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Hospital pode desabar

O Hospital Geral de Luanda está, desde a semana passada, a cair aos pedaços, quatro anos após a sua inauguração, o que obrigou a direcção da instituição a encerrar as enfermarias do Banco de Urgência e a transferir os doentes para alguns hospitais da capital, depois de orientados por técnicos do Ministério do Urbanismo e Construção que inspeccionaram as instalações.

Até ontem à noite, por altura do fecho dessa edição, haviam sido transferidos 100 doentes dos 151 até então existentes nas enfermarias, devendo os restantes 51 ser retirados hoje, conforme disse a O PAÍS, a directora do Hospital Geral de Luanda, Isabel Massocolo.

Logo um ano após a sua inauguração, as instalações do Hospital Geral de Luanda começaram a apresentar fissuras no interior e exterior, situação que se prolongou até aos dias de hoje, sem que tivesse havido uma intervenção por parte empreiteira ou da entidade que fiscalizou a obra.

Na segunda-feira, 21 de Junho, a situação atingiu os píncaros de preocupação quando os trabalhadores e a direcção do hospital deram, de caras, com a separação dos blocos provocados pelas fissuras, acompanhado de queda de pedras.

“A direcção não tinha a noção da gravidade e da dimensão da situação, pois o edifício começou a cair aos pedaços”, disse Isabel Massocolo.

Segundo a directora, nota-se que os blocos estão separados. “Quem está dentro do edifício vê quem está lá fora e vice-versa. E quem estiver dentro, na parte de baixo, vê aquele que se encontra por cima”.

Sexta-feira, 25 de Junho, dois técnicos do Ministério do Urbanismo e Construção deslocaram-se ao local para avaliarem a situação, tendo recomendado a evacuação dos doentes e trabalhadores e o consequente encerramento das instalações por um período indeterminado.

Face à situação, a direcção do HGL comunicou-a, de imediato, à governadora de Luanda, Francisca do Espírito Santo, na qualidade de tutora do hospital, que orientou a transferência dos doentes internados para outras unidades hospitalares da província.

Contactada pelo repórter deste jornal, a directora Isabel Massocolo disse que a transferência dos doentes, bem como o seu encerramento, é uma medida acertada, por forma “a evitar mais uma DNIC”, numa clara alusão ao desabamento do edifício da Direcção Nacional de Investigação Criminal, ocorrido em Março de 2007, em Luanda, em que morreram soterradas mais de 30 pessoas.

Sábado encerra na totalidade De acordo com Isabel Massocolo, algumas áreas do hospital ainda estão em funcionamento para permitir o atendimento dos pacientes internados, mas, a partir de sábado, dia 3, os serviços do Banco de Urgência deverão encerrar na totalidade.

Isabel Massocolo garantiu que as consultas externas deverão manterse “até novas ordens do Governo da Província de Luanda”.

Até ontem, alguns doentes haviam sido transferidos para a Multiperfil, Clínica Girassol, Hospital Pediátrico “David Bernardino”, Josina Machel, Hospital do Prenda e Centro de Saúde do Palanca.

A transferência dos doentes para estes hospitais derivou de um acto de solidariedade manifestado pelas direcções destes, tendo a Clínica Girasol e a Multiperfil sido as primeiras a responder à solicitação do Hospital Geral de Luanda.

A directora do Hospital Geral de Luanda ainda não sabe se os trabalhadores da instituição serão transferidos para outras unidades ou não, visto existir a possibilidade de se instalar um hospital de campanha no terreno adjacente a esta unidade, uma situação que também está dependente de autorização superior.

“Vamos esperar pelas orientações dos Serviços de Protecção Civil e Bombeiros, bem como da Divisão de Saúde

das Forças Armadas Angolanas para depois decidirmos se transferimos os técnicos para outras unidades ou montarmos um hospital de campanha”, disse a médica.

Obra nova,  problemas velhos

Inaugurado em Fevereiro de 2006, o Hospital Geral de Luanda começou logo a enfrentar problemas nas suas infra-estruturas que, para além das fissuras que se foram abrindo, registou a paralisação dos filtros de ar-condicionado. As fossas de águas pútridas não escoam até hoje, saindo dali muito cheiro nauseabundo.

Na altura, a inoperância dos aparelhos de ar condicionado impedia o uso das salas de operação e o manuseamento eficiente de algum material por ter descrições em língua chinesa.

Para melhor aproveitamento do local, foram construídas, no pátio do hospital, 25 suites para alojamento de médicos chineses, no âmbito de um protocolo com o Ministério da Saúde, as quais, no entanto, nunca foram utilizadas.

Uma semana após a sua inauguração, o HGL ainda não tinha a situação dos enfermeiros e outros técnicos resolvida, o que gerou muita polémica, com a intervenção dos sindicatos do sector da Saúde.

Na altura, para colmatar as deficiências da unidade, havia sido assinado um protocolo entre o GPL e o Comando Geral de Luanda, com vista à colaboração de médicos daquela corporação naquele «monstro adormecido».

O hospital 

Com capacidade para internar 100 pacientes, a instituição de carácter provincial foi construída e equipada a partir da linha de financiamento com o Governo da República Popular da China, envolvendo um orçamento de oito milhões de dólares.

O hospital tem dois pisos e ocupa uma área de 800 mil metros quadrados, num terreno de cinco hectares, e está dotado de salas de internamento, consultas externas e de especialidades, uma morgue, lavabos e uma cozinha.

Na unidade sanitária funcionam as especialidades otorrinolaringologia, dermatologia, pediatria, neurologia, oftalmologia, fisioterapia, entre outras.

O edifício contempla também áreas reservadas à administração, refeitório, um centro materno infantil, maternidade, três blocos operatórios, raio X, parque de estacionamento de viaturas e uma lavandaria.

As obras duraram aproximadamente 15 meses, estiveram a cargo da empresa chinesa de construção civil Sociedade de Engenharia de Ultramar da China (COVEC) e contaram com 90 por cento de mão-de-obra nacional.

Obra devia durar 50 anos
 

Reagindo à evacuação dos doentes e ao consequente encerramento do Hospital Geral de Luanda devido a abertura de fissuras nas paredes, o arquitecto António Venâncio disse a O PAÍS que uma obra daquela envergadura devia durar pelo menos 50 anos.

Segundo o especialista em construção civil, o problema do Hospital Geral de Luanda deve estar relacionado com a ausência no local da empresa que fiscalizou a obra.

Para além de acreditar que o empreendimento ainda possa estar em período de garantia, que é de cinco anos, o arquitecto disse que o problema ocorrido no Hospital Geral de Luanda devia ser relatado pelo fiscal da obra e comunicado ao CONICLE.

“Quem fiscalizou a obra é quem deve relatar o que se passa. Ele tem que fazer ao local visitas periódicas e acompanhar o comportamento estrutural da obra e já devia ter detectado as fissuras antes, porque elas não aparecem de repente, mas vão sim crescendo com o tempo”.

Em sua opinião, o fiscal terá descurado essa fase do acompanhamento durante o período de garantia e devia ter alertado o empreiteiro para repor o defeito à sua conta e não o deixar progredir, até atingir o estado em que chegou.

Segundo ele, caso tivesse havido relutância por parte do empreiteiro, o fiscal devia recorrer à garantia bancária depositada no início da obra a favor do dono da empreitada.

No entanto, António Venâncio, que também é professor de fiscalização no Centro de Formação Especializado em Estudo de Engenharia e Construção Civil, em Luanda, afiançou que a resolução do diferendo está condicionada por duas situações, prendendose uma com o regime jurídico angolano e a outra com os canais diplomáticos.

 “Se a obra foi feita ao abrigo de acordo Estado-Estado, não se aplica o regime jurídico das empreitadas das obras públicas em vigor em Angola, pelo que terá de ser resolvido através de canais diplomáticos, mas se foi adjudicada ao abrigo do regime jurídico angolano, o dono da obra tem que exigir a sua reparação”.

No quadro da resolução desse diferendo, António Venâncio acha que o fiscal deve dar um prazo para que o empreiteiro reponha a situação e, no caso de existirem danos emergentes, deve ser obrigado a responsabilizar-se por eles.



José Meireles
2 de Julho de 2010
10:06
 
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Comentários

  1. bijú garizim
    2011-02-02 15:22:26
    quando criticamos por mal é bom que criticamos também por bem jurista faz parte de cinema
  2. yoyo
    2010-08-16 10:29:12
    quem construiu, quem financiou, quem fiscalizou e quem geriu, todos enganaram o povo de angola são todos gatunos desviram as verbas deviam estar na cadeia!!!!!!!!! o q esta a fazer o tribunal de contas, a PGR e a dinic??????????
  3. Eugénio
    2010-07-08 15:29:04
    é triste olhar pra o sofrimento do povo e o culpado por esse sofrimento é o governo da provincia de luanda. isto é lamentávelmente temos que continuar a assistir a tanta aldrabice. O desabamento do hospital, nao constitui novidade para ninguem, pais corrupto, desorganizado, falta de quadros nacionais capazes de controlar a situaçao das infrastrutura em construçao, tudo entregue a mafiosos chines, com uma ampla visao global toda a infrastrutura na mao dos Chines durarà pouco tempo, no pais dos cegos... mais 2 anos serao os Campos de futebol mesmo assim a liçao da corrupçao nao vai
  4. enginheiro esquecido
    2010-07-07 23:42:45
    O chines é mais barato, o material tbm O QUE É QUE ESPERAVAMOS PAHHHH!!!!!1 sao michas a entrar no bolso de alguns cabroes mais 2 anos serao os Campos de futebol...... ... mesmo assim a liçao da corrupçao nao vai
  5. Mandume
    2010-07-06 17:58:16
    Isso é fruto da corrupção que em Angola atingiu proporções alarmantes. O governo, este do MPLA, caducou há anos, esses são os reflexos. O MPLA perdeu o control da situação. Ninguém é capaz de lutar com a corrente de água porque quando se tapa de um lado, ela rompe do outro. É nessa situação em que se encontra o nosso MPLA
  6. Isildo
    2010-07-06 09:09:00
    No meu ponto de vista o Governo Angolano é o unico Governo que nao aprende com os erros deles e nem com os dos outros, entao nao sei se vai aprender como? E outra vao tomar no cu todo orgão Governamental, responsavel pelo o mesmo
  7. adia
    2010-07-05 10:11:30
    ai esta mais uma vez uma obras,que foi gastado furtunas do povo que durou 4 anos de vida, espero que a politica de toleranca zero seja para todos, os pesponsavel seja denuciados e envergonhados como se fazem em outros pais
  8. Wambo
    2010-07-04 19:14:12
    Isto é obra de chineses. Que estavam à espera? Venham mas é os tugas que esses pelo menos sabem construir obras para durar..
  9. ti fudido
    2010-07-04 09:25:25
    isto representa a má governação do MPLA. governo de coco e bandidos catunos. ganham a corragem para chutar os chineses eles são piratas.
  10. palanca
    2010-07-03 23:09:03
    O desabamento do hospital, nao constitui novidade para ninguem, pais corrupto, desorganizado, falta de quadros nacionais capazes de controlar a situaçao das infrastrutura em construçao, tudo entregue a mafiosos chines, com uma ampla visao global toda a infrastrutura na mao dos Chines durarà pouco tempo, no pais dos cegos, onde a qualidade nao se fala, mas sim a mal qualidade, que pais è que estao a construir, sem qualidade? E' um pais de bananas por exemplo se ve' as nossas estradas feitas por Chines, ou nao, nao se compara com nenhuma estrada de outro mundo, estradas luxuria. e' assim as estradas de toda Africa, menos a outra Africa do sul. Nao se pede responsabilidade a ninguem, porgue o governo e' corrupto e pronto tudo entregue a deus. Incapacidade, nem mesmo copiar
  11. marcio
    2010-07-03 12:09:53
    Meu Deus....ja nem sei o que dizer ou pensar desta gente, será burrice ou ou mesmo apenas ganância? acho que o dono da obra(se não for muito incomodo) deve responzabilizar quem construiu, quem fiscalizou, os responsaveis das obras publicas, e todos os envolvidos no processo, em enves de estar a falar dos doentes transferidos(é importante +). uma vergonha o mundo esta a rir de nos como sempre
  12. Dynho
    2010-07-03 05:33:43
    Com a nova constituição aprovada vamos ver quem vai ter coragem de levar o responsável as barras do tribunal, porque conforme disse a Directora do HGL a decisão foi bem tomada, mas quem são os fiscais desta obra? Porque isto envolve a saúde do pais e não só como a capital do pais. Sera que esta e Angola que teremos: Bonito no dia da Inauguração e fissuras após 4 anos? O dinheiro esta a corromper tudo
  13. lucas
    2010-07-02 23:19:17
    e' triste olhar pra o sofrimento do povo e o culpado por esse sofrimento e' o governo da provincia de luanda. ja temos um servico de saude que nao corresponde as nossas necessidades, maior parte dos medicos dao mais atencao a colaboracao nas clinicas do que nos hospitais publicos,o povo nao tem condicoes favoraveis pra ter uma vida com qualidade,pra se ter acesso a um bom servico de saude e' necessario ostentar muito dinheiro e alem desses problemas e muitos outros surge este lamentavel problema. este problema reflete a desorganizacao instalada no governo, o pais esta' a perder muito dinheiro meus senhores e voces estao a comprometer as geracoes futuras por essa desorganizacao desenfreada que se instalou no governo e no pais. Meus senhores se nao conseguem mais por favor deixem aqueles que podem trabalhar de verdade. Deiam oportunidade a outros partidos politicos por favor. tenho dito.....
  14. Filomena Amaral
    2010-07-02 19:14:33
    Lamentávelmente temos que continuar a assistir a tanta aldrabice. Sempre tentando tapar o sol com a peneira!!!!Inaugurações de pompas e circunstâncias de coisas que de antemão se sabe não estarem em condições."Queimam-se" quadros(pessoas) que tentam mostrar a verdadeira realidade para no final só haver incúria.E logo com a saúde, bem de direito mas sempre difícil de atingir
  15. osvaldo santos
    2010-07-02 17:55:38
    este Pais levam tudo em bricandeira,é inademissivel um edificio ruir com a idade que têm,onde estava a fiscalização?a culpa não é da empreiteira.é desses Camaradasarrogantes
  16. Kota
    2010-07-02 17:50:14
    Este hospital segundo li foi feito pelos chinocas e inclusivamente as indicações dos aparelhos estavam em chinês! O hospital Maria Pia hoje chamado de Jossina Machel ainda lá está numa boa mas foi feito pelos tugas! Eu fui operado nesse hospital e conheço-o muito bem por isso posso dizer que irá durar mais uns 50 anos
  17. anissa
    2010-07-02 12:36:49
    é tudo uma brincadeira!!!!!!!nao há sitio melhor no mundo para pra brincarem e humilharem as pessoas como em angola. usam material baratocontratam empreiteiros de quinta roubam rios de dinheiro o povo sempre a sofrer fim das contas meia duzia de individuos enriquecem a custa de uma naç
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