses arremessado diversos engenhos explosivos ao local afim de neutralizar o fenómeno, explicou.
Passados tempos, alguns caçadores encontraram noutra margem da lagoa um rasto de pessoas dirigindose para o sul e segundo ele, até hoje em dia neste lugar nota-se a aparição de “fantasmas”.
Na província do Moxico, segundo o registo da direcção da cultura, existem 93 monumentos e sítios históricos, onde apenas o Forte da Cameia, localizado no município com mesmo nome é considerado património cultural nacional, por ser símbolo da luta de resistência dos povos nativos contra ocupação colonial portuguesa.