
Depois de 10 anos de ausência, a Companhia de Dança Contemporânea de Angola (CDC) está de regresso aos palcos com a mesma determinação e intenção de revitalizar o ballet no país.
A próxima aparição do grupo irá acontecer entre os dias 18 e 27 de Setembro próximo, no Cine Nacional (Chá de Caxinde), em Luanda, com uma série de sete espectáculos. Para esta temporada, a CDC espera surpreender o público com uma obra inédita denominada “Peças para uma sombra iniciada e outros rituais mais ou menos”. Segundo uma nota explicativa, trata-se de uma coreografia onde a oratura angolana, as máscaras e os rituais de iniciação são matéria para a actualização da tradição enquanto suporte inevitavelmente contemporâneo em todas as transições. “As emoções e os conflitos – onde corpos simples e corpos complexos, metamorfoses e mutações decorrem de provações que é preciso vencer para sermos aceites como novos, puros, mas diferentes – voltam a ser tema da Companhia de Dança Contemporânea”, refere o documento.
Apresentando um outro prisma do trabalho de campo, a CDC propõe um investimento diferente para o produto da investigação e uma leitura do texto científico em formato não convencional. “O novo espectáculo da CDC dá a descobrir outras ‘máscaras’ físicas, sociais e outros rituais; os “mais ou menos” são ainda aqueles que nos iniciam no plano das emoções e dos sentimentos, onde em cada dia se visitam novos desconhecidos e se inauguram novas sombras”, explica a nota.
A obra conta com coreografia e direcção artística de Ana Clara Guerra Marques, música de Victor Gama, percussão de Abraão Kumba, figurinos de Nuno Guimarães e imagem e edição multimédia de João Paulo Costa.
A CDC foi fundada em Dezembro de 1991, tendo sido a primeira colectividade a introduzir e a divulgar a dança contemporânea em Angola. Considerada também uma das pioneiras do género em África, a Companhia foi ainda a primeira a ter estatuto profissional no país, sendo que foi constituída por bailarinos angolanos com formação em instituições especializadas.
O grupo, dirigido desde o início pela bailarina e coreógrafa Ana Clara Guerra Marques, é responsável pela ruptura estética e formal da dança angolana, tendo criado dezenas de obras originais e produzido espectáculos em Angola e no estrangeiro. Para tal, realiza um profundo trabalho de investigação, quer a nível das danças patrimoniais angolanas, quer a nível das dinâmicas sociais do país. Apôs um interregno de 10 anos, a CDC regressa agora com uma nova dinâmica e novas formas de suporte e de prolongamento da sua actividade, nomeadamente uma Oficina de Artes e uma Área de Projectos de Intervenção Comunitária.