Antigos militares das Forças Armadas Angolanas (FAA), desmobilizados há dois anos, manifestaram-se na manhã desta quinta-feira, 7, defronte às instalações do Ministério da Defesa Nacional (MINDEN), exigindo o seu enquadramento nas fileiras da Polícia Nacional, uma promessa feita no acto da desmobilização por responsáveis do próprio ministério, segundo contou via telefone a O PAÍS, Santos Gabriel, um dos responsáveis do grupo, que afirmou serem mais de mil pessoas.
Segundo a fonte, a promessa feita por altos responsáveis do pelouro da Defesa nunca foi cumprida, sendo o motivo da insatisfação que, ainda segundo ele, serviu apenas para pressionar os que estão à frente deste processo a resolverem o mais breve possível o assunto, acrescentando que a situação remonta há já algum tempo, e nenhuma luz se vislumbra no “fundo do túnel” . “Ninguém diz nada a ninguém, se seremos enquadrados ou não, o que nos está a deixar agastados” , desabafou.
Disse que o que tem estado a exaltar os ânimos é o facto de admitirem alguns ex-militares e outros não, enquadramento esse que é feito alegadamente com base no pagamento de uma quantia, mas que a fonte não precisou.
“Há informações de que alguns estão sendo admitidos mediante o pagamento de um valor, contrariando o que foi decidido no acto da desmobilização pelos próprios chefes”, afirmou em contacto com o repórter deste jornal.
Reforçou que a situação está quase insuportável, na medida em que se nota uma certa letargia por parte do Ministério da Defesa Nacional, e a maior parte desses desmobilizados está a passar por situações aflitivas.
“Nós temos famílias para sustentar e não podemos continuar com essa situação. Em tempo de guerra fomos voluntariamente cumprir o serviço militar, agora hoje estamos atirados à nossa sorte”, deplorou Santos Gabriel, para quem a situação está a criar muitos problemas resumidos em miséria e fome por falta de condições de sustento.
Devido à indigência que assola esse grupo, maioritariamente jovens, dos vinte e cinco anos em diante, alguns estão a sucumbir aos poucos. “Tivemos colegas que já morreram de fome por falta de dinheiro para comprar comida. Os nossos filhos não estudam, porque não sabemos como colocá-los nos colégios e pagarmos as propinas”, revelou com o tom de um homem agastado com a situação.Entretanto, na altura em que se redigia estas linhas, chefias das Forças Armadas Angolanas (FAA) e da Polícia Nacional (PN), encontravam-se reunidas no quartel do Estado Maior do Exército (EME), ex-Regimento de Infantaria (RI-20), para encontrar uma solução sobre o enquadramento destes homens que um dia cumpriram o serviço militar activo em defesa da pátria. Neste encontro, nenhum responsável dos desmobilizados participou, segundo a nossa fonte.
No decorrer da conversa, prometeu que se não se encontrar uma solução nesta sexta-feira, 8, os desmobilizados vão marchar, em jeito de protesto, junto à “ Cidade Alta”, para pedir a intervenção do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, na qualidade de Comandante em Chefe das Forças Armadas Angolanas.
“Se daqui não sair nada de especial, amanhã, sexta-feira, vamos marchar até à Presidência”, disse sem avançar mais pormenores.
O PAÍS contactou o super-intendente chefe, Carmo Neto, para obter um esclarecimento sobre a reivindicação dos desmobilizados, mas não foi atendido, apesar de ter prometido fazê-lo oportunamente, ainda até antes do fecho desta edição.
Da parte da chefia do EstadoMaior General das FAA, não foi possível contactar o general Baltazar, estava incomunicável até ao momento do fecho desta edição.