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Investigação

PGR manda capturar denunciante de tráfico de droga no Cunene

A Procuradoria Geral da República (PGR) do Cunene emitiu um mandado de captura contra o sub-chefe da Polícia Nacional, Baptista Kialelo Kumesso, colocado no Departamento de Planificação, Informação e Análise (DPIA), da Direcção Nacional de Investigação Criminal (DNIC), sob a acusação de ter violado o artigo 413º do código penal, tendo sido ele o denunciante do envolvimento de dois oficiais da corporação no tráfico de cocaína, na província do Cunene, apurou O PAÍS de fontes ligadas ao processo.

Segundo a fonte, a PGR do Cunene alega que o cidadão, que em Outubro de 2010 acusou o director provincial da DPIC, e o chefe de departamento de narcotráfico, Miguel Arcanjo e Luís João, respectivamente, cometeu os crimes de rapto e ameaças de morte contra um cidadão estrangeiro, Kalala Timóteo, que se encontrava a circular numa viatura ligeira com matrícula namibiana, na comuna da Santa-Clara (Namcunde), em Junho de 2010. Contra Baptista Kumesso pendem ainda acusações de invasão de residência, extorsão e apropriação de um televisor.

A fonte disse, citando a Procuradoria Geral da República, que no dia 19 de Junho do ano transacto, Baptista Kialelo Kumesso terá recebido um telefonema anónimo, dando-lhe a conhecer da presença de estrangeiros ilegais que circulavam em SantaClara, tendo este ido até à casa dos mesmos sem qualquer mandado de captura.

A presumível acção terá sido concretizada com o auxílio de um outro polícia, José Domingos, colocado no Comando da Unidade de Protecção de Individualidades Protocolares (UPIP).

A PGR alega que os crimes imputados aos dois co-arguidos não admitem a concessão de liberdade provisória, daí a pronúncia do mandato de captura. Baptista Kumesso já refutou as acusações, alegando tratar-se de uma cabala com fim de penalizá-lo criminalmente por um delito que disse não ter cometido “mas para desviar a investigação sobre o envolvimento de responsáveis acusados no tráfico de droga”, desabafou a este jornal. Antigo chefe da secção de drogas pesadas na Direcção Provincial de Investigação Criminal (DPIC), no Cunene, acusou o director provincial desta instituição e o chefe do Departamento de Narcotráfico, Miguel Arcanjo Sumbo e Luís João, respectivamente, numa carta endereçada à Procuradoria Geral da República (PGR) e à própria DNIC de estarem envolvidos no tráfico.

Face às denúncias, Baptista Kumesso viria a ser transferido para Luanda, por razões de segurança, mas aqui também não encontrou a tranquilidade que esperava.

A situação do denunciante agravou-se quando recebeu uma “nota de culpa” da DNIC, acusando-o da prática de “divulgação na imprensa de notícias desprestigiantes e atentatórias ao bom nome da Polícia Nacional”.

Ireneu Mujoco
2 de Setembro de 2011
15:23
 
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Comentários

  1. Familia Santos
    2011-09-03 14:29:38
    A ser verdade, então os Dirigentes da policia podem fazer tudo de errado e até mesmo comentendo crime, os outros dentro da corporação, não podem fazer denúncia, sob pena de serem indiciados como culpados por sujarem o bom nome da Policia Nacional...Agora isto é o que esta bom, podesse fazer tudo na policia até matar..
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