Organizada pelo ministério angolano da Cultura, o evento visa entre outros aspectos, criar um espaço de reflexão, partilha de experiências, construir uma Comunidade Internacional de Interesses e Realizações em torno desta temática, discutir e avaliar a actual política de património cultural no país com os diferentes agentes envolvidos. A conferência propõe-se igual mente definir estratégias de actuação para a Educação do Património Sustentável, bem como a criação de programas de educação patrimonial voltados às instituições de ensino, através da inserção de conteúdos específicos com material didáctico próprio
O colóquio dividido em dez pai néis, está a ser dominado por acesos e prolongados debates e várias intervenções dos participantes, associada à curiosidade de professores e estudantes universitários ávidos em elevar o nível de conhecimentos neste domínio. Dada a amplitude, interesse e impacto dos temas, os participantes classificaram o colóquio como uma aula universitária, cuja mensagem deverá ser passada proximamente e com maior lucidez às comunidades, para a observância dos critérios de preservação do nosso património histórico cultural.
A conferência, que termina hoje (sexta-feira), iniciou com a dissertação do tema “Perspectivas da gestão cultural” pelo conferencista Chistopher Maugham da Universidade Montfort do Reino Unido, que ao transmitir a sua experiência aos presentes, referiu se ao futuro da gestão das artes na perspectiva do Reino Unido, tendo avançado alguns exemplos, que depois de reflectidos e analisados pelos anfitriões serão benéficos para as suas próximas acções.
O especialista considerou que as vantagens da gestão cultural prendem-se com o facto de fornecerem ao país um alicerce firme, envolvendo a compreensão e conhecimento de todos aspectos culturais. Segundo realçou, os estudos de impacto económico da gestão cultural na sociedade inglesa demonstram claramente que, quando bem planificada, conduz a uma maior riqueza.
Por sua vez, Carlos Seixas, da Universidade Técnica de Lisboa, a quem coube a apresentação do tema “O Património e a Indústria Criativa”, referiu-se aos principais conceitos e criatividade neste domínio, a Economia Criativa e Sociedades baseadas no conhecimento, tendo apelado as autoridades a prestar maior atenção nas cidades universitárias, de modo a transformá-las num ninho criativo. Um outro tema que também do minou os debates e mereceu dos participantes inúmeras intervenções, foi sobretudo da “Educação patrimonial: desenvolvimento e Cidadania” apresentado no II painel, por Soraya Fátima dos santos, directora do Museu Regional da Huíla.
Um assunto voltado essencialmente para o papel dos educadores e agentes culturais, ao qual destacou a importância e análise dos conceitos quer do ponto de vista patrimonial, quer de Cidadania, visando determinar a relação entre eles, permitindo uma maior compreensão do tema em sim. A conferencista, que também é docente da Universidade Agostinho Neto na Huíla, caracterizou o património como nossa herança do passado, o qual deve-se passar às gerações vindouras.
Trata-se de um conceito, que segundo ela, abrange os bens móveis e imóveis, materiais e imateriais, locais dotados de expressivo valor para a História, arqueologia, paleontologia, sítios naturais, fauna e flora, podendo ser considerado como património local, regional, nacional e até mesmo mundial. Já no que diz respeito à cidadania, um conceito que teve origem na Grécia Antiga e que ao longo da História foi evoluindo, Soraya dos Santos clarificou que hoje diz respeito ao conjunto de valores sociais que determinam o conjunto de direitos e deveres de um cidadão. No seu entender, “Educação patrimonial e cidadania” são dois conceitos que se complementam, uma vez que tanto um como outro se referem a algo que nos diz directamente respeito. “Se por um lado o património diz respeito a uma herança que nos foi deixada ao longo da História, é de ver de todos nós, enquanto cidadãos, cuidarmos e preservarmos o que nos foi deixado pelos nossos antepassa dos”, disse.
Cidadania é ainda, em sua opinião, usufruir do direito de fruir esse património, mas também ter o dever de o proteger para que chegue às gerações futuras. Nesta óptica, “a valorização do património cultural depende, necessariamente, do seu conhecimento e sua preservação, do orgulho que possuímos da nossa própria identidade”.
Mereceu ainda destaque nesta conferência a homenagem rendida ao arquitecto Fernando Batalha, falecido recentemente em Portugal, aos 104 anos, responsável pelo inventário do património arquitectónico de Angola após a Independência. Nascido a 5 de Maio de 1908, na cidade de Redondo, distrito de Évora, sul de Portugal, estudou no país em que veio ao mundo e depois de concluir o curso de arquitectura, partiu para Luanda, em 1935. Aqui, realizou vários projectos de arquitectura, iniciando a sua actividade com a participação no desenho do pavilhão principal da Exposição-Feira de Angola, em 1938.